26 colegas da MSF continuam desaparecidos no Sudão do Sul

A escalada de violência no estado de Jonglei obrigou à evacuação de um hospital, após a qual ainda não conseguimos alcançar todos os membros da nossa equipa

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) manifesta profunda preocupação com a segurança e bem-estar dos profissionais da organização na sequência de uma escalada de violência em Lankien e Pieri, no estado de Jonglei.

No total, 26 dos 291 colegas da MSF a trabalhar em Lankien e Pieri continuam desaparecidos no seguimento de mais uma onda de violência, já que perdemos contacto com eles neste contexto de insegurança. O hospital onde as nossas equipas trabalhavam já havia sido evacuado antes dos combates, devido a crescentes tensões e a uma informação sobre um possível ataque à vila. Após a evacuação, a MSF procurou averiguar o paradeiro e a segurança de todos os colegas, mas ainda não conseguiu alcançar todos os membros da equipa.

 

Esta violência tem tido efeitos insuportáveis não só no sistema de saúde, como também nas próprias pessoas que o mantinham vivo. Profissionais médicos nunca deviam ser alvos.

– Yashovardhan, coordenador do projeto da MSF no Sudão do Sul

 

As telecomunicações em Lankien e Pieri são extremamente limitadas. A falta de acesso à rede é ainda mais notável para os que fugiram em busca de segurança para zonas remotas de floresta. A nossa perda de contacto pode estar ligada a esta ausência de conectividade. Porém, continuamos seriamente preocupados que alguns dos nossos colegas possam estar a enfrentar condições muito difíceis que os previnam de entrar em contacto connosco.

Muitos dos nossos profissionais foram obrigados a fugir da violência com as famílias. Alguns estão agora deslocados em áreas remotas com acesso muito limitado a água, comida e serviços essenciais. Para além de ter forçado a MSF a suspender atividades médicas para aproximadamente 250.000 pessoas ao longo de duas regiões, esta crise afetou diretamente os próprios profissionais de saúde que providenciavam cuidados às suas comunidades.

“Esta violência tem tido efeitos insuportáveis não só no sistema de saúde, como também nas próprias pessoas que o mantinham vivo. Profissionais médicos nunca deviam ser alvos”, avança Yashovardhan, coordenador do projeto da MSF no Sudão do Sul. “Estamos muito consternados com o que aconteceu aos nossos colegas e às comunidades que servem. Já estamos a prestar apoio de emergência nas áreas para onde as pessoas têm fugido, onde as condições de segurança o permitem. Estamos também a trabalhar para assistir os nossos colegas durante este período.”

A MSF está a desenvolver todos os esforços para restabelecer contacto com os colegas desaparecidos e para apoiar todos os membros das equipas afetados, assim como as respetivas famílias. A segurança dos nossos profissionais continua a ser a nossa maior prioridade.

Reiteramos que instalações de saúde, pacientes e profissionais médicos devem ser protegidos a todo o custo. Os ataques à saúde são inaceitáveis e privam comunidades em vulnerabilidade de cuidados médicos essenciais.

 

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