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O nosso projeto em Áden encerrou em fevereiro de 2025, após 12 anos de atividades. Este relato é um olhar para o passado, que ajuda a compreender a dimensão das necessidades médicas durante a escalada do conflito no Iémen
“O que testemunhei naquele dia foi algo que nunca esperei ver. O hospital estava cheio de feridos de guerra. Os corredores repletos de gritos”, conta o médico da MSF Youssef Nagwan. Em março de 2015, o serviço de traumatologia do Hospital Universitário de Áden, gerido pela Médicos Sem Fronteiras (MSF), tornou-se na única unidade em funcionamento na cidade para tratar pessoas feridas nos combates. Durante os quatro meses seguintes, no decorrer da batalha por Áden, o hospital operou sob uma pressão constante, e tratou um fluxo ininterrupto de feridos de guerra.
Nessa altura, o Iémen estava em guerra há quase um ano. O conflito envolvia as forças do presidente Abdrabbo Mansour Hadi e o Ansar Allah, também conhecido como o movimento dos Houthis. Em setembro de 2014, o Ansar Allah e aliados avançaram do Noroeste e tomaram grandes áreas da capital, Sanaa. Sob pressão crescente, o presidente Hadi demitiu-se em janeiro de 2015 e fugiu para Áden, uma cidade portuária no Sul do Iémen e o último reduto do governo reconhecido internacionalmente.
Em março de 2015, começaram a circular rumores de que o Ansar Allah avançava para Sul em direção a Áden. “As pessoas correram para as lojas para comprar reservas de comida e bens essenciais. Ninguém sabia o que estava para vir”, recorda Youssef Nagwan.
A 25 de março, o Ansar Allah e as suas forças aliadas entraram em Áden. Os combates irromperam por toda a cidade, incluindo em zonas residenciais, enquanto o presidente abandonava o país. Em poucas horas, o conflito chegou ao hospital de traumatologia da MSF. “Quando ia a caminho de casa, vi um veículo que transportava feridos embater contra o hospital”, relembra Youssef. Embora ainda não fizesse parte da equipa da MSF, entrou de imediato para ajudar. “De repente, dei por mim no que parecia um campo de batalha médico: a estancar uma hemorragia a um doente, à procura de uma veia noutro, a passar de um caso crítico para o seguinte.”
De repente, dei por mim no que parecia um campo de batalha médico: a estancar uma hemorragia a um doente, à procura de uma veia noutro, a passar de um caso crítico para o seguinte.” – Youssef Nagwan, médico da MSF
De repente, dei por mim no que parecia um campo de batalha médico: a estancar uma hemorragia a um doente, à procura de uma veia noutro, a passar de um caso crítico para o seguinte.”
– Youssef Nagwan, médico da MSF
Entre 25 e 26 de março, a MSF tratou cerca de 180 feridos. Nas semanas seguintes, Áden tornou-se numa cidade dividida: o Norte e o Sul ficaram sob controlo do Ansar Allah, enquanto o Centro permaneceu sob o controlo das forças do Sul, agora integradas no Conselho de Transição do Sul.
Ao longo dos meses seguintes, os doentes continuaram a chegar em grande número, muitas vezes com ferimentos que podiam ser fatais. As equipas médicas tiveram de dar prioridade a cuidados imediatos de salvamento em detrimento de tratamentos definitivos. Mohamed, coordenador de logística da MSF, explica: “Os motoristas ajudavam a transportar doentes, os profissionais administrativos limpavam os colchões, toda a gente apoiava as equipas médicas. Tínhamos de gerir constantemente as multidões, reduzir a tensão e proteger os profissionais de saúde para que pudessem continuar a trabalhar.”
Tínhamos de gerir constantemente as multidões, reduzir a tensão e proteger os profissionais de saúde para que pudessem continuar a trabalhar.” – Mohamed, coordenador de logística da MSF
Tínhamos de gerir constantemente as multidões, reduzir a tensão e proteger os profissionais de saúde para que pudessem continuar a trabalhar.”
– Mohamed, coordenador de logística da MSF
Em julho de 2015, os combates intensificaram-se quando as forças do Ansar Allah se retiraram de Áden, o que provocou o maior afluxo de feridos desde o início do conflito. Entre março e agosto de 2015, a MSF tratou cerca de 2 800 feridos de guerra, incluindo muitas mulheres e crianças.
Em 2023, a diminuição da violência reduziu os casos de traumatologia relacionados com a guerra. Em fevereiro de 2025, o programa de cirurgia de trauma no Hospital Universitário de Aden encerrou após 12 anos, período durante o qual a MSF realizou mais de 65 mil consultas de urgência e quase 68 mil intervenções cirúrgicas. O encerramento do programa de cirurgia de trauma não significa que as necessidades em Áden tenham desaparecido. O Iémen continua instável e o acesso a cuidados de saúde limitado.
Nos últimos meses, as tensões aumentaram entre o Conselho de Liderança Presidencial do Iémen, reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, e o Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos Emirados Árabes Unidos e que procura maior autonomia para o Sul do Iémen, incluindo Áden. Para a MSF, o fim de um projeto não marca o fim do compromisso. A organização continua a manter uma presença em Áden, a acompanhar a evolução das necessidades e a manter um plano de resposta de emergência pronto para prestar cuidados médicos urgentes sempre que necessário.
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