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Apoio da MSF a pessoas refugiadas do Mali no Sudeste da Mauritânia

As pessoas atravessam a fronteira num estado de fadiga extrema, carência e trauma, após terem sobrevivido ou testemunhado diretamente atos de violência

As equipas da Médicos Sem Fronteiras (MSF) regressaram ao Sudeste da Mauritânia para prestar cuidados a pessoas refugiadas do Mali, cujo número tem aumentado de forma constante nos últimos dois anos na região fronteiriça de Hodh El Chargui, bem como às comunidades locais que as acolhem.

As atividades concentram-se na prestação de cuidados de saúde primários e secundários, particularmente em pediatria e saúde da mulher, e na assistência a pessoas sobreviventes de violência.

De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados e o governo mauritano, a Mauritânia acolhe cerca de 300 mil pessoas refugiadas e requerentes de asilo, incluindo aproximadamente 170 mil oriundas do Mali que estão registadas, a maioria das quais foi forçada ao exílio pela guerra que eclodiu naquele país em 2012. No entanto, um número crescente de pessoas foge do atual conflito travado pelas forças armadas do Mali e parceiros russos com grupos armados, incluindo o JNIM, com efeitos devastadores sobre as comunidades visadas regularmente em ambos os lados das linhas da frente.

As chegadas à Mauritânia são contínuas, embora continue a ser difícil estabelecer números precisos devido à existência de múltiplos pontos de entrada dispersos pelo deserto, ao longo de centenas de quilómetros de fronteira. Pessoas refugiadas recém-chegadas instalaram-se em aldeias e campos de Hodh El Chargui, enquanto o campo de Mbera acolhe uma grande proporção de quem chegou em anos anteriores. As pessoas em fuga do Mali atravessam frequentemente a fronteira num estado de fadiga extrema, carência e trauma, após terem sobrevivido ou testemunhado diretamente atos de violência.

Para prestar cuidados de saúde gratuitos a pessoas recém-chegadas em situação de maior vulnerabilidade, as equipas da MSF providenciam consultas de clínica geral, pediatria e saúde sexual e reprodutiva, vacinação e tratamento da desnutrição aguda grave em unidades de saúde em Douenkara, Fassala, Aghor e Tinagwitine. A prestação de consultas está também aberta a pacientes da Mauritânia. Clínicas móveis, atualmente em Abaghé e El Mekhel, permitem-nos ainda dar resposta de forma pontual às chegadas e às necessidades mais urgentes das pessoas refugiadas. Encaminhamos pacientes em estado mais crítico para cuidados hospitalares em Bassikounou e Néma.

Em 2025, as equipas da MSF realizaram mais de 32.817 consultas, incluindo 851 em saúde mental e 4109 de saúde reprodutiva.

Estamos igualmente a desenvolver cuidados abrangentes para sobreviventes de violência, incluindo cuidados em saúde mental, apoio social e proteção, bem como uma rede comunitária para melhor identificar e encaminhar as pessoas sobreviventes. Este trabalho, atualmente em fase de elaboração, é essencial dada a violência extrema que as pessoas recém-chegadas relatam ter ocorrido nos locais de origem e durante a deslocação para a Mauritânia. Massacres, violência sexual, abusos, pessoas queimadas vivas ou decapitadas: os relatos de quem sobreviveu descrevem um nível de horror raramente visto a esta escala na região. Contam também ter havido pilhagens, casas, lojas e celeiros incendiados e gado dizimado.

Algumas pessoas fogem também de ameaças e restrições impostas por grupos armados a residentes em localidades que esses grupos acusam de apoiar o exército. Os ataques aéreos, particularmente com drones, estão a intensificar-se. No início de janeiro, as equipas da MSF e o Ministério da Saúde do Mali trataram 54 pessoas feridas após um ataque aéreo ter atingido o mercado de Dogofry.

Embora as pessoas refugiadas do Mali encontrem um ambiente mais seguro em Hodh El Chargui, o acesso a serviços essenciais continua a ser muito rudimentar nesta região semidesértica, uma das mais pobres no país. Em 2025, a Mauritânia – que se encontra no 156.º lugar do Índice de Desenvolvimento Humano – perdeu o apoio financeiro humanitário dos Estados Unidos, que cobria grande parte da resposta humanitária internacional no país. A ajuda mútua entre as pessoas refugiadas e as comunidades residentes não é suficiente, os recursos estão a esgotar-se e a limitada ajuda humanitária disponível concentra-se sobretudo no campo de Mbera.

 

A MSF providenciou ajuda médica e humanitária no Sudeste da Mauritânia entre 1992 e 1998, e novamente de 2012 a 2018. Atualmente, a organização desenvolve novas atividades para dar resposta às necessidades urgentes de pessoas sobreviventes do conflito no Mali e que atravessam a fronteira para a Mauritânia à procura de segurança. Em Nouadhibou, as nossas equipas têm também prestado apoio a pessoas migrantes, refugiadas e requerentes de asilo na rota do Atlântico, bem como a residentes em situação de vulnerabilidade, desde 2024.

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