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MSF lança campanha para incentivar pessoas que vivem com HIV a vencerem estigma e seguirem tratamento
Imagine tentar manter um segredo de vida ou morte quando ele afeta a quase todos que você conhece. As estatísticas te dizem que muitas das pessoas com quem você vive, trabalha e socializa compartilham do mesmo segredo. Na verdade, todos que você conhece têm um pai, filho, amigo, colega ou vizinho que compartilham desse segredo. No entanto, você nunca terá certeza para quem pode contá-lo.
Se as pessoas veem que você vai à clínica todo mês ou toma uma pílula todos os dias, podem começar a chamar você por uma desagradável combinação de três letras: “H.I.V”. Na medida em que o vírus pode levar uma década ou mais para matar você, o escárnio público pode acontecer em apenas um instante. E então, você se esconde. Talvez interrompa totalmente o tratamento, ou até se recuse a fazer o teste. Você sacrifica sua saúde física para evitar o suicídio social.
“O HIV mata quem quiser morrer”, diz Thembisa Bobo, uma jovem da cidade de Khayelitsha, na África do Sul, cuja simples observação é uma verdade ainda hoje – com o tratamento antirretroviral de qualidade disponível gratuitamente – como era há 15 anos, quando a falta de tratamento levou à morte massiva da população da cidade.
O fato é que ninguém deveria estar morrendo de Aids hoje; ninguém deveria sequer estar infectando outras pessoas – desde que você esteja seguindo um tratamento zeloso, diário e vitalício, o risco de você transmitir o vírus ao seu parceiro ou ao seu bebê é quase inexistente.
Então por que a Aids ainda está matando 140 mil sul-africanos todos os anos, e todos os anos infecta três vezes esse número de pessoas (o equivalente a toda a população de Khayelitsha)?
Pessoas jovens, especialmente as mulheres, estão entre as primeiras vítimas: a cada quatro minutos, uma jovem sul-africana com idade entre 15 e 29 anos é infectada.
Todos os especialistas concordam: para se ter uma chance de conter a progressão de uma epidemia que já matou o dobro do número de pessoas mortas na Primeira Guerra Mundial, a hora para acelerar a luta contra o HIV é agora.
Mas isso não pode ser alcançado com modelos matemáticos e planos teóricos elaborados em escritórios aconchegantes e com ar-condicionado. Essa mudança precisa afetar as comunidades que estão dispostas a quebrar o trágico círculo vicioso de segredos e de estigma, e que encorajam uns aos outros para seguir um mantra simples, mas “tão difícil” de aplicar: “por favor, use camisinha, faça o teste, tome os seus ARVs (antirretrovirais)”.
Então, para o Dia Mundial de Luta Contra a Aids deste ano, dia 1º de dezembro, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na África do Sul reuniu forças com as pessoas que vivem com HIV em Khayelitsha, para repercutir o máximo possível para a cidade, especialmente para os jovens, que há vida além do HIV. Assista aqui!
Escolha o tratamento, escolha a vida – vença a complacência.
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