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O encerramento repentino do campo e o caos que o precedeu expuseram milhares de pessoas a riscos acrescidos de proteção e a um acesso reduzido a cuidados de saúde
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) manifesta preocupação face à forma abrupta e desordenada como o campo de detenção de Al-Hol foi encerrado pelo governo da Síria. O fecho repentino do campo, a 22 de fevereiro, e o caos que o precedeu, expuseram milhares de pessoas – incluindo crianças e pessoas com doenças crónicas – a riscos acrescidos de proteção e a um acesso reduzido a cuidados de saúde.
No seu auge, em 2019, mais de 76 mil pessoas estavam detidas em Al-Hol, a maioria das quais eram mulheres e crianças. O campo estava dividido: sírios e iraquianos eram mantidos numa área, enquanto os cidadãos de outros países estavam detidos numa secção segregada. Em janeiro de 2026, o número de residentes terá caído para cerca de 23 mil, na sequência de várias jornadas de repatriamento, particularmente para o Iraque.
Quando o controlo do campo passou das Forças Democráticas Sírias para o governo da Síria, o número de pessoas diminuiu drasticamente durante um período de transição e insegurança, que incluiu relatos de pessoas a fugir ou a serem contrabandeadas para o exterior. Na semana anterior ao encerramento, os restantes residentes foram transferidos para o campo de Aq Burhan, em Akhtarin, no Norte de Alepo, enquanto algumas famílias regressaram diretamente às regiões de origem.
“Falámos com famílias e pessoas, algumas das quais esperavam há mais de 14 horas para partir, enquanto outros ainda tentavam organizar a recolha dos pertences”, avança a responsável pelos programas da MSF no Nordeste da Síria, Barbara Hessel. “A falta de clareza em relação ao processo gerou ansiedade, embora, ao mesmo tempo, todas as pessoas com quem falei estivessem a olhar para um futuro com mais esperança.”
Relataram-se lacunas nos cuidados de saúde, na proteção e na assistência no campo de Aq Burhan. A MSF está particularmente preocupada com o facto de as mulheres e as crianças enfrentarem riscos acrescidos de violência, exploração e novas deslocações na sequência deste processo de recolocação desorganizado.
À medida que as pessoas abandonavam Al-Hol, os sentimentos eram contraditórios. “Algumas estavam aliviadas, outras confusas e algumas zangadas por irem para outro campo em vez de regressarem a casa – mas quase todas carregavam anos de exaustão”, recorda Hessel. Um residente contou à MSF que esperava que o novo campo tivesse, pelo menos, árvores e algum espaço verde, uma vez que Al-Hol parecia “um lugar morto”.
“Após sete anos em Al-Hol, muitas pessoas não perguntaram para onde iam a seguir – estavam simplesmente gratas por partir”, acrescentou Hessel.
Durante todo o período de transição, o acesso a cuidados de saúde para as pessoas no campo foi gravemente comprometido. Muitas organizações humanitárias foram forçadas a suspender as atividades devido à insegurança e à alteração do controlo da área.
Apesar destes desafios, a MSF manteve-se como uma das poucas organizações a prestar cuidados de saúde e acesso a água potável no campo até ao último dia do encerramento. As equipas da MSF continuaram a operar uma estação de tratamento de água que fornecia água potável tanto ao campo principal como ao anexo.
Os serviços de cuidados de saúde primários foram mantidos durante o máximo de tempo possível e priorizou-se a continuidade dos cuidados para as pessoas com doenças não transmissíveis. Os pacientes já integrados nos programas de tratamento da MSF receberam provisões alargadas de medicamentos, enquanto aos novos pacientes também foram fornecidas provisões iniciais para ajudar a evitar a interrupção do tratamento.
“Quando fornecemos aos pacientes com doenças crónicas uma provisão de medicamentos para três meses, era visível um alívio imediato – especialmente entre aqueles que não estavam anteriormente integrados nos nossos programas”, afirma um membro da equipa da MSF.
Contudo, não foi possível chegar a muitos pacientes. Antes de o governo da Síria ter assumido o controlo, a MSF estimava que 347 pessoas estavam integradas apenas no grupo de doenças não transmissíveis, muitas das quais perderam o acompanhamento médico durante a transição caótica.
Durante os anos de presença em Al-Hol, a MSF testemunhou e documentou diretamente a negligência e a violência impostas aos residentes do campo. As pessoas, incluindo crianças, eram sistematicamente tratadas como uma ameaça à segurança, em vez de como pessoas com direitos e necessidades. Para algumas pessoas, o tempo passado no campo envolveu um historial de coação, exploração e abuso, refletindo uma realidade muito mais complexa do que aquela que é frequentemente reconhecida.
“Durante sete anos, a comunidade internacional participou e manteve um sistema de confinamento por tempo indeterminado no deserto do Nordeste da Síria, justificado em nome da segurança”, explica o responsável de operações pelos programas da MSF na Síria, Stephen MacKay. “O encerramento repentino do campo, sem um plano claro baseado em direitos para o futuro dos residentes, sublinha a natureza arbitrária tanto da detenção prolongada como da libertação destas pessoas. Reforça também o fracasso persistente, ao longo dos últimos sete anos, em suprir as necessidades humanitárias básicas ou em resolver o limbo jurídico dos residentes do campo.”
A MSF apela às autoridades sírias e às entidades internacionais para que garantam o acesso ininterrupto a cuidados de saúde essenciais para todas as pessoas recolocadas do campo de Al-Hol, incluindo a continuidade dos cuidados para doenças não transmissíveis. A MSF insta também as autoridades a cumprirem o compromisso de fornecer documentação legal aos sírios, permitindo que as pessoas reconstruam as vidas.
A MSF manifesta preocupação com o destino dos cidadãos estrangeiros que residiam anteriormente em Al-Hol, muitos dos quais foram tratados pelas equipas médicas da MSF. A organização apela a todos os governos envolvidos para que reforcem as medidas de proteção, particularmente para mulheres e crianças, de forma a protegê-las da violência, da exploração e do abuso, e para que facilitem o repatriamento voluntário.
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