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Em apenas uma semana, 150 pessoas já buscaram tratamento na clínica de MSF contra essa doença que pode matar caso não seja tratada adequadamente. Diariamente, outras 20 pessoas chegam à clínica, vítimas da doença.
O aumento rápido no número de pessoas identificadas com o parasita fatal do calazar no estado de Latjor, no sul do Sudão, sugere que uma epidemia está se espalhando numa população particularmente vulnerável. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta que essas pessoas precisam de ajuda urgente das agências internacionais para tratar o que parece um surto ameaçador da doença.
MSF acaba de abrir uma clínica na pequena cidade de Bimbim e em apenas uma semana já atendeu 150 pessoas vítimas do calazar. Diariamente cerca de 20 pacientes buscam tratamento na clínica de MSF. A maioria informa que ao menos uma pessoa da família já morreu vítima da doença.
O coordenador de Saúde de MSF para o Sudão, Kees Keus, que esteve recentemente em Bimbim, diz que há evidências de uma nova epidemia de calazar numa área residencial com pouca resistência à doença.
“O fato de pessoas de todas as faixas etárias e de ambos os sexos terem sido afetadas, sendo que são pessoas que não viajaram para outras regiões indica um surto epidêmico,” diz Keus. “Sabemos, pela nossa experiência em outros lugares, como uma epidemia de calazar pode ser devastadora. É essencial que descubramos rapidamente a extensão do problema nessa área.”
Uma outra clínica administrada pela organização Agência Adventista para o Desenvolvimento na cidade próxima de Kechkoun está observando uma nova forma similar da doença. 145 pacientes estão sob tratamento lá.
MSF recebeu informações preocupantes sobre o que poderiam ser novos casos na cidade de Nassir, que fica a 12 horas a pé de Bimbim. Por enquanto, não tem sido possível chegar na cidade para confirmar a extensão do problema.
Há muito pouca estrutura de saúde em Latjor e esta região acima do Nilo vem sofrendo com altos índices de desnutrição ao longo do ano. MSF acredita ser necessário um esforço concentrado por parte das agências de ajuda humanitária para localizar, avaliar e tratar as vítimas desta epidemia.
Informação médica sobre Calazar: É uma doença parasitária, também conhecida como leishmaniose visceral, transmitida pela picada da mosca de areia. Uma vez no sangue, enfraquece o sistema imunológico. A maioria das pessoas morre de infecções comuns que não podem ser combatidas pelo organismo, tais como pneumonia, diarréia ou tuberculose. A desnutrição, bastante comum no Sudão, também enfraquece o sistema imunológico e aumenta o risco de morte por calazar.
MSF vem oferecendo tratamento contra o calazar no Sudão, desde 1988. A disseminação da doença é agravada pela guerra civil, pela falta anual de comida e as movimentações em massa da população. Não existe vacina e o calazar é fatal sempre que não receber tratamento, mas pode ser curado com medicação intravenosa aplicada durante 30 dias e com alimentação intensiva.
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