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Em entrevista, a coordenadora de Médicos Sem Fronteiras em Gaza, Virginie Mathieu, fala sobre o cenário local antes do cessar-fogo anunciado na quarta-feira, 21 de novembro
Logo após o lançamento da operação “Pilar de Defesa”, uma pequena equipe de emergência de MSF obteve permissão para entrar na Faixa de Gaza e oferecer reforços. O projeto conta com cinco profissionais estrangeiros e 40 palestinos. Virginie Mathieu, coordenadora geral de MSF em Gaza e nos Territórios Palestinos Ocupados, fala sobre a atuação da organização em campo.
Que tipos de necessidades existem em campo?Desde o começo da Operação “Pilar de Defesa”, 140 morreram e mil ficaram feridos, sendo um terço deste número constituído por crianças. Os médicos estão sobrecarregados. Os que ficaram gravemente feridos foram evacuados para o Egito através da abertura do posto de fronteira de Rafah, mas também pela fronteira israelense, o que vale ser destacado. Outros foram tratados no próprio país. Apesar da situação, os serviços médicos em Gaza são bons, com cirurgiões com vasta experiência em cirurgia em campo. No entanto, estamos preocupados que as pessoas que estão feridas ou precisam de cuidados regulares estejam presas em casa ou em algum outro lugar, com medo de sair por causa dos bombardeios incessantes. Os folhetos distribuídos na terça-feira pelo exército israelense pedindo para as pessoas evacuarem causou enorme pânico. Muitas pessoas saíram para buscar refúgio em algum outro lugar. Os indivíduos dali, que já sofreram com anos com o conflito, estão sob enorme estresse.
Quais são as necessidades médicas mais urgentes?A falta de medicamentos é um problema crônico em Gaza. Lá, eles não possuem sequer 40% dos medicamentos considerados essenciais pela Organização Mundial de Saúde e 65% dos “consumíveis” (soro, agulhas). Nós conseguimos trazer materiais (luvas e curativos) e medicamentos (anestésicos e desinfetantes) para a farmácia central de Gaza via Israel logo após os primeiros bombardeios. A farmácia, então, envia o estoque para 13 hospitais públicos de acordo com as suas necessidades. Existe também um déficit no acompanhamento em Gaza. Nós somos capazes de oferecer suporte nas áreas de cuidado intensivo e pós-operatório.
Vocês estão conseguindo circular pela região?Muito pouco. No momento, nós podemos apenas circular dentro da cidade de Gaza. Nós não podemos ir para o norte ou para o sul do território. Houve um bombardeio na nossa clínica na cidade de Gaza. Uma parte de nossos materiais foi destruída e algumas ambulâncias foram danificadas, assim como os prédios das Nações Unidas e um hospital. Nesta noite, uma das duas principais estradas na faixa de Gaza foi bloqueada. Nós não podemos chegar ao hospital inflável de Khan Younis que nós usamos desde 2011 – ele fica no sul, talvez a 15 quilômetros daqui. Contudo, esse hospital está pronto para ser utilizado como uma área de triagem e um centro cirúrgico para procedimentos secundários.
Você acha que vocês terão que deixar Gaza se a situação piorar?Nós estamos fazendo tudo a nosso alcance para garantir a segurança de nossa equipe. Ficaremos aqui enquanto houver possibilidade, assim como as Nações Unidas e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que também estão presentes na faixa de Gaza. Quanto aos membros palestinos de nossa equipe, eles não poderiam deixar a região, de qualquer forma.
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