Inmaculada, de 48 anos e oriunda de Muidumbe, trabalha como promotora de saúde da MSF no projeto em Mueda, na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique.

MSF conclui operações em Mueda com transição às autoridades

Mantemos o compromisso de dar resposta às necessidades em constante evolução e de prestar assistência médica e humanitária às pessoas em todo o território de Moçambique

Entre 2021 e 2025, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) prestou assistência médica a comunidades deslocadas e residentes nos distritos de Mueda, Nangade e Muidumbe, na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, após um ressurgimento da violência no conflito que começou em 2017.

Mueda, Nangade e Muidumbe receberam um número significativo de pessoas deslocadas – nestas localidades, as equipas da MSF responderam às necessidades médicas e humanitárias e reforçaram o sistema de saúde local. Após quatro anos, com o restabelecimento dos serviços de saúde após o pico da emergência, a MSF encerrou as atividades desenvolvidas nos três distritos, mas alerta que as necessidades humanitárias em Cabo Delgado continuam elevadas.

Em 2021, homens armados ligados a um grupo afiliado ao Estado Islâmico de Moçambique lançaram um ataque à cidade costeira de Palma, a cerca de 100 quilómetros para nordeste de Mueda. Áreas civis, hotéis e bairros residenciais foram atacados, casas foram incendiadas e os residentes fugiram para o mato em redor da cidade. Muitas pessoas ficaram presas, foram feridas ou mortas. A violência provocou uma das maiores deslocações de pessoas em larga escala desde o início do conflito, empurrando milhares para áreas mais seguras. As equipas da MSF responderam rapidamente, prestando cuidados médicos de emergência às pessoas em Palma e às que chegavam às áreas de deslocação em Cabo Delgado.

 

Mulheres e raparigas fazem fila num ponto de abastecimento de água em Mueda, no Norte de Moçambique.
Mulheres e raparigas fazem fila num ponto de abastecimento de água em Mueda, no Norte de Moçambique. © Igor Barbero/MSF, 2021

 

À medida que sucessivas vagas de violência atingiam Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e outros distritos, Mueda tornou-se um refúgio. A cidade absorveu dezenas de milhares de pessoas deslocadas, algumas a chegarem em estado crítico após dias em movimento. As equipas da MSF lançaram clínicas móveis, prestaram cuidados de emergência, forneceram água e apoio em saneamento em locais para onde os deslocados confluiam e disponibilizaram serviços de saúde mental a pessoas que lidavam com o trauma de perdas repentinas e repetidas.

 

Reforço do sistema de saúde

À medida que a situação de segurança em Cabo Delgado melhorou e algumas pessoas deslocadas começaram a regressar a casa, adaptámos as nossas atividades, passando da resposta de emergência para o reforço das instalações de saúde existentes. No Hospital Rural de Mueda, as equipas da MSF forneceram pessoal médico, provisões e apoio técnico para prestar cuidados de emergência, serviços de maternidade, cuidados pediátricos e neonatais, diagnóstico e tratamento de VIH e tuberculose, e serviços de encaminhamento.

Em Nangade e Muidumbe, trabalhámos em centros de saúde que atendem comunidades deslocadas e residentes. As nossas equipas também prestaram formação e reforçaram redes de agentes comunitários e promotores de saúde, fortalecendo a vigilância comunitária e melhorando a continuidade dos cuidados e a deteção de problemas de saúde.

A partir de 2024, conforme a situação continuava a estabilizar-se e as instalações de saúde recomeçavam a funcionar, a MSF iniciou uma transferência gradual para o Ministério da Saúde e parceiros locais. Os esforços centraram-se no reforço das capacidades clínicas e farmacêuticas do pessoal de saúde – que recebeu formação em sistemas de preparação e vigilância para emergências, prestação de cuidados a doenças crónicas e em saúde mental, e encaminhamento de pessoas vítimas de violência baseada no género. Também doámos stocks de material médico essencial para apoiar os serviços de saúde existentes.

 

Uma equipa da MSF distribui artigos de ajuda humanitária a pessoas deslocadas em Mueda.
Uma equipa da MSF distribui artigos de ajuda humanitária a pessoas deslocadas em Mueda. © Igor Barbero/MSF, 2021

 

No entanto, o final de 2025 lembrou-nos que o conflito continua volátil. Novos ataques por parte do grupo armado ativo no Norte de Moçambique e confrontos com forças locais e regionais provocaram novas deslocações de pessoas em toda a região. Mais de 90.000 pessoas fugiram entre o fim de setembro e o final do ano, com cerca de 23.000 a chegarem apenas ao distrito de Mueda até outubro. Muitas pessoas já tinham sido deslocadas várias vezes e algumas viram-se a regressar aos mesmos campos que já tinham abandonado.

Mais uma vez, intensificámos a nossa resposta. Esta nova mudança levou as equipas da MSF a prestar serviços médicos nos campos de Eduardo Mondlane, Nandimba e Lianda, estendendo ao mesmo tempo as nossas atividades a comunidades como Nanili, na fronteira com o distrito de Mocímboa da Praia. Reforçámos as medidas de prevenção e controlo de infeções e facilitámos o encaminhamento de pessoas que necessitavam de cuidados urgentes. As nossas equipas também prestaram serviços de saúde mental alargados para lidar com o impacto psicológico cumulativo das pessoas devido às deslocações cíclicas e à insegurança prolongada.

 

Necessidades humanitárias 

A última crise revela mais uma vez a fragilidade dos serviços de saúde no Norte de Moçambique e os desafios contínuos que as pessoas enfrentam no acesso a cuidados de saúde. Embora as atividades da MSF em Mueda tenham terminado, reconhecemos que as necessidades humanitárias continuam elevadas em Cabo Delgado. O acesso a cuidados de saúde continua a ser limitado, tanto para as pessoas deslocadas como para as comunidades residentes, e o risco de deslocações repentinas persiste sempre que a violência ressurge.

A MSF mantém o compromisso de dar resposta às necessidades em constante evolução e de prestar assistência médica e humanitária às pessoas em todo o território de Moçambique.

 

Atividades da MSF em Mueda:

  • 258.000 consultas em regime de ambulatório
  • 62.083 pessoas tratadas para malária
  • 56.334 pessoas tratadas para infeções respiratórias
  • 11.145 pessoas tratadas para doenças diarreicas
  • 20.369 consultas hospitalares
  • 32.933 encaminhamentos médicos
  • 12.268 partos assistidos
  • 7675 consultas de saúde sexual e reprodutiva
  • 7436 consultas individuais de saúde mental
  • 208.300 participações em atividades de saúde mental em grupo

 

A MSF continua a prestar serviços de saúde vitais às comunidades de acolhimento e às pessoas que enfrentam violência e deslocações no Norte de Moçambique. Em Cabo Delgado, a MSF realiza projetos em Mocímboa da Praia, Macomia e Palma. Prestamos consultas gerais em regime de ambulatório, atendimento de emergência, serviços de maternidade e pediatria, tratamento para o VIH e a tuberculose, além de apoio em saúde mental e psicossocial. Em Nampula, estamos a realizar uma ação de emergência no distrito de Érati e a apoiar o Ministério da Saúde no tratamento de um surto de cólera em Nacala.

 

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