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Em contraposição ao otimismo manifestado por representantes internacionais, a organização humanitária defende que, se não houver acesso a tratamento contra o HIV, não será possível erradicar a Aids
Terminada a XIX Conferência Internacional de Aids, que aconteceu de 22 a 27 de julho, os países desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos, registraram mensagens de otimismo quanto à erradicação da Aids e a uma próxima geração livre da doença. A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), no entanto, mantém o posicionamento realista no que diz respeito à preocupação com o acesso ao tratamento por parte das populações de países pobres e em desenvolvimento. Foi uma semana movimentada em Washington, nos Estados Unidos. Organizações Não Governamentais (ONGs), representantes do setor privado e cerca de 24 mil delegados de 83 países estiveram presentes na conferência, que acontece a cada dois anos. Felipe Carvalho, representante de MSF-Brasil no evento, atua na área de Campanha de Acesso a Medicamentos e fala sobre a participação da organização na conferência. “A contribuição de MSF é extremamente significativa porque lidamos com a realidade enfrentada por pessoas que vivem com o HIV em 23 países. Nossa preocupação é batalhar por formas de garantir o acesso ao tratamento, que se prova essencial à sobrevivência dessas pessoas e mais eficaz quanto antes for iniciado”, conta Felipe. Durante a conferência, MSF lançou quatro relatórios: dois sobre a atuação da organização em campo, que trata atualmente cerca de 220 mil pacientes à base de antirretrovirais, adaptando a abordagem de seus programas ao contexto encontrado em cada localidade; um sobre os custos do tratamento contra HIV/Aids, atualizado periodicamente; e um sobre as políticas adotadas em relação ao acesso a tratamento em 23 países, realizado em parceria com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS). Enquanto as ruas de Washington foram tomadas por manifestações, um dos momentos de maior inquietação no Centro de Convenções de Washington foi o pronunciamento do Diretor do Fundo Global de Combate a Aids, Tuberculose e Malária, Gabriel Jaramillo, que discursou sobre a reformulação das políticas de financiamento do fundo. Temendo que tal reformulação apresente ainda mais obstáculos ao repasse de recursos do fundo para países mais pobres, ativistas reagiram em protesto. Segundo Felipe, MSF compartilha da visão otimista dos participantes da conferência de que é possível erradicar a Aids no mundo, desde que haja comprometimento. “Em mais essa oportunidade, faltou um entendimento sobre o caminho a ser seguido e sobre as providências a serem tomadas para alcançar a meta das 15 milhões de pessoas em tratamento até 2015. A possibilidade de reverter a epidemia existe, mas exige um comprometimento efetivo da comunidade internacional. Se o ritmo da oferta de tratamento e de financiamento continuar o mesmo dos últimos anos, não vamos alcançar o resultado esperado”, conclui.
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