MSF responde a necessidades médicas e prepara expansão das atividades no Sudão

Os intensos combates no país continuam a dificultar o trabalho humanitário

Conflito no Sudão
© MSF/Ali Shukur, 2023

A violência continua a afetar muitas regiões do Sudão. As equipas da Médicos Sem Fronteiras (MSF) a trabalhar no país relatam que os hospitais estão sobrecarregados e que milhares de pessoas estão a fugir para áreas consideradas mais seguras, numa altura em que surgem imensas necessidades médicas e humanitárias.

“Durante uma pausa nos conflitos, a MSF conseguiu doar provisões médicas a uma instalação de saúde no domingo, dia 23 de abril. Estamos em contacto próximo com hospitais, autoridades e associações médicas sudanesas para tentar fornecer ainda mais unidades de saúde na capital. No entanto, os combates continuam a tornar esse trabalho praticamente impossível”, frisa o diretor-geral da MSF no Sudão, Ghazali Babiker.

O hospital onde a MSF presta apoio em El Fasher tem recebido um grande número de feridos, e é nesta altura a única estrutura de saúde operacional na cidade. As equipas da MSF trabalham dia e noite para providenciar cuidados médicos aos pacientes – até à última contagem, 404 pessoas tinham conseguido chegar ao hospital em busca de tratamento.

Milhares de pessoas fugiram de Cartum para Wad Madani. As equipas da MSF, incluindo os profissionais que trabalham em Cartum e no projeto da organização em Damazin, estão a avaliar como podem começar a responder às necessidades de forma adequada nestas regiões.

As instalações apoiadas pela MSF continuam igualmente a providenciar tratamento a pacientes em Damazin, no estado do Nilo Azul, Omdurman, estado de Cartum, nas cidades de Kreinik e El Geneina, no Darfur Ocidental, Rokero, no estado de Darfur Central e Um Rakuba, no estado de Gadarife, no Leste do país. A MSF mantém o compromisso de prestar cuidados de saúde extremamente necessários no Sudão, especialmente durante estes momentos de grande dificuldade. Contudo, para fazê-lo, é necessário garantir a segurança dos profissionais da organização e dos pacientes.

“Temos equipas da MSF com experiência nestes contextos prontas para entrar no Sudão assim que possível, para reforçar as nossas atividades. Além disso, outras equipas estão atualmente a preparar e a identificar as melhores maneiras de enviar provisões médicas e humanitárias para o país”, avança a vice-diretora de operações da MSF, Kate Nolan.

Depois de terem passado mais de uma semana abrigadas devido aos intensos combates, algumas equipas da MSF conseguiram deslocar-se para regiões mais seguras, ao mesmo tempo que se preparam planos para outras saírem do país. Uma parte das equipas também foi deslocada com as famílias para outras áreas, juntando-se muitas vezes a outros familiares. Sempre que possível, a MSF mantém-se em contacto próximo com todos os profissionais da organização. A segurança é uma prioridade, e a MSF agradece o apoio que tem recebido para deslocar as equipas de maneira segura.

“Instamos todas as partes em conflito a respeitarem o direito internacional humanitário, que as obriga a garantir a segurança de profissionais médicos e das instalações de saúde, a permitir a deslocação segura das equipas da MSF, ambulâncias e civis em busca de cuidados médicos, e a facilitar a movimentação dos trabalhadores humanitários”, sublinha o responsável pelas operações da MSF no Sudão, Abubakr Bashir Bakri.

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