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A MSF trabalhou em estreita colaboração com as autoridades de saúde locais para ajudar a restabelecer os serviços de saúde em Daraya, uma vila na zona rural de Damasco
No final de 2024, várias famílias na Síria começaram a regressar a locais que não viam há anos devido à guerra. Para muitas pessoas, a jornada de regresso a vilas como Daraya, na zona rural de Damasco, aconteceu após anos de deslocação, passados a circular entre abrigos temporários, cidades sobrelotadas e acampamentos informais à procura de segurança. Regressar raramente foi uma decisão simples, sendo antes motivada pela exaustão, pela escassez de opções e pela esperança de reconstruir as suas vidas.
Em Daraya, as pessoas que regressaram encontraram uma vila que mal se assemelhava ao local que conheciam. Bairros inteiros estavam reduzidos a escombros, as casas encontravam-se abertas para o céu, com as paredes enegrecidas pelo fogo e bens desaparecidos há muito tempo. Ruas que antes transbordavam de vida estavam agora silenciosas e os serviços essenciais já não funcionavam.
Regressámos porque não havia mais nenhum sítio para onde ir. Mas recomeçar desta forma é mais difícil do que imaginávamos. Emad – pai de um paciente pediátrico.
Regressámos porque não havia mais nenhum sítio para onde ir. Mas recomeçar desta forma é mais difícil do que imaginávamos.
Emad – pai de um paciente pediátrico.
Para as famílias que tentam recomeçar, a falta de cuidados de saúde era especialmente alarmante. Anos de destruição e negligência tornaram as instalações médicas inutilizáveis. Após enfrentarem deslocações prolongadas e a interrupção de tratamentos, regressar a uma vila sem serviços de saúde operacionais significava enfrentar novos riscos, num momento em que os recursos já eram escassos.
À medida que Daraya se tornou acessível, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) avaliou as necessidades das famílias que regressavam. O acesso aos cuidados de saúde surgiu como uma prioridade crítica. Muitas destas pessoas tinham passado anos sem cuidados médicos fiáveis, a gerir doenças, gravidezes e urgências sozinhas ou a percorrer longas distâncias para obter ajuda.
Ao longo dos oito meses seguintes, a MSF trabalhou em estreita colaboração com a Direção de Saúde para ajudar a restabelecer os serviços de saúde em Daraya. O Centro de Cuidados de Saúde Primários de Daraya foi reabilitado e foi criada uma sala de urgência totalmente equipada. A MSF preencheu lacunas no fornecimento de medicamentos e material médico, equipamento de diagnóstico e recursos humanos, de modo a permitir a prestação de serviços abrangentes de cuidados de saúde primários.
Quem vive em Daraya passou a ter algo que não via há muito tempo: um local perto de casa onde os pais podem levar uma criança doente, onde uma pessoa com uma doença crónica pode receber cuidados regulares, ou uma mulher grávida pode ter uma consulta, e onde uma pessoa ferida pode receber assistência de urgência. O objetivo da MSF era garantir que estes serviços pudessem ser mantidos pela Direção de Saúde após a saída da organização.
Os esforços da MSF em Daraya foram além do tratamento de doenças. A equipa trabalhou em estrita colaboração com a Direção de Saúde para restabelecer os serviços e dar resposta a necessidades de saúde frequentemente negligenciadas durante o conflito, especialmente no caso das mulheres e das raparigas.
Reforçámos os serviços de saúde sexual e reprodutiva para prestar cuidados durante e após a gravidez, planeamento familiar e apoio a pessoas sobreviventes de violência baseada no género.
“O nosso objetivo era garantir que as mulheres e raparigas pudessem aceder a cuidados de saúde com segurança e dignidade, mesmo após anos de interrupção”, explica o coordenador de projeto da MSF, Ghetnet Elias, no Centro de Cuidados de Saúde Primários de Daraya, em Damasco Rural e províncias do Sul.
Para mulheres como Moneera, de 69 anos, o restabelecimento dos serviços trouxe alívio: “Finalmente posso vir aqui fazer as minhas consultas de rotina e saber que os meus filhos também serão assistidos.”
Num contexto marcado pela perda e pela pobreza, estes serviços ajudaram a devolver a dignidade, a segurança e a capacidade de escolha.
Os cuidados de saúde mental foram uma componente fundamental na resposta da MSF. Anos de violência, deslocação e incerteza deixaram feridas psicológicas em muitas das pessoas residentes. O Centro de Cuidados de Saúde Primários oferece aconselhamento e apoio psicossocial, ao proporcionar um espaço seguro para que indivíduos e famílias partilhem as suas experiências, encontrem formas de lidar com o stresse e a perda, e iniciem o processo de recuperação.
Em Daraya, os cuidados de saúde mental são mais do que apenas um tratamento, trata-se de oferecer um apoio vital a quem tanto perdeu. Marion Robinson – responsável de atividades de saúde mental da MSF.
Em Daraya, os cuidados de saúde mental são mais do que apenas um tratamento, trata-se de oferecer um apoio vital a quem tanto perdeu.
Marion Robinson – responsável de atividades de saúde mental da MSF.
“O meu papel é orientar a minha equipa no sentido de ajudar as pessoas não só a recuperarem, mas também a encontrarem um caminho de regresso a si próprias e às suas comunidades, de modo a reconstruir a esperança onde esta parecia perdida”, frisa Marion Robinson.
Para pacientes que necessitavam de tratamento avançado, a nossa equipa colaborou com a Direção de Saúde para estabelecer circuitos de referenciação para hospitais em Damasco. Esta medida garantiu o acesso atempado a cuidados especializados, ao mesmo tempo que reforçou os protocolos e os sistemas de saúde locais.
Restaurar os cuidados de saúde no Centro de Cuidados de Saúde Primários de Daraya não se resumiu à reabertura das instalações, mas sim à reconstrução da confiança. A MSF trabalhou em conjunto com a Direção de Saúde para reforçar as medidas de prevenção e controlo de infeções, melhorar os sistemas de água e saneamento e consolidar os padrões de segurança dos pacientes. Os profissionais de saúde locais receberam formação prática e apoio contínuo, o que ajudou a restabelecer a confiança em serviços que estiveram ausentes ou foram pouco fiáveis durante anos.
As atividades de sensibilização comunitária também desempenharam um papel fundamental. À medida que os serviços estabilizaram, mais pacientes começaram a visitar o centro, não apenas para urgências, mas para consultas de rotina, acompanhamento e cuidados preventivos. Esta confiança renovada refletiu um esforço conjunto e o compromisso partilhado entre a MSF e a Direção de Saúde em prestar cuidados respeitosos e fiáveis. Durante o período do projeto, as clínicas do centro prestaram assistência a mais de 30.000 pacientes.
Desde o início, a MSF delineou a resposta em Daraya em estreita coordenação com a Direção de Saúde, com um foco claro no reforço da capacidade local e na garantia da sustentabilidade. No final da resposta de oito meses, o Centro de Cuidados de Saúde Primários e a sala de urgência estavam totalmente operacionais, com o apoio de profissionais formados, circuitos de referenciação estabelecidos e protocolos de segurança melhorados.
À medida que outros intervenientes na área da saúde retomaram as suas atividades em Daraya, a MSF preparou uma transição gradual de responsabilidades, incluindo formação, mentoria e orientação técnica, para assegurar a continuidade dos serviços. Esta colaboração demonstrou como as organizações humanitárias e as autoridades de saúde locais podem trabalhar em conjunto para ultrapassar fases de recuperação e lançar as bases para uma assistência de gestão local.
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