A Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.
Como organização médica, buscamos sempre oferecer o melhor tratamento disponível aos nossos pacientes. O trabalho de MSF envolve uma grande variedade de atividades, desde a organização de campanhas…
Veja as principais atualidades sobre as atividades da Médicos Sem Fronteiras.
Saiba mais sobre os nossos projetos no terreno e as nossas atividades em todo o mundo.
Assista aos vídeos sobre o trabalho da Médicos Sem Fronteiras em diversos projetos pelo mundo.
Ouça as histórias e as experiências vividas por quem está nas linhas da frente das emergências humanitárias.
O que vemos e registamos sobre o trabalho das nossas equipas e as populações que apoiamos.
Participe nos nossos eventos, online ou presenciais, para apoiar e saber mais sobre o nosso trabalho.
Profissionais portugueses contam as experiências nos diversos projetos da MSF.
Pode ajudar a MSF de várias formas, fazendo donativos, divulgando o trabalho e angariando fundos para a concretização dos projetos.
O seu donativo faz a diferença, ajuda-nos a levar cuidados médicos a quem mais precisa.
Faça a consignação do seu IRS à Médicos Sem Fronteiras e ajude-nos a salvar vidas!
A MSF depende inteiramente de donativos privados para fazer chegar assistência médica-humanitária a quem mais precisa.
Procuramos novas formas de chegar a cada vez mais pessoas, com o objetivo de envolvê-las com a nossa missão.
Faça do seu testamento, um testamento solidário incluindo a Médicos Sem Fronteiras.
A sua empresa pode fazer a diferença. Juntos podemos fazer ainda mais.
Se tem uma multa ou uma contra-ordenação, saiba que pode fazer o pagamento à Médicos Sem Fronteiras Portugal.
Enfermeiro ugandense infectado pelo vírus no surto de 2007 conta sua história de sobrevivência
Embora o Ebola tenha matado cerca de 1.500 pessoas desde que foi identificado pela primeira vez, em 1976, o vírus permanece intrinsecamente ligado a histórias de horror de ficção científica contadas em filmes e livros. Um enfermeiro ugandense, Kiiza Isaac, parece determinado a colocar um fim nos estereótipos e passar uma impressão de normalidade a essa febre hemorrágica sem cura, mas a que muitos sobrevivem. Em 2007, ele foi infectado por Ebola em seu distrito, Bundibugyo (oeste de Uganda). Mas não só ele sobreviveu para contar sua história como está atualmente no distrito vizinho de Kibaale, onde outro surto da doença foi declarado no final de julho, para ajudar os pacientes que passam pela mesma situação e sofrimento vividos por ele.
Por vezes é necessário algum tempo para identificar surtos de Ebola, porque os sintomas podem ser bastante similares aos de outras doenças. Como se deu o início do surto de Bundibugyo?Em agosto de 2007, uma doença estranha foi identificada em Bundibugyo. As mortes na comunidade começaram a aumentar e as pessoas procuravam centros de saúde com febres altas, dores abdominais, vômito, diarreia e fadiga. Elas não respondiam ao tratamento contra malária.
O que você fazia naquela época?Estava trabalhando como enfermeiro no centro de saúde de Kikyo, no distrito de Bundibugyo. Foi então que o Ministério da Saúde foi informado sobre uma doença estranha na região. Os epidemiologistas deles foram até o centro de saúde e nos orientaram a levar os pacientes a hospitais.
Qual foi a reação das pessoas?A comunidade não sabia o que estava acontecendo; para eles, as pessoas infectadas estavam enfeitiçadas. Essa percepção se estendeu até outubro, quando 18 pessoas foram internadas no centro de saúde de Kikyo.
E você esteve em contato com os pacientes?Eu estava colhendo amostras de sangue deles. Eu fui infectado pelo vírus porque nós não tínhamos equipamentos de proteção suficientes para usar. Mas naquele tempo eu não sabia. Comecei a apresentar os mesmos sintomas dos pacientes. Amostras de meu sangue foram coletadas, mas o teste para malária foi negativo. Eu tinha uma febre persistente e fiquei doente por três semanas. No dia 19 de novembro, recebi a confirmação do laboratório: eu estava com Ebola. Era uma nova tipologia da doença, não era o tipo Sudão, nem Zaire… O meu tipo de Ebola foi nomeado como Ebola-Bundibugyo.
Como foram aquelas semanas difíceis?Equipes de MSF vieram a Bundibugyo e ficaram à frente de um centro de tratamento como este aqui em Kagadi. Muitos pacientes receberam cuidados no centro de tratamento de MSF. Graças a Deus, eu sobrevivi. Depois de me recuperar, juntei-me a MSF e ao Ministério da Saúde para lidar com pacientes de Ebola até o dia 2 de fevereiro de 2008, quando Bundibugyo foi declarada livre de Ebola.
E sua família? Como o vírus é transmitido pelo contato próximo (fluidos corpóreos) e você não sabia que estava infectado no início, eles estavam correndo o risco de pegarem o vírus…
Eu era o chefe de família e minha infecção ainda não estava confirmada. Três de meus filhos, além de mim, foram infectados por Ebola. Todos sobrevivemos. Mas um primo, que foi também enfermeiro em Kikyo e estava cuidando de mim, também contraiu o vírus. Ele foi levado às pressas para o hospital e morreu no dia 3 de novembro, antes da confirmação de meus resultados.
Como sua vida mudou depois dessa experiência?Quando me recuperei, continuei tratando outros e providenciando suporte psicossocial até que o distrito fosse declarado livre de Ebola. Estou, atualmente, trabalhando no hospital de Bundibugyo como enfermeiro. Quando o surto foi declarado em Kabaale, no final de julho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu ao distrito que enviasse uma equipe de sete pessoas que já tivessem trabalhado no centro de isolamento em 2007. Então, estou ajudando o Ministério da Saúde e a OMS.
O que os pacientes podem aprender a partir de sua história? Não é complicado evitar o estigma?Dizemos aos pacientes que essa é uma doença, que não tem nada a ver com bruxaria. Eles não devem ter medo. Quando há um surto, as pessoas precisam apenas evitar o contato com fluidos corpóreos. E, caso se recuperem, depois de 21 dias já não são mais pacientes e estão livres do Ebola. As pessoas não devem temer o estigma; podem levar a vida normalmente.
Como a maioria dos websites, o nosso website coloca cookies – um pequeno ficheiro de texto – no browser do seu computador. Os cookies ajudam-nos a fazer o website funcionar como esperado, a recolher informações sobre a forma como utiliza o nosso website e a analisar o tráfego do site. Para mais informações, consulte a nossa Política de Cookies.