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Três dos cinco pacientes hospitalizados após o ataque não resistiram na noite de ontem. Eles já foram admitidos em condições extremamente críticas
No fim da noite de ontem, segunda-feira, três dos cinco pacientes hospitalizados após o ataque que atingiu o hospital de Abs, apoiado pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) no nordeste do Iêmen, morreram, aumentando o número de mortos de 11 para 14 pessoas, de acordo com as últimas informações obtidas pelas equipes em Hajjah.A equipe médica fez tudo o que foi possível pelos pacientes, mas eles já chegaram ao hospital para o qual foram transferidos em condições extremamente críticas. Entre os mortos está Abdul Kareem al Hakeemi, profissional de MSF que morreu em decorrências de ferimentos causados pelo ataque aéreo. O número de feridos identificados por MSF também aumentou, de pelo menos 19 para 24. Os feridos estão em diferentes centros de saúde na região e MSF está monitorando sua condição.
No momento do ataque aéreo, o hospital estava lotando de pacientes que se recuperavam de cirurgias, mulheres que haviam dado à luz, recém-nascidos e crianças. “MSF retirou todos os pacientes e equipes, mas, com o fechamento desse hospital que servia a toda a região, a comunidade ficou sem acesso a serviços médicos em momento em que eles são mais necessários”, disse Juan Prieto, coordenador de MSF no Iêmen. Médicos Sem Fronteiras ainda está avaliando os danos ao hospital de Abs e fará sua própria investigação própria sobre o ataque.
Foi o quarto ataque a um hospital apoiado por MSF no Iêmen nos últimos 12 meses. “Depois de cada ataque, MSF recebeu garantias de atores do conflito, com promessas de que não aconteceria de novo”, disse Teresa Sancristóval, gestora da Unidade de Emergência de MSF no Iêmen. “Não queremos palavras, cortesias, promessas que não são cumpridas. O que precisamos ver são provas da intenção e um compromisso de que não haverá mais ataques aéreos a instalações médicas, equipes de saúde e pacientes.”
“Esse novo incidente mostra que não há medidas efetivas para garantir que os hospitais não sejam mais uma vítima da guerra. MSF compartilhou as coordenadas geográficas e informações relacionadas a todas as suas instalações no Iêmen com todas as partes do conflito, o que não impediu que tivéssemos sido atingidos várias vezes. Se os atuais protocolos militares estão levando a ‘erros’, então esses protocolos têm que ser modificados, porque estão destruindo instalações médicas em pleno funcionamento, além de equipes e pacientes”, afirmou Teresa.
O hospital de Abs era a principal instalação médica em funcionamento na parte ocidental da província de Hajjah. O hospital tratou 4.611 pacientes desde que MSF começou a apoiá-lo, em julho de 2015. O hospital tinha uma sala de emergências com 14 leitos, uma maternidade e um centro cirúrgico. Nas últimas semanas, o hospital registrou um aumento do número de pacientes feridos, a maioria vítimas de confrontos recentes e de bombardeios na região. No momento do ataque, havia 23 pacientes se recuperando de cirurgias, 25 na maternidade, incluindo 13 recém-nascidos, e 12 na pediatria.
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