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Médicos Sem Fronteiras lança no Brasil o documento ‘Desequilíbrio Fatal’
Nenhum novo medicamento vem sendo desenvolvido para doenças que afetam os mais pobres. É o que aponta o documento ‘Desequilíbrio Fatal’, lançado no Brasil, no dia dois de maio, na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), na Fiocruz, elaborado pela Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais de Médicos Sem Fronteiras e pelo Grupo de Trabalho para Doenças Negligenciadas (DND). O lançamento contou com conferência de Els Torreele e de Yves Champey de MSF.
Além dos representantes da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, a mesa foi composta pelo Prof. Jorge Bermudez, diretor da ENSP, pela Dra. Eloan dos Santos Pinheiro, diretora de FarManguinhos, ambos membros do DND, e representando a Presidência da Fiocruz, o Prof. Paulo Gadelha, Vice-Presidente de Desenvolvimento Institucional, Informação e Comunicação da Fiocruz.
O documento ‘Desequilíbrio Fatal’ aborda a crise em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de medicamentos para as doenças negligenciadas, que atingem principalmente os países em desenvolvimento. Esses países, que representam 80% da população mundial, mas apenas 20% do mercado de medicamentos, não têm se beneficiado da P&D dos últimos 25 anos. Como conclusão, o documento traz uma série de recomendações de medidas para sair do impasse, que podem ser adotadas global ou localmente. Entre elas a formulação do DNDi, uma entidade sem fins lucrativos capaz de coordenar ao nível internacional o desenvolvimento de novos remédios. Els Torreele e Yves Champey são também diretores desta iniciativa.
O ponto principal abordado por Els Torreele durante sua explanação foi a necessidade de desenvolver estratégias para tratar especificamente doenças ‘negligenciadas’ e ‘extremamente negligenciadas’. As doenças ‘negligenciadas’, como a malária e a tuberculose, embora afetem indivíduos em países ricos, afligem primordialmente as populações dos países em desenvolvimento. Já as doenças ‘extremamente negligenciadas’, como a doença do sono e a de Chagas, afetam exclusivamente países em desenvolvimento. Como a maioria desses pacientes é pobre demais para pagar qualquer tratamento, eles não representam praticamente nenhum mercado e a maioria fica excluída do escopo dos esforços de pesquisa e desenvolvimento da indústria de remédios e, portanto, fora do mercado farmacêutico.
A Iniciativa para Drogas para Doenças Negligenciadas (DNDi), que propõe contribuir com o desenvolvimento de novas substâncias, foi o assunto abordado por Yves Champey. O DNDi, entidade sem fins lucrativos, estuda as causas e propõe soluções para a crise de P&D, além de defender o engajamento ativo e o apoio financeiro de governos, empresas privadas, fundações e organizações internacionais para compensar a falha do mercado no fornecimento de drogas para doenças ‘negligenciadas’ e ‘extremamente negligenciadas’. O Grupo de Trabalho também financia e gerencia projetos-piloto de desenvolvimento de remédios.
Para receber o documento 'Desequilíbrio Fatal' mande um e-mail para info@msf.org.br solicitando envio de material.
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