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Profissionais de MSF enfatizam que as operações de busca e resgate, apesar de essenciais, não cobrem a lacuna de alternativas seguras e legais para chegar à Europa
Equipes de busca e resgate da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) a bordo dos navios Bourbon Argos, Dignitiy I e Aquarius (neste em parceria com a organização SOS Mediterranée) resgataram hoje aproximadamente 2 mil homens, mulheres e crianças de 11 botes em menos de sete horas. Muitos dos resgates foram realizados em circunstâncias dramáticas, com alguns pacientes precisando ser transferidos de helicóptero para a Itália, no continente. Tragicamente, uma jovem que estava grávida faleceu após ser resgatada pela equipe do Dignity I, antes de poder ser transferida para o continente.
“Quando chegamos para o nosso segundo resgate, na manhã de hoje, havia pessoas na água, algumas muito perto de se afogarem. Era uma cena terrível”, disse Nicolas Papachrysostomou, coordenador do Dignity I. “As pessoas estavam assustadas e muitas delas sofreram queimaduras provocadas por combustível, particularmente mulheres e as crianças. Infelizmente, conforme preparávamos as transferências, nossa paciente em estado mais crítico, uma jovem grávida, morreu. É inaceitável que em 2016 essas pessoas sejam deixadas sem escolha a não ser fazer essa jornada tão mortal e dramática.”
Os resgates intensos de hoje vieram logo após o retorno às operações do Bourbon Argos, que estava parado desde o dia 17 de agosto, quando foi envolvido em um incidente com a guarda costeira líbia. O navio de 60 metros se ocupou, hoje, de oito resgates distintos, recebendo um total de 1.019 pessoas a bordo. Ao mesmo tempo, o Aquarius resgatou o número espantoso de 720 pessoas de um único bote de madeira superlotado. Os pacientes a bordo do Bourbon Argos e do Aquarius se encontram estáveis, mas as equipes médicas estão cuidando de muitas pessoas que sofrem de doenças não fatais. A equipe do Aquarius registrou uma situação nutricional preocupante entre os resgatados, majoritariamente eritreus. Outras 213 pessoas foram resgatadas por equipes do Dignity I.
“Na ausência de alternativas seguras e legais para jornadas de barco tão perigosas, as pessoas continuam morrendo às centenas no mar Mediterrâneo”, diz Tommaso Dabbri, coordenador-geral de MSF na Itália. “Ainda que as operações de busca e resgate continuem sendo uma resposta insuficiente a essa tragédia, o dia de hoje mostra o quanto o trabalho de organizações humanitárias e independentes como a nossa é necessário no Mediterrâneo Central. Mas sejamos claros: busca e resgate não são o bastante; as pessoas precisam, urgentemente, de rotas seguras e legais para chegar à Europa. É o único meio de acabar com as mortes no mar.”
Desde 21 de abril, quando as operações de busca e resgate de MSF de 2016 começaram, o Dignity I, o Bourbon Argos e o Aquarius resgataram um total de 14.547 pessoas em mais de 100 operações de resgate, enquanto pelo menos 3.230 pessoas morreram no que se tornou a rota migratória mais mortal do mundo. MSF continua enfatizando que, ainda que as operações de busca e resgate sejam vitais e essenciais, a única forma de realmente acabar com as mortes no mar é oferecendo alternativas seguras e legais a travessias marítimas perigosas.
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