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A partir desta quinta-feira, o médico Sérgio Cabral falará sobre sua primeira missão com MSF em novo Diário de Bordo
Solidariedade é uma palavra que desde cedo faz parte do vocabulário do médico Sérgio Henrique de Castro Cabral. Nascido em Bom Despacho, Minas Gerais, ele conta que sua família nunca foi abastada, mas sempre gostou de ajudar o próximo. "Desde pequeno minha casa era centro de referência para pedintes, loucos de rua e outros buscarem comida ou outro tipo de ajuda. Isso fez nascer em mim o desejo de fazer trabalhos na magnitude do que estou fazendo agora com Médicos Sem Fronteiras (MSF)", conta o pediatra, de 41 anos.
Cabral está desde outubro em Juba, capital do Sul do Sudão, trabalhando em seu primeiro projeto com MSF. A partir desta quinta-feira, ele contará um pouco de como é levar cuidados de saúde à população de um país em situação de pós-conflito.
Seu primeiro grande desafio foi ajudar a implementar uma campanha de vacinação contra o sarampo, uma doença que ainda mata muitas pessoas no país. "Apesar de estarmos na região para uma campanha de vacinação, passo grande parte do tempo fazendo consultas. São pneumonias, artroses, abscessos que tenho que drenar, escabiose, feridas infectadas, malária, entre outros casos", conta o médico.
Formado em Medicina pela Universidade de Camaguey, em Cuba, Cabral especializou-se em Pediatria e Cardiologia Infantil. O médico tem ainda um mestrado em Psicopedagogia (Educação). Há tempos pensava em entrar para MSF, mas só realizou seu sonho este ano. "Eu tinha enviado meu currículo para organização há alguns anos. Eu cheguei a ser chamado a participar do recrutamento, mas para isso teria de ir para a Europa por conta própria, o que não pude fazer na época. Recentemente, soube que MSF Brasil está procurando médicos brasileiros e me candidatei", conta.
Antes de entrar para a organização, Cabral atuou como pediatra em Brasília e em Minas Gerais. "Trabalhei no norte de Minas, que é uma região de muita pobreza, o que me ajudou muito a amadurecer profissional e pessoalmente", diz. Engajado, ajudou a fundar a Brigada Internacional de Trabalho Amigos de Cuba, que todos os anos leva estudantes estrangeiros para fazerem trabalhos voluntários no país.
O pediatra deve ficar por dois meses no Sul do Sudão. Em seguida, Sérgio Cabral pretende trabalhar em outro projeto de MSF, mas provavelmente na Somália.
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