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Número de pessoas que não recebem qualquer assistência na cidade é superior ao de Mossul
Por Hakim Khaldi, coordenador de emergência de MSF para Iraque, Síria e Iêmen
No dia 6 de junho, as Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla em inglês) lançaram uma ofensiva com apoio de coalizões internacionais pelo controle da cidade de Raqqa, suposta capital do grupo autoproclamado Estado Islâmico (EI) na Síria. O confronto é extremamente agressivo, mas nenhuma assistência foi fornecida para a evacuação da população civil. Pessoas feridas enfrentam grandes dificuldades para chegar a um número limitado de instalações médicas, relata Hakim Khaldi, coordenador de emergências de MSF que recentemente esteve nas cidades de Mossul e Raqqa.
A região do norte da Síria é o cenário de uma das maiores batalhas conduzidas contra o grupo autoproclamado Estado Islâmico. Iniciada há oito meses, a operação “Campanha de Raqqa” foi planejada com antecedência. Ataques aéreos e confrontos em terra são intensos, e ninguém duvida que milhares de civis estejam presos na cidade de Raqqa.
Muito pouco está sendo feito para dar assistência à população civil. O principal acampamento oficial oferece abrigo a apenas 8 mil das 190 mil pessoas deslocadas da província de Raqqa, enquanto as demais são abandonadas à própria sorte e devem cuidar de si mesmas, sendo forçadas a encontrar abrigo em residências locais ou acampamentos informais – que fornecem serviços inadequados – ou a dormir nas ruas. As SDF, principais forças presentes no local, abriram uma instalação médica no oeste de Raqqa, mas a prioridade de atendimento é dos soldados e o hospital geral da cidade, tomado pelas SDF no início da ofensiva, não está mais em funcionamento.
Médicos Sem Fronteiras (MSF) fornece suporte a instalações de saúde em Kobane e Tal Abyad, ambas a duas horas e meia de distância da frente de batalha. A organização humanitária também instalou um centro de estabilização de feridos no norte de Raqqa, além de uma rede de ambulâncias. Contudo, pouquíssimas pessoas feridas conseguem de fato chegar a essas instalações.
Desde o início da ofensiva, que foi lançada com apoio de intensos ataques aéreos de uma coalizão internacional, a maioria dos poucos centros de estabilização instalados nas estradas que levam para fora de Raqqa parecem ter sido planejados para tratar soldados. A administração curda, seus apoiadores ocidentais e algumas organizações internacionais parecem ter excluído os civis dessa equação exclusivamente militar.
Quantos civis ainda estão na cidade? De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), entre 30 mil e 50 mil, mas isso é uma estimativa. O que sabemos é que apenas pequenos grupos de pessoas conseguiram fugir desde o início da ofensiva pelo controle da cidade. Conforme soldados do EI perdem terreno e poder, eles forçam civis a recuarem para poderem usá-los como escudo humano. Os que continuam em Raqqa estão, em sua maioria, na parte antiga da cidade, região mais afetada pelos ataques aéreos e confrontos.
O hospital de MSF em Kobane tratou 64 pessoas com ferimentos de guerra desde junho; 90% delas apresentavam ferimentos por minas, que ocorreram enquanto elas tentavam fugir e encontrar segurança. A maioria dessas pessoas são das áreas nos arredores de Raqqa, e não da cidade em si. Vemos um número pequeno de vítimas da ofensiva dentro de Raqqa, apesar dos confrontos intensos, mas há exceções ocasionais. No início de julho, dois irmãos de 3 e 7 anos de idade foram hospitalizados após serem feridos por atiradores do EI enquanto tentavam fugir da cidade. Eles ainda estão em estado de choque. Sobreviventes de ataques aéreos e da onda de terror do EI terão que superar, assim como os dois irmãos, o trauma de viver sob cerco.
O contraste entre a intensidade dos ataques aéreos nessa pequena região da cidade fechada e as poucas vítimas de ferimentos tratadas por nossas equipes nos faz pensar na etapa final da batalha pelo controle de Mossul, cidade recentemente tomada pelo exército iraquiano. O ataque na parte oeste de Mossul foi tão agressivo que um terço da parte antiga da cidade foi totalmente destruído e o número de corpos retirados dos escombros continua sendo contabilizado.
Contudo, qualquer comparação entre Mossul e Raqqa termina por aqui. Em Mossul, pessoas deslocadas recebiam assistência e instalações médicas eram instaladas rapidamente; por outro lado, no caso de Raqqa, tais medidas não foram sequer consideradas. Além disso, o comando da coalizão pouco tem feito para nos dar suporte quando declara, por exemplo, que navios que tentarem fugir pelo rio Eufrates serão alvo de tiros.
A verdade é que hoje, assim como no passado, civis encurralados em áreas sob controle do Estado Islâmico na Síria e no Iraque estão sendo abandonados à sua própria sorte.
¹ “A coalizão já destruiu as duas pontes ao sul de Mossul, que ficam na margem norte do rio Eufrates. A coalizão também ajudou as forças a tomarem o controle de duas barragens próximas. “E atiramos em qualquer barco que encontramos”, disse o general Stephen J. Townsend, o comandante americano da força de coalizão que luta contra os militantes. “Se você quer sair de Raqqa agora, você tem que construir uma jangada.” (New York Times)
Este artigo foi publicado originalmente no jornal Le Monde.
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