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Milhares de famílias caminham mais de 250 quilômetros a pé em direção à região da fronteira com o Sudão; muitos chegam doentes e já há relatos de morte
Nas últimas duas semanas, sul-sudaneses que vivem no acampamento de pessoas deslocadas internamente em Aburoc começaram a se espalhar pela fronteira com o Sudão. Muitos chegam à fronteira gravemente desidratados e com necessidade de cuidados médicos de emergência.
Conforme a crise se dissemina no antigo estado Upper Nile, mais de 20 mil sul-sudaneses fogem das condições de vida terríveis e do conflito na região do acampamento de deslocados de Aburoc para os campos de refugiados superlotados no Sudão. Enquanto mais de 18 mil pessoas tomam a estrada para o norte, outras ficam em Aburoc, esperando que recursos extremamente necessários como água própria para consumo, alimento e abrigo cheguem até ali.
“As razões pelas quais estamos fugindo são principalmente a falta de segurança, de alimento e de água. Nos sentimos um pouco melhor no Sudão, porque recebemos apoio, e agora estou com a minha família”, diz um refugiado que recentemente fez a jornada até o Sudão.
A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) manteve suas operações em funcionamento em Aburoc quando o conflito começou próximo a Kodok, há cerca de duas semanas. Aproximadamente 20 mil pessoas chegaram. Um hospital de campanha que oferece cuidados primários e secundários de saúde foi aberto para a emergência, e trata uma série de complicações, incluindo a diarreia aquosa.
“A maioria das pessoas que vemos na região de Aburoc juntaram seus poucos pertences e estão esperando lugar em um caminhão que vai em direção ao norte. Quase todos os que estão fugindo foram forçados a abandonar suas casas. Eles já haviam se mudado diversas vezes no passado”, diz Marcus Bachmann, coordenador-geral de MSF para o Sudão do Sul.
Muitas dessas pessoas são originárias de Malakal. Elas haviam se mudado, por razões de segurança, para a cidade de Wau Shilluk. Depois, quando a região foi atacada, no início desde ano, fugiram para Aburoc. Outras vieram de uma cidade próxima, Kodok, após a eclosão do conflito, duas semanas atrás.
“Esta é só uma área da região inteira que está sendo desestabilizada. Na última semana, o conflito se disseminou para lugares como Tonga e Kaka, provocando mais partidas para o norte”, acrescentou Bachmann. “Em breve, devemos ver outras comunidades sendo forçadas a tomar a estrada rumo ao norte. Muitos dos que ainda estão em Aburoc ficariam se as condições melhorassem”.
Até muito recentemente, a população concentrada nos arredores de Aburoc estava sobrevivendo com uma quantidade máxima de 21 mil litros de água por dia, de três bombas de água. Isso é apenas 1,1 litro de água por pessoa por dia, um número inferior à quantidade diária mínima para sobreviver, de 2,5 litros. A pureza da água também é uma preocupação, visto que tanto pessoas como animais defecam abertamente nas áreas ao redor das bombas de água.Alimentos estão começando a chegar do Sudão ao mercado de Aburoc, mas com preços inflacionados, que poucas pessoas podem pagar.
Outras organizações humanitárias estão começando a se instalar na região, mas é uma verdadeira corrida contra o tempo ajudar as pessoas deslocadas antes que o período de fortes chuvas comece, e que o transporte de assistência humanitária seja impossível.
“Infelizmente, houve relatos de mortes entre algumas pessoas que começaram a fazer a jornada de 250 quilômetros a pé na semana passada. Muitas pessoas que chegam à fronteira com o Sudão estão doentes e exaustas, sofrendo de desidratação, diarreia e desnutrição”, diz Bachmann.
“O campo de Khor Waral, na fronteira com o Sudão, já tem mais de 30 mil refugiados oficialmente registrados, e outros 20 mil estão esperando para obter o registro. A superlotação já é um problema, visto que a capacidade do acampamento foi inicialmente planejada para 18 mil pessoas”.
Infelizmente, a disponibilidade de água está baixa, e o suprimento de saneamento, abrigos e itens não-alimentares (como lonas de plástico e utensílios de cozinha e limpeza) ainda não atende às demandas da população. Isso pode ter consequências na saúde dos que estão chegando agora.MSF administra um hospital no estado do Nilo Branco, no Sudão, e quando a emergência começou, a organização enviou uma equipe de 30 profissionais médicos a Khor Waral para trabalhar em colaboração com as autoridades sudanesas.
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