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Neste Dia Mundial de luta contra a Sida, partilhamos a história de um paciente da MSF que, carregado de esperança e resiliência, conseguiu transformar uma sentença numa caminhada feita de coragem
“O meu nome é Rajesh* e a minha jornada com o VIH começou no início de 2004. Primeiro, surgiram pequenos sinais como diarreia e comichão na pele mas, pouco depois, a minha perna direita começou a tremer de forma incontrolável. Era como se o chão me fugisse dos pés. Senti medo e confusão. Quando fui ao AIIMS [instituto indiano de ciência médica], em Deli, para fazer exames, os médicos aconselharam-me a fazer o teste do VIH. Quando o resultado deu positivo, foi como se me tirassem o chão. Fui diagnosticado com VIH.
Era como se o chão me fugisse dos pés. Senti medo e confusão.”
Eu já tinha informado a minha família sobre as minhas preocupações de saúde e, quando a notícia chegou, ficaram chocados, mas mantiveram-se ao meu lado. O apoio deles foi a minha luz na escuridão. Os mais velhos conseguiram gerir a raiva e a frustração e, depois de se acalmarem, apoiaram-me. Mas o medo do que viria a seguir era avassalador. Disseram-me que os medicamentos custariam entre sete a oito mil rupias por mês, e, na altura, não existia qualquer programa do Governo que pudesse ajudar. Não consegui iniciar o tratamento de imediato.
A vida tornou-se uma luta diária. Estava a perder peso, a minha saúde estava a deteriorar-se e o estigma era esmagador. Tinha de continuar a trabalhar todos os dias para sustentar a família, mas o meu corpo já não respondia. As deslocações aos hospitais eram caras e esgotantes. Às vezes, sentia que recuava dez passos por cada um que dava em frente. O meu peso caiu drasticamente e fui internado várias vezes com febre, diarreia e comichão intensa por todo o corpo.
O impacto emocional foi imenso. Senti-me isolado, envergonhado e sem esperança. O julgamento da sociedade era duro e até alguns serviços de saúde foram pouco acolhedores, mas tive a sorte de encontrar alguns espaços de compaixão, onde médicos e outros profissionais de saúde me trataram com dignidade. Ainda assim, o medo de rejeição e discriminação perseguia-me.
Às vezes, sentia que recuava dez passos por cada um que dava em frente.”
Em 2005, comecei finalmente o tratamento. Lentamente, comecei a recuperar forças, mas o caminho estava longe de terminar. Tinha de viajar entre Deli e Bihar para receber cuidados, ao mesmo tempo que equilibrava a minha saúde com as exigências do trabalho diário e com as responsabilidades familiares. Os desafios socioeconómicos eram enormes. Ter acesso a cuidados implicava longas viagens e pressão financeira, mas não desisti.
Em 2020, quando fui internado com pedras na vesícula e icterícia, a equipa da Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi o meu suporte. Não me prestaram apenas cuidados médicos, mas também apoio emocional. O slogan, “Garima ki Kiran” (Raio de Dignidade), refletia realmente o cuidado que recebi. A equipa, especialmente Kaushalya Didi e Mukesh Ji, eram como família, sempre com bondade e incentivo quando mais precisava.
Viver com VIH ensinou-me a ser resiliente. Sobrevivi anos sem tratamento, enfrentei complicações potencialmente fatais e combati o estigma. Mas quero que outros saibam que isto não é o fim. Com medicação adequada, tratamento atempado e um estilo de vida disciplinado, as pessoas que vivem com o VIH podem ter vidas plenas. Peço aos outros pacientes que não percam a esperança nem se deixem esmagar pelo medo. Tomem os medicamentos a tempo, alimentem-se bem e vivam com paciência e dignidade.
Peço aos outros pacientes que não percam a esperança nem se deixem esmagar pelo medo.”
A minha experiência transformou-me. Hoje, sou uma fonte de força para outros que enfrentam batalhas semelhantes. Partilho a minha história abertamente para quebrar o silêncio e o estigma em torno do VIH. As iniciativas educativas e de saúde mental da MSF dão-nos ferramentas para gerir a nossa saúde e procurar ajuda sem vergonha. Sinto-me grato por fazer parte de uma comunidade que se preocupa e se apoia mutuamente.
A quem estiver a ler isto, lembrem-se: o VIH é uma condição crónica como qualquer outra. Tal como as pessoas tomam medicamentos para toda a vida para combater doenças da tiroide ou diabetes, nós também devemos tomar a nossa medicação de forma consistente. A vida com VIH não é uma sentença, é uma caminhada feita de coragem, esperança e resiliência. Juntos, com apoio e consciência, podemos superar os desafios e viver com dignidade.
Obrigado por ouvirem a minha história.”
*Nome alterado por motivos de privacidade e confidencialidade.
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