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À medida que as chegadas aumentam e a violência emerge em Lesbos, MSF pede às autoridades gregas e europeias que acabem com a política de retenção
Dois anos após a implementação do acordo entre a União Europeia (UE) e a Turquia, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuam testemunhando diariamente o preço que as pessoas pagam por essas políticas desumanas e as consequências devastadoras sobre a saúde física e mental. Com o aumento das chegadas pelo início de um clima mais ameno, MSF solicita às autoridades gregas e europeias que acabem com a política de retenção que põe em perigo a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Políticas de retenção geram superlotação e sofrimento
As restrições geográficas estão retendo os imigrantes que vivem nas ilhas gregas em condições de vida que não atendem aos padrões humanitários básicos. A situação nas ilhas permanece dramática, com condições de vida inaceitáveis resultantes tanto da superlotação como da redução de serviços. Enquanto a transferência de mais de 8 mil pessoas das ilhas para o continente durante o inverno ajudou a aliviar as instalações de acolhimento superlotadas, mais de 5.400 pessoas ainda vivem em um acampamento em Moria cuja capacidade é de 2.300; 2 mil em um acampamento em Samos projetado para acolher 700 pessoas; e cerca de 1.300 no campo Vial em Chios. A condição de superlotação piorará, já que mais de 589 pessoas chegaram às ilhas nas duas primeiras semanas de março.
Apesar da presença de alguns profissionais médicos, as necessidades médicas básicas não estão sendo atendidas. Nossas equipes médicas perto de Moria continuam atendendo muitas crianças menores de 5 anos que sofrem de doenças respiratórias, diarreia e doenças da pele – algumas retornam à clínica mais de uma vez, pois as condições de vida no campo continuam afetando sua saúde. As condições de água e saneamento estão abaixo do padrão, com acesso limitado a instalações de água corrente e saneamento, muitas vezes não funcionais e sem a higiene adequada. Nossas equipes também testemunham regularmente episódios de violência, e não há sistemas locais que protejam efetivamente as pessoas mais vulneráveis nos assentamentos.
Uma emergência contínua de saúde mental
Nos últimos dois anos, e mais recentemente em um relatório publicado em outubro de 2017, nossas equipes médicas alertaram sobre uma emergência de saúde mental nas ilhas. Os psicólogos de MSF estão preocupados com o fato de que as condições de vida precárias estão exacerbando o sofrimento mental e agravando as condições de saúde mental das pessoas.
"Como psicólogo de MSF, conversei com muitas pessoas que perderam qualquer esperança e dignidade, vivendo uma completa incerteza quanto ao futuro delas. Ouvi pessoas que sofrem de problemas de saúde mental e que precisam de cuidados especializados, cuja condição se deteriorou devido às condições de vida desumanas no campo. Atendi pessoas que sobreviveram à tortura e a prisão em seu país e agora estão revivendo essas situações traumáticas. Eles falam: 'eu fiz todo o possível para escapar da violênciae do abuso e agora estou de novo preso e vivendo com medo e incerteza', relata Aliki Meimaridou, psicólogo de MSF.
Tudo menos sucesso
À medida que a UE celebra o acordo como redução bem-sucedida do número de chegadas na costa da Grécia, ela está fechando os olhos para a dramática condição de saúde e suas consequências.
"Depois de dois anos em vigor, os líderes europeus ainda acreditam que o acordo evitará que mais pessoas busquem por segurança na Europa, punindo aquelas que realmente conseguem atravessar as fronteiras, mantendo-as em terríveis condições de vida, como no campo em Moria. Bem, o acordo não está funcionando como as autoridades defendem. As pessoas continuam chegando todos os dias. São pessoas em situação de vulnerabilidade que precisam de proteção especial. Em vez de receber proteção, elas estão presas vivendo no campo de Moria. Quem consegue explicar o motivo?", questiona Tamim Elnaggar, mediador cultural em Lesbos.
“Forneci apoio psicológico a pessoas que perderam toda a esperança no futuro e que vivem com estresse constante e medo de serem devolvidas de volta a seus países. A maioria delas vivenciou casos extremamente traumáticos em seus países de origem e sofre de problemas de saúde mental relacionados à guerra e ao trauma. E viver dentro do inseguro ambiente do acampamento não ajuda a lidar com suas experiências passadas. Pelo contrário, elas se lembram da guerra e da violência da qual tentaram escapar” afirma Katerina Psaropoulou, psicóloga de MSF em Samos.
"Não é hora de comemorar. Na semana passada, dois jovens do campo de Moria tentaram se suicidar eletrocutados. Na quarta-feira da semana passada, os tumultos em Moria começaram mais uma vez. Naquela noite e no dia seguinte, nossas equipes trataram 19 pessoas com ataques de pânico causado por gás lacrimogêneo, incluindo 11 crianças e um bebê de 6 meses de idade. Tais cenas se tornaram tragicamente comuns nas ilhas gregas. É insuportável e simplesmente ultrajante. Que ninguém ouse dizer que isso é um sucesso”, diz Louise Roland Gosselin, coordenadora-geral de MSF na Grécia.
Existe um imperativo humanitário urgente para continuar intensificando as transferências para o continente. As incessantes chegadas de solicitantes de asilo nas ilhas, a condição de extrema vulnerabilidade e a total ineficácia dos sistemas destinados a garantir a recepção deles e identificar suas vulnerabilidades indicam uma necessidade urgente de retirar as restrições geográficas e transferi-los para o continente.
Para que a taxa de transferências necessárias se mantenha, as realocações para outros países da UE devem ser retomadas. Também é necessário criar uma capacidade adicional de acolhimento no continente. No momento, a falta de capacidade europeia para acolher os solicitantes está bloqueando a saída de centenas de pessoas das ilhas.
Paralelamente, a oferta de serviços médicos e outros serviços essenciais deve ser intensificada para atender às necessidades imediatas das pessoas nas ilhas e no continente. Os obstáculos no acesso aosserviços (incluindo barreiras administrativas e a falta de tradutores nos serviços nacionais de saúde) devem ser abordados para garantir que as pessoas tenham acesso a serviços básicos.
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