Habitantes de Ramba sofrem as consequências de inundações repentinas devastadoras

Cerca de 180 famílias na cidade de Ramba, no estado de Kivu do Sul, República Democrática do Congo, estão agora sem abrigos e a necessitar urgentemente de ajuda humanitária depois das suas casas terem ficado soterradas devido ao deslizamento de terras, ou deixadas inabitáveis por inundações repentinas. Ramba foi assolada por chuvas torrenciais a 4 de fevereiro de 2022, de acordo com uma equipa da Médicos Sem Fronteiras (MSF). Quase um mês depois das inundações, a rede telefónica da cidade ainda não foi restabelecida e os aluimentos continuam a bloquear a estrada principal para sair da cidade, que fica no montanhoso território de Kalehe, a seis horas de carro da capital, Bukavu.

“Enquanto chovia, uma parte da montanha por trás da nossa casa colapsou e a lama cobriu completamente as bananeiras, a casa e os animais”, descreve Marthe, que, com uma enxada na mão, cava no sítio onde outrora se erguia a sua casa, na esperança de tentar encontrar alguns dos pertences da sua família, agora enterrados na lama.

A família de Marthe não foi a única a perder tudo. Em Ramba, quem viu a sua casa ficar destruída, encontra abrigo na casa de familiares ou de locais. Mapendo, uma mulher com cerca de 50 anos, está agora a viver num quarto emprestado por um vizinho, com o marido e os 15 filhos do casal.

As chuvas intensas também danificaram o sistema de fornecimento de água, com nascentes a ficarem completamente soterradas de lama e suscetíveis a contaminações. A equipa médica da MSF alerta que os alojamentos sobrelotados, as águas paradas e a escassez de água potável já sentidas na cidade aumentam o risco de doenças, como a malária e a diarreia.

A equipa da MSF tem fornecido às famílias desalojadas alguns bens essenciais. “Cada família recebeu um kit com utensílios de cozinha, cobertores, lonas de cobertura, redes mosquiteiras e algumas roupas, para que possam recuperar minimamente a sua vida e algumas rotinas de higiene”, explica o especialista em logística da MSF Jean Plentinckx.

Devido aos deslizamentos, um troço de cinco quilómetros da estrada principal à saída de Ramba continua bloqueado em vários pontos, o que torna a circulação de automóveis impossível. A mota é o meio de transporte mais rápido para encaminhar pacientes do centro de saúde de Ramba para o hospital de Tshigoma, que fica a 10 km da cidade.

“Os nossos pacientes correm risco de vida – precisamos urgentemente de uma solução”, sublinha o enfermeiro Tigre Bulambo, assistente no centro de saúde de Ramba. Este profissional da MSF está muito preocupado com as mulheres que sofrem complicações durante a gravidez ou durante o trabalho de parto, as quais necessitam urgentemente de tratamento hospitalar. Desde que Tigre Bulambo começou a trabalhar em Ramba nenhuma mulher morreu durante o transporte para o hospital, mas agora que a estrada principal se encontra bloqueada teme-se que isso possa pôr em risco a vida das pacientes.

“À uma da manhã uma mulher entrou em trabalho de parto”, conta Tigre. “Infelizmente, o feto estava numa posição que requeria uma cesariana e a paciente foi transportada com urgência para o hospital. Demorámos uma hora a encontrar voluntários na comunidade, que conseguiram transportá-la até lá numa maca”. A pé, levaram três horas a fazer um caminho que normalmente demoraria 45 minutos. “Perante casos complicados como este, é sempre arriscado”.

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