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Ataques, deslocações populacionais e insegurança alimentar marcam a vida das pessoas há mais de dez anos
Instalações de saúde mal equipadas, escassez de profissionais, epidemias recorrentes e insegurança alimentar continuam a afetar a saúde das pessoas na região do Extremo Norte dos Camarões, também atingida pela crise em curso na bacia do lago Chade. Para dar resposta às necessidades de saúde persistentes nesta região, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) apoia cuidados de saúde primários e secundários, cuidados em saúde mental, serviços de saúde reprodutiva e cuidados cirúrgicos de emergência.
Ataques, deslocações forçadas e insegurança alimentar tornaram-se parte do quotidiano de algumas comunidades da região do Extremo Norte dos Camarões, que vivem há mais de uma década com as consequências de um conflito prolongado.
“Fugi da minha aldeia em 2019 após ataques repetidos”, conta Hawa Marie, uma mulher deslocada internamente que vive agora em Mora. “Tínhamos medo por causa dos tiros. Com os meus seis filhos, tivemos de deixar tudo para trás. A vida aqui [em Mora] é difícil. Nem sempre temos comida suficiente.”
Hawa Marie está entre os milhares de pessoas forçadas a fugir de casa devido à violência contínua ao longo da fronteira entre os Camarões e a Nigéria. A crise da bacia do lago Chade, que começou na Nigéria em 2009, espalhou-se por toda a região, e afetou o Extremo Norte dos Camarões, o Oeste do Chade e o Sudeste do Níger.
É ainda mais duro quando os feridos que recebemos são, por vezes, nossos familiares, pessoas com quem convivemos.” – Danzabe Elias, supervisor de logística no hospital do distrito de Mora
É ainda mais duro quando os feridos que recebemos são, por vezes, nossos familiares, pessoas com quem convivemos.”
– Danzabe Elias, supervisor de logística no hospital do distrito de Mora
De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, mais de 3,6 milhões de pessoas foram obrigadas a deslocar-se, incluindo mais de 500 mil nos Camarões. As famílias deslocadas enfrentam condições de vida precárias, acesso limitado a cuidados de saúde e insegurança alimentar crónica.
“A situação em 2016 e 2017 foi extremamente difícil. Recebíamos constantemente pacientes com ferimentos de balas, vindos de todo o lado”, explica o supervisor de logística no hospital do distrito de Mora, Danzabe Elias. “Tínhamos muitas vezes de sair a qualquer hora para prestar cuidados, o que tornava o trabalho especialmente extenuante. É ainda mais duro quando os feridos que recebemos são, por vezes, nossos familiares, pessoas com quem convivemos.”
No hospital do distrito de Mora, onde a MSF trabalha desde 2015, as equipas realizaram mais de 4500 intervenções cirúrgicas desde 2021.
A insegurança também afeta os meios de subsistência. O receio de ataques e raptos impede muitas pessoas de cultivar a terra ou de transportar as colheitas, o que agrava a pobreza e a escassez de alimentos. “As pessoas têm medo de ir trabalhar nos campos”, explica o agente comunitário de saúde da MSF em Kourgui, Wasa Hassan. “Os raptos para pedido de resgate tornaram-se comuns, e o medo domina a vida quotidiana.”
Jérémie Seuda, outro agente comunitário de saúde, acrescenta: “Em 2015, durante os ataques, fiquei sozinho em Kourgui depois de me ter separado dos meus pais. As equipas de saúde mental da MSF cuidaram de mim. Não foi fácil, mas apoiaram-me em todas as etapas. Os ataques continuaram – o meu vizinho de 20 anos foi morto, e ficar em minha casa tornou-se impossível. Tive de me deslocar novamente.”
A MSF trabalha com 81 agentes comunitários de saúde polivalentes para providenciar cuidados mais perto das comunidades, como o tratamento de malária, de diarreia e desnutrição aguda grave sem complicações. Só em 2025, as equipas apoiadas pela MSF trataram mais de 16 mil casos de malária sem complicações e cerca de 1900 crianças com desnutrição.
Apesar de uma diminuição relativa nas deslocações populacionais, a insegurança persiste. Mais de 1500 incidentes de segurança foram registados este ano na região do Extremo Norte. “O acesso a cuidados de saúde permanece um grande desafio”, afirma o coordenador médico da MSF nos Camarões, Michel Madika. “A pobreza, as unidades de saúde mal equipadas, a escassez de profissionais, as epidemias recorrentes e a insegurança alimentar continuam a afetar a saúde das pessoas.”
A MSF providência assistência médica-humanitária na região do Extremo Norte dos Camarões desde 2015, nomeadamente no campo de refugiados de Minawao e no distrito de saúde de Mokolo, e apoiando a unidade cirúrgica do hospital regional de Maroua.
Atualmente, a organização médica-humanitária presta apoio nos distritos de saúde de Mora e de Kolofata. Desde o início do ano, as equipas realizaram mais de 45 mil consultas em regime de ambulatório, efetuaram mais de 1600 cirurgias de emergência, trataram 2250 crianças com desnutrição e acompanharam mais de mil mulheres grávidas.
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