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Com os novos protestos, equipes médicas montaram clínicas e postos de primeiros socorros extras para atender possíveis feridos
Com a continuidade dos protestos em todo Quênia, as equipes de MSF estão respondendo às necessidades criadas devido à violência das últimas semanas. Em Nairóbi, onde MSF oferece tratamento de HIV/Aids e tuberculose (TB) nas favelas há mais de dez anos, as equipes médicas montaram clínicas e postos de primeiros-socorros extras para anteder aos feridos durante os protestos.
As equipes de MSF em Busia e na Baía de Homa continuam a oferecer tratamento para HIV/Aids e estão atendendo também os deslocados internos. Em outras partes do Quênia Ocidental, equipes de emergência que chegaram ao país para ajudar a lidar com as necessidades cada vez maiores continuam a oferecer assistência para as milhares de pessoas afetadas pela violência. Um dos principais desafios vai ser continuar a responder às conseqüências indiretas da violência que afetam as pessoas deslocadas mais vulneráveis.
Favelas de Nairóbi
MSF montou dois postos de primeiros-socorros na favela de Mathare. Durante um período de três dias (dos dias 16 a 18 de janeiro), 32 vítimas da violência foram tratadas nessas unidades. Várias delas, incluindo uma criança, estavam feridas a bala e foram transferidas para o hospital mais próximo. Sete delas haviam sido espancadas e precisaram ser internadas. MSF está trabalhando em parceria com o serviço de ambulâncias do Quênia para garantir que qualquer vítima seja rapidamente transportada para as clínicas.
Na sexta-feira, dia 18, a equipe de MSF que está na favela de Kibera recebeu duas crianças, uma de 13 anos e outra ainda mais nova, que haviam sido baleadas na perna. Como preparação para os três dias de protesto anunciados em Nairóbi, MSF abriu duas de suas três clínicas em Kibera (Centro de Saúde Kibera Sul e a Clínica Gatwekera) para tratar um potencial fluxo de feridos.
A equipe de MSF também conseguiu manter as consultas de pacientes com HIV em duas dessas clínicas e no Hospital Mbagathi. No entanto, a violência e a insegurança fizeram com que alguns pacientes regulares não conseguissem chegar às clínicas em Kibera e Mathare. Entre o dia 31 de dezembro e o dia 14 de janeiro, por exemplo, 290 pacientes perderam suas consultas nas clínicas de Kibera e no Hospital Mbagathi.
Esse é um problema que preocupa muito MSF. Se os pacientes em tratamento para HIV/Aids e TB não tomarem seus medicamentos regularmente, sua saúde vai deteriorar e há um risco de desenvolvimento de resistência. Se os pacientes com TB não tomarem seus remédios, há também o risco do aumento do contágio para os que os cercam. MSF instalou uma linha de telefone gratuita para pacientes da organização e pacientes de outras unidades de saúde que atualmente estão fechadas, para que eles possam ter acesso ao tratamento. Desde o dia 21 de janeiro, pacientes de MSF em todo o Quênia, que não conseguiram comparecer às consultas e se deslocaram devido à insegurança, vão poder telefonar para pedir orientação sobre como conseguir seus remédios ou consultas em unidades de saúde próximas.
Quênia OcidentalEquipes de emergência médica e logística estão trabalhando em várias áreas no Quênia Ocidental, onde milhares de deslocados procuraram refúgio. A situação é inconstante e as necessidades as mais variadas. Em algumas áreas, as equipes de MSF estão trabalhando em grandes acampamentos onde milhares de pessoas se estabeleceram, oferecendo atendimento de saúde primária, distribuindo itens não-alimentícios, fornecendo água potável e instalando unidades de saneamento. Em outras, as equipes estão encontrando grupos menores de deslocados internos que ainda não receberam nenhuma ajuda. Como resultado, as equipes de MSF estão avaliando constantemente as necessidades e providenciando respostas tanto para as famílias deslocadas quanto para os moradores locais. Em Kisii, por exemplo, as necessidades eram de material médico para o hospital e itens básicos, como lençóis e utensílios de cozinha, para as famílias deslocadas ajudadas pela população local. Nas cercanias de Londiani, as necessidades eram de consultas médicas, que foram realizadas por equipes móveis.
Em Nakuru e Molo, equipes extras foram enviadas para ajudar a por em funcionamento as clínicas móveis que visitam vários locais, fornecendo atendimento médico para deslocados internos. À medida que a situação muda em Eldoret, para onde houve um grande fluxo de pessoas no fim de dezembro, mas que diminuiu agora que muitas pessoas deixaram a cidade, a equipe de MSF está mudando o foco de suas atividades. A equipe de quatro pessoas agora vai trabalhar para oferecer água potável e saneamento para três campos de deslocados internos situados nos arredores da cidade e vai continuar em alerta para responder a qualquer emergência que surja nos próximos dias.
A distribuição de galões de água, cobertores e outros itens básicos está sendo realizada em dois acampamentos: em Timboroa e na Escola Secundária Muge, no distrito de Koibatek. A assistência aos 7 mil deslocados em Cherangani continua. MSF instalou centenas de tendas e latrinas e distribuiu 7 mil litros de água no acampamento. Uma equipe de MSF organizou uma campanha de vacinação contra sarampo e pólio para mil crianças e planeja ajudar a supervisionar um levantamento nutricional realizado pelo Ministério da Saúde.
Em Kitale e Webuye, a equipe de MSF está oferecendo apoio a dois hospitais. Após os violentos confrontos do dia 16 de janeiro entre as comunidades em Endebes, sete pessoas morreram durante a transferência para o Hospital Kitale e cinco feridos foram tratados pela equipe cirúrgica do Ministério da Saúde com assistência de MSF. Em Endebes, MSF começou a distribuir lâminas de plástico e material para construir latrinas em vários acampamentos onde as pessoas receberam pouquíssima ou nenhuma ajuda. Na sexta-feira, um caminhão e um avião de carga que transportavam 70 toneladas de material logístico e médico foram enviados de Nairóbi para o Quênia Ocidental.
À medida que mais agências começam a trabalhar em cidades como Eldoret, Nakuru e Kitale, MSF vai transferir suas atividades e vai aumentar seu foco no acesso e respostas a áreas rurais menores, onde há registro de que os deslocados internos estão vivendo com pouca ou nenhuma assistência. Nos próximos dias, MSF vai começar a oferecer ajuda para os deslocados em Kiminini, Kesogon e Kapcherop.
Os projetos de HIV/Aids em Busia e da Baía de Homa retomaram suas atividades. No entanto, na quinta-feira a equipe médica não conseguiu chegar ao hospital em Busia porque as estradas estavam bloqueadas. Além de oferecer tratamento para HIV/Aids, equipes em Busia também estão oferecendo apoio para os deslocados internos que procuraram abrigo perto da delegacia de polícia da cidade.
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