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Justiça afegã absolveu dois suspeitos da acusação de assassinato de cinco funcionários da organização em 2004, mas condenou-os por não ter conseguido evitar os crimes
Em junho de 2004, cinco integrantes da equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF) foram mortos no carro que usavam quando voltavam para a base depois de trabalhar em uma clínica em uma área rural no norte do Afeganistão. Em resposta, MSF encerrou todas as atividades no país e pediu que as autoridades afegãs conduzissem a investigação adequada sobre as mortes. Logo após o episódio pouco foi realizado, mas depois de repetidos apelos das famílias das vítimas e de MSF, o governo do Afeganistão tomou mais atitudes.
Agora a Corte em Cabul absolveu dois suspeitos dos assassinatos, Abdul Latif e Shampaq, mas os sentenciou a um e cinco anos de prisão, respectivamente, por "não conseguir prevenir as mortes". MSF não entende o significado da sentença e teme que esse possa ser o fim da investigação.
MSF está desapontada com esse veredicto. O número de falhas no processo judicial que nos foi revelado faz surgir vários questionamentos sobre o caso. Também nos faz duvidar do modo que o resto do caso vai ser conduzido no futuro. MSF teme ainda que mais nada seja feito com relação ao processo levado à Corte.
O principal suspeito, Hadji Yaqub, continua sob custódia, mas ainda desconhecemos os motivos por trás dos assassinatos, o que nos causa grande frustração. Para aumentar a confusão, MSF foi informada que a razão por trás do atraso para levar o caso de Yaqub ocorreu porque arquivo sobre ele se perdeu.
Esse caso levanta questionamentos sobre segurança e respeito por trabalhadores humanitários no Afeganistão. MSF espera que o governo proteja civis, trabalhadores de ajuda humanitária e a população afegã com seus melhores recursos. Isso inclui medidas preventivas e judiciais.
MSF continua a monitorar a situação no Afeganistão e está ciente que ainda é necessário ajuda humanitária em várias partes do país. No entanto, a decisão de retomar as atividades depende da necessidade e condições de segurança. No momento, as condições de segurança tornam impossível para MSF até mesmo considerar a realização de missões exploratórias.
MSF continua a acompanhar de perto o processo judicial na esperança de que a Justiça será feita para esses cinco integrantes da equipe que foram assassinados.
MSF também quer aproveitar a oportunidade para expressar sua solidariedade para com as famílias desses funcionários: Hélène de Beir, Pim Kwint, Egil Tynaes, Fasil Ahmad e Besmillah.
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