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Na semana em que a ONU debate crise alimentar global, MSF lembra que programas não contêm alimentos ricos em nutrientes que poderiam evitar desnutrição infantil
Nessa semana, chefes de Estado e outros 20 representantes do alto escalão das Nações Unidas se reúnem em Roma para elaborar um plano para conter a crise alimentar global atual. Médicos Sem Fronteiras (MSF) aproveita a ocasião para pedir que sejam adotadas estratégias nutricionais específicas e fáceis de serem aplicadas para crianças com menos de dois anos de idade.
Apenas ampliar as intervenções já existentes, que já não conseguem conter a crise alimentar atual, certamente não vai proteger as crianças mais vulneráveis a esse aumento de preço.
"Há um perigoso padrão duplo que rege os atuais programas de ajuda alimentar e nutrição, baseado mais em custos do que nas necessidades nutricionais específicas das crianças pequenas", afirma Daniel Berman, vice-diretor da Campanha de Acesso a Medicamentos. "Os alimentos ricos em nutrientes que as crianças pequenas precisam só chegarão a elas se novas abordagens forem implementadas juntamente com a adoção de outros recursos."
As crianças em fase de crescimento têm necessidades nutricionais específicas e estômagos pequenos. Eles precisam de alimentos ricos em energia e com diversos nutrientes, como os alimentos de origem animal (laticínios, ovos, carne ou peixe). A qualidade da comida é tão importante quanto a quantidade e por isso os responsáveis, ao elaborarem medidas contra a crise alimentar, devem garantir a segurança nutricional e não apenas a segurança alimentar.
A alta dos preços vai exacerbar a desnutrição, fazendo com que famílias não tenham como comprar alimentos ricos em nutrientes em quantidades suficientes para que essas crianças em fase de crescimento e para também evitar e superar possíveis doenças.
Para regiões com problemas crônicos de desnutrição, a ajuda alimentar convencional não inclui alimentos específicos para as crianças pequenas. O leite em pó foi retirado do pacote alimentar voltado para as crianças no fim dos anos 80, quando os preços dos derivados do leite caíram. Desde então, as crianças têm recebido farinhas fortificadas com vitaminas que não contêm nenhum alimento de origem animal, uma dieta que os pediatras não recomendam para as crianças com menos de dois anos. Considerações econômicas levaram a um produto que não atende às necessidades existentes.
"Nós precisamos que os líderes abram seus olhos para as necessidades das crianças que estão mais vulneráveis no momento e para aqueles que também podem estar em risco" defende Dr. Susan Shepherd, conselheira nutricional. "Uma questão crítica essa semana é: será que os doadores vão mudar as regras para que alimentos para crianças sejam adicionados aos programas de ajuda alimentar e aos programas de nutrição?"
MSF pede uma mudança na ajuda alimentar e que uma dieta rica em nutrientes e densa em energia seja criada para as crianças em risco de desnutrição. Há novos e inovadores meios de fornecer todos esses nutrientes para recuperar ou prevenir a desnutrição. MSF tem conseguido atender muito mais crianças em seus projetos de desnutrição com novas estratégias.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 178 milhões de crianças sofram de desnutrição em todo o mundo e que, em algum ponto de suas vidas, 20 milhões sofram da forma mais grave da doença. A desnutrição é responsável por entre 3,5 milhões a 5 milhões de mortes entre crianças com menos de cinco anos anualmente.
Segundo estimativas de MSF, apenas 3% dessas 20 milhões de crianças que sofrem de desnutrição severa recebem o tratamento recomendado pelas Nações Unidas. MSF tratou cerca de 150 mil crianças desnutridas com alimentos terapêuticos e suplementos, nos anos de 2006 e 2007, em 22 países.
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