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Apesar de estar feliz com a medida, organização lembra que incidência de kalazar na região de Humera ainda é preocupante
No dia primeiro de maio, Médicos Sem Fronteiras (MSF) repassou oficialmente seu programa de HIV/Aids ao Departamento Regional de Saúde da Etiópia, a autoridade governamental responsável pela saúde no distrito de Humera.
O repasse ocorre apenas três anos depois que a organização médica humanitária começou a oferecer tratamento gratuito para HIV/Aids pela primeira vez na Etiópia. MSF considera essa medida um sucesso. No entanto, kalazar, uma doença mortal que é endêmica nessa área do país, continua a preocupar a organização, que continua a ser a principal a oferecer tratamento aos pacientes afetados pelo mal.
Humera é uma área extremamente isolada da Etiópia, onde cerca de cem mil trabalhadores migrantes vivem durante os períodos de planito e colheita. Esse grande fluxo de trabalhadores também atrai um grande número de profissionais do sexo, fazendo com que as chances de infecção por HIV aumentasse drasticamente. Em Humera, a média de pacientes que apresentem resultado positivo para teste de detecção de HIV nas unidades de saúde de MSF é atualmente de 13%, enquanto a média do país é de cerca de 4,7%.
No momento, MSF tem 750 pacientes em tratamento com anti-retrovirais (ART) em Humera e agora o governo da Etiópia está pronto, quer administrar o programa e continuar a oferecer os medicamentos necessários gratuitamente. O Departamento de Saúde mostrou recentemente seu compromisso com esses pacientes ao contratar mais dois médicos e dez enfermeiros para trabalharem no hospital local.
"Estamos extremamenet felizes com a reação rápida do governo da Etiópia com relação à Aids/HIV", disse Ivan Zenar, coordenador de projeto de MSF em Humera."Mas continuamos preocupados porque o kalazar é completamente negligenciada, apesar de ser uma doença mortal".
MSF começou a trabalhar em Humera em 1997 para ajudar os pacientes com kalazar, também conhecida como 'febre negra', uma doença tropical que é transmitida por parasitas e afeta o sistema imunológico. A doença apresenta um índice de mortalidade de quase 100% enquanto, com tratamento adequado, cerca 92% dos pacientes podem ser curados. No ano passado, MSF tratou em Humera 657 pacientes com kalazar, entre os quais 8,3% morreram.
Após a repasse do programa de HIV/Aids, MSF vai continuar a monitorar o tratamento com anti-retrovirais e a tratar pessoas com kalazar nas regiões endêmicas da Etiópia. No entanto, a organização humanitária também está fazendo um apelo ao governo para que realize os esforços necessários para combater de maneira apropriada essa doença mortal.
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