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Em carta enviada ao diretor da OMS e aos Governos, MSF alerta: para se alcançar as metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para a saúde, precisa-se investir mais em Pesquisa e Desenvolvimento de medicamentos essenciais.
Governos, Agências Internacionais e especialistas da área de saúde estarão reunidos entre os dias 16 e 20 de novembro na Cidade do México para estudar as formas de se fazer alcançar as metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) para a saúde, que incluem a redução da mortalidade infantil, a melhoria da saúde materna e o combate ao HIV/aids, à malária e outras doenças negligenciadas, entre outras metas.
O encontro “Cúpula Ministerial de Pesquisa em Saúde” terá como tema: “Unindo o Saber e o Fazer para Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)”.
No entanto, segundo carta enviada pela organização internacional de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras, por meio da sua Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, as metas estabelecidas pelos ODM para a saúde só serão alcançadas se houver mudanças na forma como a Pesquisa e o Desenvolvimento (P&D) de medicamentos é tratada e financiada.
“É necessária uma ação urgente para assegurar que novos medicamentos essenciais, vacinas e diagnósticos sejam desenvolvidos e tornem-se disponíveis a preços acessíveis para as pessoas nos países em desenvolvimento”, diz a carta enviada ao Diretor Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Jong-wook Lee.
Na carta, MSF alerta para o fato de que 90% de toda a pesquisa biomédica estão restritas ao setor privado, e 60% de todos os lucros provenientes de medicamentos estão nos Estados Unidos (EUA), enquanto que a África, continente mais afetado por doenças e epidemias, representa apenas 1% das vendas mundiais de medicamentos.
Para exemplificar este desequilíbrio, MSF lembra que nos últimos 25 anos cerca de 1400 novos medicamentos foram desenvolvidos, dos quais apenas 1% foi destinado às doenças tropicais, responsáveis pela morte de centenas de milhares de pessoas em países em desenvolvimento.
Um exemplo claro da falta de interesse na P&D de medicamentos para doenças tropicais é a doença dos sono que infecta 300 mil africanos por ano, matando 60 mil deles, e mesmo assim, quase nem chega a ser considerada na agenda mundial de P&D em saúde. Hoje, o medicamento mais utilizado para tratar os doentes é a base de arsênico e mata um em cada 20 pacientes tratados.
MSF acredita que a Cúpula Ministerial do México pode começar a mudar a maneira como as prioridades de P&D em saúde são estabelecidas e a maneira como esta P&D é financiada. “Só assim este encontro poderá ajudar a garantir o acesso, mesmo dos pacientes mais pobres, aos frutos da inovação e promover a P&D em saúde como um bem público global”, finaliza a carta de MSF.
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