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Cerca de 70 mil pessoas abandonaram suas casas para fugir dos conflitos
Médicos Sem Fronteiras (MSF) organiza uma intervenção de urgência no departamento de Likouala, na República do Congo e terminou uma avaliação das zonas onde se encontram dezenas de deslocados, no sul de Dongo, na República Democrática do Congo (RDC).
Dongo, cidade da RDC onde se desenrolaram os primeiros enfrentamentos, está esvaziada de toda sua população. Numerosos cadáveres ficaram no chão semanas inteiras. Centenas de pessoas teriam sido mortas. As habitações, as lojas e outras infraestruturas foram incendiadas ou saqueadas, de acordo com um relatório de avaliação de diversas agencias das nações Unidas.
Durante os últimos dias de outubro, o antigo conflito entre duas comunidades se transformou em uma batalha maior na cidade de Dongo, e após, se estendeu a várias outras aldeias. Mais ao sul, no setor de Bombona, novos combates aconteceram no dia 17 de novembro a partir da aldeia de Saba Saba. As pessoas que ali habitavam e aquelas já deslocadas devido aos primeiros combates em Dongo tiveram que fugir da violência que causou milhões de mortos, novos incêndios e pilhagens. É isso que constatou a equipe de MSF quando realizou uma avaliação entre 16 e 27 de novembro. Mais de 70 mil pessoas fugiram, de acordo com os dados recolhidos pelas equipes de MSF.
Mais de 40 mil desabrigados sem assistênciaMais de 40 mil pessoas partiram rumo aos territórios de Kungu, Bokonzi, Bomboma, Bonzene e Boto, permanecendo assim na RDC. As equipes médicas de MSF descobriram pessoas que fizeram até quatro dias de caminhada para salvar suas vidas. Ao término de suas jornadas, esses deslocados se tornam indigentes, sem nada, vivendo no chão, em abrigos improvisados, escolas, igrejas ou na casa de famílias que os acolhem. Os feridos não podem ser levados em conta, pois os cuidados são muito caros e eles fugiram sem levar nada com eles. Mais de 30 mil refugiados na República do Congo
Além do mais, a menos 34 mil pessoas atravessaram o rio Congo para se refugiar no departamento de Likouala, na República do Congo. MSF organizou jornadas de atendimento clínico em diferentes locais no distrito de Bétou. Os refugiados se espalharam ao longo do rio em pequenos grupos. É preciso ir de piroga para alcançá-los.
“Em uma ilha entre Dongon Zaire e Eboko, aproximadamente 800 pessoas continuam isoladas por temerem represálias”, explica Salha Issoufou, coordenador da urgência de MSF. “Eles pertencem a uma dessas comunidades em conflito e não podem se deslocar para buscar ajuda. Uma equipe de MSF se dispõe a levar assistência até eles.” Malária, infecções respiratórias e diarréia
As doenças mais comuns são a malária, infecções respiratórias e diarreia, de acordo com as consultas médicas realizadas por MSF. Uma centena de pessoas vêm procurar tratamento nos dias em que há clínica móvel. Aproximadamente um terço dos pacientes são crianças menores de cinco anos. A primeira distribuição de alimentos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) começou no dia 25 de novembro, em Bétou. Mas a situação ainda continua crítica, pois a distribuição pode levar um tempo considerável.
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