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O médico Mustafa Ajaj trabalha com MSF na Síria e também já teve que se deslocar com sua família cinco vezes
Há duas semanas, o dr. Ajaj falou a Médicos Sem Fronteiras (MSF) sobre a situação em Takad, uma cidade rural no oeste da província de Alepo. Takad abrigava um grande número de famílias deslocadas que fugiram rumo ao norte para escapar da ofensiva das forças do governo sírio e seus aliados russos. Ajaj gerenciava o centro de saúde primária apoiado por MSF em Takad, até que a frente de batalha chegou perigosamente perto e ele teve de buscar um local mais seguro para o centro de saúde. Agora ele está realocado em um prédio vazio no campo de Deir Hassan, onde 120 mil pessoas deslocadas vivem. MSF também mantém uma clínica móvel no campo de Deir Hassan.
“Não há mais civis em Takad – há apenas combatentes. O regime tomou o controle de Basratoun, 10 quilômetros a oeste da cidade. A frente de batalha está agora em Takad.
Antes, havia 20 mil pessoas em Takad – 12 mil locais e 8 mil pessoas deslocadas internamente. Porém, um dia depois da última vez em que nos falamos [13 de fevereiro], as pessoas começaram a fugir de Takad e, em três dias, já não havia famílias na cidade.
Assim como todos os outros, fugimos dos bombardeios e seguimos para Deir Hassan – porque até o momento esse é um local relativamente seguro. Há uma grande concentração de pessoas deslocadas, que estabeleceram dezenas de acampamentos na área. Há mais de 12 mil pessoas deslocadas em Deir Hassan, mas nenhum centro de saúde. É por isso que escolhemos esse lugar.
No primeiro dia, trouxemos apenas o essencial que conseguíamos carregar, porque havia bombardeio pesado e não pudemos trazer tudo.
Trouxemos o equipamento de laboratório, o ultrassom e o equipamento de monitoramento cardíaco. Inicialmente, deixamos tudo em Termanin, que é uma área segura perto de Takad. Depois, levamos as coisas para Deir Hassan, quando a situação acalmou um pouco porque o regime está atacando agora a área rural do sul e do leste da província de Idlib. Nos últimos três ou quatro dias, conseguimos levar tudo, com o apoio de MSF, que pagou todos os custos de transporte.
Hoje temos um grande número de pacientes, mesmo com o centro de saúde ainda não sendo amplamente conhecido. Não consigo imaginar como será quando ficarmos conhecidos.
Temos um médico de medicina interna, um pediatra e um ginecologista. Em apenas quatro horas, recebemos entre 60 e 65 crianças e, às 11 horas da manhã, tivemos que parar de receber pacientes porque não tínhamos mais como atender todos os casos. Estávamos sobrecarregados.
Entre as crianças, estamos vendo muitos casos de bronquite, pelas condições em um campo de deslocados e por causa do clima. Também vemos casos de otite. Entre os adultos, vemos colite [inflamação do intestino], gastrite e faringite. Também vemos casos de infecção do trato respiratório superior tanto em crianças quanto em adultos.
Estou vivendo agora em Al-Dana, para onde me mudei com a minha família – essa foi a quinta vez em que tivemos que nos deslocar. Meus filhos não vão à escola há um mês, desde que os combates começaram. A maior parte das crianças nos campos de deslocados estão fora da escola.
Novas pessoas estão chegando na área, mas não estão vindo ao campo de Deir Hassan, porque ele está lotado. Elas estão instalando suas tendas a dois ou três quilômetros. As pessoas dependem de ajuda, mas não há assistência suficiente.”
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