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Por nove meses, a médica Nan Hsin Chang viajou pelo país para trabalhar em intervenções de emergência
Terceiro maior país da África, a República Democrática do Congo (RDC) é palco de constantes conflitos no leste de seu território. Além das consequências trágicas da guerra civil, os congoleses sofrem com a dificuldade de acesso à saúde e problemas como desnutrição e epidemias.
Presente no país desde 1987, Médicos Sem Fronteiras tem na RDC seu maior projeto, que conta com programas de longo prazo na capital Kinshasa (HIV), em Kivu (conflitos) e nas províncias de Katanga (sarampo) e Maniema (projeto de atenção primária e secundária). Mas para identificar e atender as possíveis emergências entre outras regiões deste país de grande território, criou-se o Pool de Emergência do Congo (PUC). No ano passado, a brasileira Nan Hsin Chang, de 27 anos, fez parte da equipe por nove meses. Na entrevista abaixo, ela fala mais sobre o trabalho desse grupo especial.
Como é o trabalho da equipe do Pool de Urgência do Congo (PUC)?Nan Hsin – Como a República Democrática do Congo é um país enorme, além dos projetos temos o PUC, cujo objetivo é monitorar os assuntos médicos, que podem ser surtos ou epidemias, por exemplo. O país é divido em três regiões e cada uma delas é acompanhada por uma antena.
O que são as antenas?Nan Hsin – As antenas são equipes formadas por um expatriado, encarregado da coordenação, e por uma equipe nacional com dois profissionais médicos, dois logísticos e dois motoristas. Eles fazem um trabalho de monitoramento constante, através de ligações para os postos de saúde locais, participação em reuniões e divulgação das atividades do PUC. A idéia é que possamos identificar qualquer tipo de intervenção que se faça necessária.
O que acontece se uma antena identifica a necessidade de uma intervenção?Nan Hsin – Quando isso acontece, a antena notifica o PUC, que envia a equipe móvel. São eles que vão até o local para montar e administrar o projeto. Em um primeiro momento, trabalhei nesta equipe móvel como médica.
Quantas pessoas fazem parte da equipe móvel?Nan Hsin – A equipe móvel nacional contava com 13 enfermeiros nacionais, dois médicos, seis logísticos e dois motoristas. Entre os expatriados havia um médico, um enfermeiro e um logístico.
Como era a sua rotina?Nan Hsin – Quando estamos em viagem no terreno, não temos hora para parar. Muito menos fins de semana e feriados. Não tive nem Natal, nem Ano Novo. Às vezes acordava às 4h para pegar um barco e vacinar as pessoas. Quando estava no escritório, trabalhava das 8h às 17h, tocando projetos especiais, como a atualização das fichas técnicas e o plano de emergência em caso de algo inesperado acontecer na capital.
Os conflitos registrados em Kivu afetaram de alguma forma o seu trabalho?Nan Hsin – De certa forma sim. Antes dos conflitos começarem, eu tinha sido enviada à Lubutu para ajudar um colega italiano. Acabei ficando lá por um mês porque uma nova onda de violência começou e ninguém podia se deslocar.
A seu ver, o que foi mais interessante nesta missão?Nan Hsin – Para mim, foi legal aprender porque MSF escolhe não ir a alguns lugares que necessitam de assistência médica de emergência. Na maioria das vezes, deixamos de ir a algum lugar porque o governo local dá conta das atividades, porque não há pacientes o suficiente para configurar uma intervenção ou porque outras organizações já tomaram frente. É um jeito de investir bem os recursos fornecidos pelos doadores. Estamos nos países para dar apoio dentro de uma proposta específica, que varia conforme a situação do país. Não queremos substituir os governos.
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