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A capital é uma das áreas mais preocupantes com 70% dos casos reportados. Falta de infra-estrura prejudica a prevenção
Mais de dez mil pessoas foram afetadas pelo surto de cólera que tem devastado Guiné Bissau desde maio. A epidemia já causou a morte de 190 pacientes. Depois de atingir o pico da epidemia recentemente, nos últimos dias houve uma significativa queda no número de admissões para o centro de tratamento de cólera (CTC), aberto na capital, Bissau.
A capital do país tem sido a área de mais difícil impacto, com um total de 70% do número de casos reportados. Este é o motivo pelo qual MSF, junto com o Ministério da Saúde, abriu um CTC ao lado do hospital principal, Simão Mendes, com capacidade para cem pacientes, funcionando 24 horas por dia. Cerca de 5 mil pacientes já foram tratados nesse centro.
Além do CTC em Bissau, a intervenção dá suporte aos outros 17 centros de reidratação espalhados pelas outras duas regiões mais afetadas: Biombo e Oio. "Pacientes podem ficar desidratados e morrer em apenas algumas horas se não forem tratados", explicou Daniel Remartínez, coordenador de emergência. "É por isso que é tão importante cobrir áreas onde possa haver pessoas doentes, para que possamos oferecê-las um tratamento rápido e, assim, salvar suas vidas."
A cólera é endêmica em Guiné Bissau e, com a estação de chuvas, que dura de maio a novembro, muitas áreas foram inundadas e poços se encheram de material fecal, disseminando a doença pela população. "Quando não tratada a tempo, a mortalidade entre pessoas infectadas pode atingir entre 20% a 50%, mas cai para menos de 2% quando os pacientes recebem o tratamento necessário, o que em 80% dos casos consiste em simplesmente administrar os sais de hidratação oral", acrescentou Remartínez.
Interrompendo a disseminação
Além de diminuir a mortalidade entre as pessoas afetadas, interromper a disseminação da epidemia por meio de medidas preventivas é crucial. A cólera é transmitida principalmente por água ou comida contaminadas e está ligada à falta de saneamento e medidas de higiene, como lavar as mãos. Esta é a razão por que lugares com muitas pessoas, como supermercados, onde o saneamento e a higiene são inadequados, têm mais chances de contaminação. "A distribuição de água e a situação do saneamento em geral continuam a ser muito limitados", relata Agustín López, responsável pela logística do projeto. "Isso facilita a transmissão de cólera. A prevenção depende do acesso a água potável e sistema de saneamento próprio para prevenir exposição à bactéria e interromper a transmissão."
Em muitas áreas de Guiné Bissau, as infra-estruturas básicas são inadequadas: a drenagem não existe, a rede de eletricidade é pobre e, baseado em estimativas, menos que 20% da população têm assesso a água potável. A maioria deles pega a água de que precisa nos poços.
Além disso, os corpos daqueles que morreram de cólera precisam ser tratados com extrema cautela e devidamente desinfectados antes de serem enterrados para que se previna futuras contaminações. De acordo com os costumes locais, um cadáver pode ser mantido em casa por vários dias, para que os membros da família e amigos possam fazer suas últimas visitas. Eles normalmente tocam o corpo. O governo proíbe esses rituais quando existe uma epidemia. Suas casas, assim como as casas dos pacientes admitidos nos centros, precisam ser desinfectadas. Essa tarefa é conduzida por brigadas responsáveis por rastrear ativamente casos e desinfectar os encontrados, que MSF cooordena junto com o governo procurando interromper a disseminação. Uma equipe especial desinfecta casas usando solução de cloro. Eles também entregam sabonete e alvejante para a população e explicam para eles como tratar água e as medidas de higiene necessários para prevenir a bactéria de reinfectá-los.
MSF trabalha em Guiné Bissau desde 2005 lutando contra outras epidemias de cólera.
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