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Migrantes e solicitantes de asilo devem ter acesso a cuidados de saúde e medidas de proteção contra a COVID-19
Médicos Sem Fronteiras (MSF) prestou assistência médica e psicológica a 44 migrantes e solicitantes de asilo que foram transferidos pelas autoridades mexicanas para o abrigo Ave Fénix, em Tenosique, Tabasco, após o incêndio que ocorreu no dia 31 de março na Estação Migratória do município. Entre os pacientes atendidos pelos psicólogos de MSF, estavam os familiares do solicitante de asilo guatemalteco que morreu durante o incêndio.
De acordo com depoimentos dos pacientes, na noite de terça-feira, 31 de março, houve um tumulto dentro da estação migratória, que provocou o incêndio, em protesto contra as condições deploráveis do centro de detenção, como superlotação e falta de atenção médica ou ausência de medidas de prevenção e informação diante da emergência da COVID-19.
“Os depoimentos dos nossos pacientes e das autoridades dos abrigos onde os detidos foram realocados indicam que, no dia do incêndio, havia 170 migrantes e solicitantes de asilo na Estação de Migração, quando o espaço é destinado a 100 pessoas”, disse Karolix Zambrano, coordenadora de saúde mental da equipe de MSF em Tenosique.
A situação relatada pelos refugiados e migrantes detidos é particularmente alarmante no contexto atual da pandemia da COVID-19. “Atendemos pacientes que já apresentavam sintomas respiratórios, ou seja, tinham infecções respiratórias e febre, mas não receberam nenhum tipo de atendimento médico nas últimas duas semanas e não foram isolados do resto da população. Além disso, atendemos populações altamente vulneráveis, como pessoas com HIV que estão sem tratamento. Outras pessoas falaram sobre falta de água e más condições de higiene”, diz Esmeralda Orozco, enfermeira de MSF.
Como nossas equipes constataram durante visitas realizadas em 2019 a várias estações migratórias no sul do México, esses espaços não ofereciam atendimento médico regular nem tinham serviços básicos, como abastecimento de água, entre outros fatores que os tornavam terrenos ideais para a propagação de surtos de doenças – entre elas, a COVID-19.
MSF exige que as autoridades mexicanas libertem todos os migrantes dos centros de detenção e garantam diagnóstico e assistência médica àqueles que precisam, para evitar um possível contágio. Levando em consideração o grau de expansão da COVID-19 no México, manter migrantes detidos em estações migratórias prejudica seriamente a saúde dessas pessoas”, diz Sergio Martin, coordenador-geral de MSF no México.
Além dessa situação, os migrantes detidos nas estações migratórias que querem o repatriamento voluntário não podem retornar aos seus países de origem, porque o governo da Guatemala fechou sua fronteira e pediu ao México que cancelasse o repatriamento de migrantes de El Salvador, Honduras e Nicarágua, uma vez que eles teriam que atravessar o território guatemalteco para isso.
“Nós fazemos um apelo ao governo mexicano para que eles garantam que solicitantes de asilo possam permanecer no México em condições dignas e seguras, e que providenciem repatriações voluntárias junto aos consulados de El Salvador, Guatemala e Honduras. É urgentemente necessário que as autoridades de todos os países da região implementem as medidas de proteção que limitam o risco de contágio entre a população migrante e que garantam o acesso à assistência médica no México e em países de origem, caso alguns optem pelo retorno voluntário”, finaliza Martín. No México, MSF presta assistência médica e de saúde mental em abrigos em Tapachula, Tenosique, Coatzacoalcos, Cidade do México, Novo Laredo, Caborca, Reynosa e Matamoros. Atualmente, as equipes estão se preparando para que possam adaptar e expandir as atividades de combate à COVID-19.
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