A Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.
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A Dra. Joanne Liu ressaltou que é preciso uma atuação firme para responder a surtos em grande escala
A presidente internacional da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), Dra. Joanne Liu, manifestou-se a respeito do relatório produzido por especialistas independentes a respeito da resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) à atual epidemia de Ebola na África Ocidental, divulgado hoje. Abaixo, a declaração da Dra. Joanne Liu:
“MSF soou o alarme repetidas vezes a respeito da resposta global e da resposta da OMS ao Ebola e também foi entrevistada pelo painel de especialistas. No documento, há muitos pontos fortes que refletem muitos aspectos que preocupam MSF. Mas a questão é como isso se traduzirá em ação efetiva em campo em epidemias e surtos futuros e o que os Estados-membros farão para garantir que isso realmente aconteça?
Temos visto vários relatórios pedindo mudanças, e todos eles concentrados em como melhorar uma resposta futura e, ao mesmo tempo, com 20 a 25 novos casos de Ebola por semana na região, nós ainda não temos a atual epidemia sob controle. Durante o Ebola, nós evoluímos de indiferença global para medo global, depois de resposta global para a atual fadiga global. Nós temos de finalizar esse trabalho.”
Sobre o Regulamento Sanitário Internacional (IHR, na sigla em inglês)
“A respeito do lado positivo, o relatório inclui a ideia de estruturar um nível intermediário de alerta, ou seja, algo anterior ao anúncio de um estado de emergência de saúde pública de dimensão internacional. Nossa maior preocupação é que o estímulo para uma resposta internacional deveria ser baseado nas necessidades de saúde da população em meio um surto, e não em um ‘risco de segurança’ constatado por outros países.
Como o relatório mostra, o IHR entrou em vigor em 2005 e, na verdade, nunca foi adotado ou seguido pelos países. Hoje, porque os Estados-membros não estavam aptos a produzir seus próprios relatórios, a ideia é policiar o IHR. “A verdadeira questão é: por que os países não implementaram essas regulações sanitárias internacionais? Para muitos deles, tais medidas são parte de uma longa lista de itens de compras – em vez disso, eles precisam de um mínimo de especificação e de ajuda para estruturá-la – então, por exemplo, para identificar três elementos básicos, os países precisam de um sistema de monitoramento mais sólido, um laboratório nacional e linhas claras de comunicação para declarar um surto.”
Engajamento comunitário e Pesquisa & Desenvolvimento (P&D)
“Um grande marco no relatório é o reconhecimento da necessidade de engajamento da comunidade. Nós também saudamos a ênfase em pesquisa e desenvolvimento e a necessidade de flexibilidade durante emergências nos acordos de comércio e no uso de novos medicamentos, diagnósticos e vacinas, para garantir que pacientes sejam tratados.”
O relatório pede por uma mudança organizacional dentro da OMS e pela criação de um Centro de Prontidão e Resposta a Emergências da OMS.
“Para pacientes e profissionais de saúde enxergarem o benefício, os países precisam pressionar por reais mudanças, e as mudanças culturais necessárias dentro da OMS vão além de apenas criar outro departamento de resposta de emergência. Você pode construir uma sala de emergência, mas, se não tiver um médico de emergência ali, ela não funcionará – você não pode preencher essa lacuna com, por exemplo, um reumatologista, e, se não houver uma cultura de emergência dentro da OMS, essa não será a medida mágica. Hoje eles estão nos dizendo que não possuem a competência ou a cultura organizacional – não é por meio da construção de uma sala de emergência que você se torna um médico de emergência. Nós precisamos ver se a vontade política para mudança está realmente ali.”
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