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Para Médicos Sem Fronteiras, é preciso que o plano seja mais ambicioso e inclua vacinas adaptadas para uso em contextos rurais e remotos
Um encontro de governos no Conselho Executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), nesta semana, deve aproveitar a oportunidade para aprimorar diversas falhas no documento que irá direcionar a estratégia de vacinação da comunidade global nos próximos anos, de acordo com a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF). Se isso não for feito, as principais razões pelas quais as crianças continuam sendo negligenciadas pelos programas de imunização não serão consideradas.
Os países estão monitorando e avaliando o modelo que irá avaliar o sucesso e direcionar as atividades do “ Plano de Ação Global de Vacinação” (Global Vaccine Action Plan, na sigla em inglês). Embora os altos preços de vacinas representem uma ameaça considerável à sustentabilidade de programas de vacinação, a avaliação não inclui quaisquer medidas que os monitorem.
“O custo de vacinação por criança aumentou 2.700% durante a última década, então é curioso que o projeto de vacinação para os próximos dez anos não inclua o objetivo de reduzir os preços”, afirmou o Dr. Manica Balasegaram, diretor executivo da Campanha de Acesso a Medicamentos de Médicos Sem Fronteiras (MSF). “Governos de países onde trabalhamos estão cada vez mais preocupados com o pagamento da conta das vacinas quando o financiamento acabar. Um indicador consistente para estabelecimento de custos demonstraria minimamente que preocupações legítimas acerca dos preços estão sendo levadas a sério”.
Em 2001, o custo para vacinar uma criança era de US$1.37 para o pacote básico, com BCG, pólio, difteria, tétano, coqueluche e sarampo. Com a adição de mais vacinas e, particularmente, de duas novas vacinas contra a doença pneumocócica e o rotavírus – que, juntas, contabilizam cerca de 75% do custo de vacinação por criança -, esse custo aumentou, na melhor das hipóteses, para US$38.80, sendo que muitos países pagam preços muito mais elevados.
“Precisa-se prestar muito mais atenção à redução dos preços das vacinas, por exemplo, por meio da aceleração da entrada no mercado de produtores emergentes que poderiam fomentar a competição. O projeto ‘Década das Vacinas’ deve custar em torno de US$50 bilhões, e o custo das vacinas propriamente dito irá consumir uma boa parte desse montante. Simplesmente ignorar este fato não é o caminho”, declarou o Dr. Balasegaram.
Igualmente alarmante é a falta de ambição do plano de ação quando se trata de atacar o fato de que muitas vacinas são, atualmente, inadequadas para uso em países em desenvolvimento. Durante os últimos cinco anos, 112 milhões de crianças nem chegaram a receberam sequer o pacote básico de vacinas para protegê-las das doenças da infância, em boa parte porque é difícil usar as vacinas atuais em áreas remotas ou rurais – elas precisam, por exemplo, ser mantidas frias, requerem funcionários de saúde preparados para administrar injeções, ou devem ser dadas em múltiplas doses, o que demanda seguidas visitas clínicas).
Apesar da urgência da necessidade, o plano de ação tem um objetivo pouco ambicioso de disponibilizar somente uma nova tecnologia de vacina adaptada pronta para uso em 2020, embora diversas novas tecnologias para vacinação – por exemplo, sem a utilização da agulha (por meio de uma máscara ou com pressão de ar) – estejam prestes a receber a aprovação de qualidade da OMS.
“Até para uma organização com a influência logística que tem MSF, vacinar crianças em lugares de difícil acesso com vacinas que precisam ser mantidas resfriadas é um duro desafio e significa que crianças estão nos escapando por entre os dedos”, disse Kate Elder, consultor de política de vacinas da Campanha de Acesso de MSF. “Nós precisamos de mais produtos que facilitem a vacinação de crianças. Precisamos de um sinal claro de que esse é um objetivo essencial para os próximos dez anos”.
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