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Equipe de MSF conduz avaliação detalhada para identificar condições de saúde no leste do país
Um estudo da situação de saúde e necessidades médicas foi iniciado no começo de maio, no leste da República Centro-Africana (RCA), uma região particularmente afetada pela ofensiva do Seleka no final do ano passado e início de 2013. Ainda que as estruturas de saúde já estivessem em colapso, foram ainda mais prejudicadas pela violência e os riscos relacionados à saúde começam a aparecer. Brigitte Doppler, enfermeira responsável pela avaliação, compartilha uma atualização da situação.
“De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 200 mil pessoas foram deslocadas durante a ofensiva do Seleka, principalmente em áreas no centro do país. Nós decidimos avaliar as necessidades na região de saúde quatro (Bambari e Grimari) e na região de saúde cinco, (Bria, Ouadda, Yalinga, Ouandja, Djalle e Birao). O objetivo do estudo é determinar a região onde a intervenção seria tanto pertinente como ágil – idealmente implementada antes de as estradas se tornarem intransponíveis, no começo da época de chuvas, em junho.
A situação de saúde é crítica. Devido à insegurança e ao fato de as pessoas terem sido forçadas a fugir, houve uma redução na atividade agrícola e espera-se que a próxima colheita de setembro registre um déficit. A ameaça de uma crise de nutrição é muito provável. E as autoridades de saúde reportaram um surto de malária nas áreas que vistamos. Em função do início da época de chuvas, problemas como deslocamentos populacionais, escassez de medicamentos, surtos de malária e doenças contagiosas por via fecal e oral (cólera, por exemplo) são temidos. Nós observamos um aumento em casos de febre tifoide em Bambari.
O colapso das instalações de saúde e a falta de acesso a cuidados médicos foram agravados pela violência, saques e abusos que ocorreram durante a ofensiva do Seleka. Grande parte dos funcionários abandonaram centros de saúde para se refugiarem no mato ou irem para a capital, Bangui. Praticamente todas as estruturas foram esvaziadas e algumas foram saqueadas. O programa de vacinação de rotina foi suspenso devido à impossibilidade de manter a cadeia de frio e porque os equipamentos e veículos foram roubados ou danificados. Com exceção das doações feitas por MSF, não tem havido suprimento de medicamentos e equipamentos médicos e não há mais bolsas de sangue. Três crianças morreram de anemia severa durante nossa visita ao hospital em Bria, por não terem recebido transfusão de sangue.
Bambari recebeu doações. Os profissionais médicos retornaram, o hospital não foi saqueado e está apto a funcionar. Em 30 de maio, MSF doou bolsas de sangue, suprimentos básicos para a sala de operações, exames, tratamento para malária e antibióticos para o centro de saúde de Grimari e para o hospital de Bambari. No entanto, Bria foi está completamente desértica. Na região de saúde cinco, as distâncias entre as instalações médicas são expressivas e as estradas se tornaram intransitáveis de junho a agosto devido às chuvas. Desde que MSF fez uma doação em dezembro de 2012, a região não recebeu quaisquer medicamentos. Praticamente todas as estruturas médicas foram saqueadas e fechadas, e seus equipamentos, roubados. Não há ambulâncias e os agentes de saúde fugiram. Os casos de malária representam 82% das consultas no hospital. Os custos com necessidades básicas chegaram a dobrar e até mesmo triplicar. MSF doará kits de emergência para 10 mil pessoas para três meses, remédios, testes, tratamentos para malária, antibióticos, bolsas de sangue, etc., para reabastecer os centros de saúde e o hospital antes da região se tornar impraticável. Esses suprimentos serão transportados de Bria para estruturas remotas acessíveis em dois veículos de MSF; as entregas às instalações mais inacessíveis serão feitas por motocicleta ou carregadas nas costas das pessoas. Nós também forneceremos combustível às equipes de saúde locais para permitir que eles repassem os suprimentos a essas regiões onde nossas equipes não podem chegar devido à falta de segurança.
Nós iremos monitorar a situação epidemiológica de perto e ficar prontos para intervir em um eventual surto de malária, cólera, desnutrição, meningite ou poliomielite, etc. Nós estamos examinando a possibilidade de conduzir avaliações exploratórias em mais áreas e a possibilidade de outras intervenções.”
Alerta de maláriaTratar a malaria é uma das prioridades de MSF na RCA. Em Paoua, MSF diagnosticou e tratou mais de 15.600 casos no período de janeiro a maio de 2013. 468 pacientes tiveram que ser hospitalizados, sendo que 425 deles na unidade pediátrica. 6.1% dessas crianças morreram. 1.236 gestantes com malária, beneficiadas pelo cuidado antenatal, receberam tratamento. MSF atua na RCA desde 1996. A organização está presente em todo o país – independentemente de qual lado do conflito esteja no controle – e administra oito projetos em cinco dos sete “distritos de saúde”. MSF oferece suporte em sete hospitais e em 38 centros de saúde com saúde primária e tratamento para tuberculose, desnutrição, doenças negligenciadas, imunização, cirurgia, etc.
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