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Das seis milhões de pessoas vivendo com HIV/aids em países em desenvolvimento que necessitam de anti-retrovirais, apenas 440 mil têm acesso ao coquetel. MSF apela aos governos para que se esforcem mais para aumentar o número de pacientes em tratamento
Doadores governamentais e países fortemente afetados pelo HIV/aids devem adotar medidas imediatas que atendam ao enorme déficit que existe hoje de tratamento e à falta de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no que diz respeito à luta contra a pandemia de aids.
MSF atualmente oferece tratamento com anti-retrovirais para mais de 23 mil pessoas vivendo com HIV/aids em 27 países espalhados pela Ásia, África, América Latina e Leste Europeu. “MSF vem conseguindo com sucesso trazer um diferencial aos nossos pacientes e seus familiares, mas não temos visto um aumento significativo dos esforços na maioria dos países onde estamos atuando. Do lado de fora das poucas clínicas que oferecem anti-retrovirais, a paisagem do tratamento contra o HIV/aids é árida. A necessidade emergencial de financiamento e de novos programas de tratamento está sendo negligenciada”, disse Dr. Rowan Gillies, presidente do conselho internacional de MSF.
Das seis milhões de pessoas que atualmente precisam de tratamento nos países em desenvolvimento, apenas 440 mil têm acesso aos anti-retrovirais.
No entanto, inúmeras lições sobre a importância de expansão do tratamento da aids vêm sendo aprendidas por MSF e por outros programas de tratamento, nos últimos anos, que permitiram um aumento significativo do número de pacientes atendidos. A primeira lição é o uso de regimes simplificados de tratamento. “Embora eles não sejam a resposta final ao combate ao HIV/aids, coquetéis que combinam três medicamentos em um único comprimido permitem que as pessoas levantem de seus leitos de morte, e tenham uma vida normal e mais longa”, disse Dr Arnaud Jeannin, do programa de aids de MSF em Malauí. Mais de 75% dos novos pacientes dos projetos de MSF iniciaram tratamento tomando um desses comprimidos três em um, produzidos por indústrias de genéricos. Os resultados clínicos e biológicos têm sido excelentes com um índice de sobrevivência de 85,3% dos pacientes após 24 meses de tratamento.
Outro fator importante para se ter bons resultados no tratamento é a forma como o programa é desenhado: MSF oferece tratamento de graça, além de apoio e informação para ajudar as pessoas a tomarem suas medicações de forma correta e consistente. Isto tem permitido um índice de adesão que se iguala ou excede aqueles vistos em países desenvolvidos, um fator considerado essencial para reduzir a possibilidade de resistência aos anti-retrovirais.
MSF também ressalta a falta de formulações pediátricas de medicamentos anti-retrovirais, e a falta de testes confiáveis para o diagnóstico da tuberculose, número um na lista das doenças oportunistas da aids, em pacientes portadores do HIV. “Os esforços em P&D que possam ser traduzidos em avanços práticos no tratamento das comunidades mais pobres e mais afetadas pelo HIV/aids devem ser priorizados como parte de uma resposta global à aids”, disse Daniel Berman, coordenador da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais de MSF.
Os programas de aids de MSF funcionam em diferentes lugares desde hospitais em capitais de países em desenvolvimento, até cidades e favelas em áreas rurais mais remotas. As atividades incluem ações de prevenção, exames de aids e aconselhamento, apoio nutricional e psicológico e tratamento contra o HIV e infecções oportunistas.
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