Equipa MSF avalia a devastação em La Guaira, na Venezuela, a 21 de julho de 2026, onde os sismos de 24 de junho reduziram centenas de edifícios a escombros e deixaram milhares de famílias sem abrigo adequado.

Sismos na Venezuela: necessidades continuam após um mês

Venezuela enfrenta uma crise complexa e prolongada na sequência dos sismos, enquanto as pessoas ainda lidam com o luto pela perda de familiares, amigos e pertences

Cerca de um mês após os devastadores sismos de 24 de junho, a Venezuela continua a lidar com as consequências e o luto à medida que milhares de pessoas choram a perda de familiares, de amigos e de tudo o que possuíam.

Este desastre natural repentino, que afetou particularmente o estado costeiro de La Guaira, perto de Caracas, transformou-se numa crise complexa e prolongada, caracterizada por deslocações populacionais em grande escala, danos graves nas infraestruturas e trauma psicológico.

Em La Guaira e em Caracas, as necessidades urgentes incluem acesso a água potável, a abrigo adequado, a cuidados de saúde mental e a proteção.

O número oficial de mortes atingiu as 5398, com 16.740 pessoas feridas, 17.907 deslocadas e 6462 resgatadas dos escombros. A devastação estrutural é avassaladora, pois 190 edifícios ruíram oficialmente, enquanto mais de 895 estruturas, incluindo escolas, infraestruturas públicas vitais e hospitais sofreram danos graves e estão em risco de ruir.

 

As equipas de resgate procuram, a 21 de julho de 2026, pessoas desaparecidas sob os escombros de um edifício que ruiu em Caraballeda, La Guaira.
As equipas de resgate procuram, a 21 de julho de 2026, pessoas desaparecidas sob os escombros de um edifício que ruiu em Caraballeda, La Guaira. © MSF

 

Milhares de pessoas residem atualmente em locais improvisados para pessoas deslocadas internamente ou dormem em tendas junto às casas danificadas.

Em Maiquetía (La Guaira), cerca de 3000 pessoas estão acampadas no passeio, diretamente em frente a 20 edifícios gravemente danificados e instáveis. Do mesmo modo, na Avenida Bolívar (Caracas), outras 3000 pessoas vivem nas ruas, desprovidas de um abrigo adequado e de serviços básicos.

Em resposta à crise, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) gere atualmente quatro clínicas móveis que prestam cuidados primários de saúde, apoio de saúde mental, promoção de saúde e desenvolvem atividades de água e saneamento nas zonas mais afetadas: três em La Guaira (Maiquetía, Catia La Mar e Tamaguarena) e uma em Caracas (Avenida Bolívar).

Estas clínicas fornecem cuidados primários de saúde, água potável e intervenções de emergência em saúde mental a famílias que perderam tudo. No último mês, as equipas médicas da MSF realizaram 2217 consultas médicas.

 

Feridas invisíveis

Os ferimentos sofridos vão muito além dos danos físicos. As famílias que ainda procuram os entes queridos debaixo dos escombros, a par do choque da súbita perda de casa e da deslocação, deram origem a uma crise psicológica.

Para dar resposta a estes desafios de saúde mental, a MSF integrou o apoio psicológico na  resposta móvel, tendo providenciado: 113 consultas individuais de saúde mental, 323 sessões de terapia de grupo e 1402 sessões de psicoeducação.

 

Uma psicóloga da MSF presta apoio a uma paciente numa clínica móvel da organização em Playa Verde, Maiquetia, Venezuela.
Uma psicóloga da MSF presta apoio a uma paciente numa clínica móvel da organização em Playa Verde, Maiquetia, Venezuela. © MSF

 

Com as infraestruturas locais gravemente comprometidas, as equipas da MSF estão a pôr em prática atividades de água e saneamento:

  • Instalação de um reservatório de água de 5000 litros em Playa Verde para servir de fonte fiável de água potável.
  • Início da cloração contínua de quatro locais primários de distribuição de água, a par da monitorização ininterrupta da purificação da água.
  • Distribuição de 5000 garrafas de água potável de emergência a famílias que estão a viver nas ruas.

No último mês, a MSF doou cerca de 8,5 toneladas de provisões médicas de emergência. Este extenso esforço logístico apoiou operações imediatas capazes de salvar vidas e deu resposta às necessidades de cuidados de saúde de cerca de 10.000 pacientes.

As equipas da MSF continuam a fornecer desinfetantes e materiais de prevenção e controlo de infeções (IPC, na sigla em inglês) não só aos hospitais no ativo, mas também às sobrelotadas morgues locais, de forma a garantir a segurança, a higiene e a dignidade num contexto de perda sem precedentes.

 

Como ajudar

Donativos

Donativos
O seu donativo faz a diferença, ajuda-nos a levar cuidados médicos a quem mais precisa.
Paciente de 8 anos em clínica móvel da MSF em Ambatomena, Madagascar.

Consignação do IRS 2026

Consignação do IRS 2026
Saiba tudo sobre a consignação de IRS: o que é, como funciona, como preencher, e como pode ajudar a MSF com o donativo de

Angarie Fundos para a MSF

Angarie Fundos para a MSF
A MSF depende inteiramente de donativos privados para fazer chegar assistência médica-humanitária a quem mais precisa.
Resposta da MSF ao terremoto no Nepal (2015): Paciente da MSF sendo transferido de helicóptero

Relacionados

Como ajudar

Donativos

Donativos
O seu donativo faz a diferença, ajuda-nos a levar cuidados médicos a quem mais precisa.
Paciente de 8 anos em clínica móvel da MSF em Ambatomena, Madagascar.

Consignação do IRS 2026

Consignação do IRS 2026
Saiba tudo sobre a consignação de IRS: o que é, como funciona, como preencher, e como pode ajudar a MSF com o donativo de

Angarie Fundos para a MSF

Angarie Fundos para a MSF
A MSF depende inteiramente de donativos privados para fazer chegar assistência médica-humanitária a quem mais precisa.
Resposta da MSF ao terremoto no Nepal (2015): Paciente da MSF sendo transferido de helicóptero