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Em Abu Jubayhah, uma das principais áreas de acolhimento de pessoas deslocadas no Cordofão Sul, milhares de famílias enfrentam condições de vida precárias e acesso limitado a serviços básicos
Mulheres fazem fila nos pontos de abastecimento de água nos campos de Al-Safa, na localidade de Abu Jubayhah, no Cordofão Sul, Sudão. Estão rodeadas de bidões, à espera de os encher. Até agora, ir buscar água significava ter de caminhar pelo menos três quilómetros.
Este cenário diário faz parte de uma realidade mais ampla em Abu Jubayhah, que se tornou numa das principais áreas de acolhimento de pessoas deslocadas na região sudanesa do Cordofão Sul. Algumas vivem em campos como o de Al-Safa, enquanto muitas outras se estabeleceram na comunidade de acolhimento.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações, 57.880 pessoas deslocadas vivem em 62 locais em Abu Jubayhah, o que a torna na segunda maior localidade de acolhimento no Cordofão Sul, a seguir a Kadugli. No entanto, as autoridades locais estimam que o número real seja mais elevado.
O apoio disponível não tem acompanhado o número de pessoas que chegam ou o tempo que estão deslocadas. – Ayşe Bilge Öztür, coordenadora de projeto da MSF
O apoio disponível não tem acompanhado o número de pessoas que chegam ou o tempo que estão deslocadas.
– Ayşe Bilge Öztür, coordenadora de projeto da MSF
A dimensão das deslocações populacionais pode não ser imediatamente visível em Abu Jubayhah, mas as condições nos campos perto do centro da vila contam uma história diferente.
“Quando vamos aos campos, vemos as condições em que as pessoas vivem”, sublinha a coordenadora de projeto da Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Abu Jubayhah, Ayşe Bilge Öztürk.
As famílias vivem em abrigos temporários e semipermanentes, que incluem tendas de tecido e estruturas de palha cobertas com plástico, bem como estruturas em cimento. Algumas tendas chegam a ter apenas dez metros quadrados, o que deixa pouco espaço para o quotidiano. Muitas das pessoas deslocadas são mulheres e crianças.
“O apoio disponível não tem acompanhado o número de pessoas que chegam ou o tempo que estão deslocadas”, explica Ayşe Bilge Öztürk.
A MSF começou a dar resposta às necessidades em Abu Jubayhah em junho de 2026. O fornecimento de água nos três campos de Al-Safa foi uma das primeiras prioridades da organização médica e humanitária.
Inicialmente, a água era transportada para os campos por camiões, enquanto as equipas trabalhavam para estabelecer uma fonte de água mais sustentável. Isso incluiu a perfuração de um furo, a instalação de uma rede de abastecimento e a colocação de uma bomba de água alimentada por energia solar. As equipas da MSF também repararam latrinas e forneceram materiais de limpeza.
Desde que as atividades foram iniciadas, a MSF forneceu mais de um milhão de litros de água à comunidade. As famílias nos campos dependem desta água.
Aisha Ahmed, de 37 anos, ficou inicialmente alojada numa escola após ter sido forçada a deslocar-se, e antes de se mudar para o campo de Al-Safa. Recorda que a água era uma das necessidades mais urgentes na altura.
“Às vezes, passávamos uma semana inteira sem água. Agora, depois de a MSF ter feito o furo e alargado a rede, a água está disponível 24 horas por dia.”
A sorrir, Aisha descreve como se sente em relação à mudança: “Estou feliz. Agora, temos água sempre que precisamos.”
Para Aisha e outras pessoas deslocadas que vivem nos campos, a mudança não consistiu apenas em ter água disponível. Significou também deixar de ter de ir tão longe para a recolher, uma vez que, anteriormente, as pessoas tinham de caminhar pelo menos três quilómetros por dia para chegar a uma fonte de água.
A água é apenas uma das necessidades que as famílias deslocadas enfrentam.
Durante uma visita aos campos de Al-Safa, uma equipa da MSF conheceu uma mãe cuja filha sofria de diarreia grave e necessitava de cuidados médicos urgentes. A equipa avaliou o estado de saúde da criança e encaminhou-a para o hospital de Abu Jubayhah. Casos como este mostram como as condições de vida e as necessidades de saúde podem ficar intimamente ligadas para as famílias nos campos.
À medida que identificaram mais necessidades de saúde, as equipas começaram a testar e a tratar a malária nos campos de Al-Safa. Porém, em pouco tempo, chegavam pacientes com outros problemas de saúde, o que levou a MSF a alargar as atividades médicas prestadas.
Na área de receção para pessoas recém-deslocadas em Abu Jubayhah, as equipas da MSF criaram uma clínica. Fazem o rastreio das pessoas recém-chegadas para malária, desnutrição, saúde materna e problemas de saúde gerais, e encaminham quem necessita de cuidados médicos imediatos.
A MSF providenciou também apoio logístico a uma campanha de reforço de vacinação multiantigénica liderada pelo Ministério da Saúde, incluindo vacinas contra o sarampo, a rubéola, a poliomielite e a febre amarela, a par de outras vacinações de rotina. Muitas pessoas deslocadas vivem também na comunidade de acolhimento e dependem dos mesmos serviços básicos.
No Hospital Geral de Abu Jubayhah, a MSF está a reforçar o serviço de urgências através da reabilitação da instalação, com equipamento, medicamentos e outras provisões essenciais, numa altura em que o acesso a cuidados especializados de saúde permanece limitado.
A época das chuvas traz desafios adicionais, já que as estradas não pavimentadas dificultam a circulação das pessoas e impedem que as equipas e as provisões cheguem a alguns locais.
Apesar destes desafios, algo fundamental mudou no quotidiano nos campos de Al-Safa: a água está agora mais próxima das pessoas e disponível de forma mais fiável.
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