Iraque - capacitação MSF

Antes da próxima emergência: quatro meses a reforçar cuidados em Qaladze, Ranya e Koya

Responder a uma emergência começa muito antes da chegada dos primeiros feridos – na região do Curdistão, no Iraque, quatro meses de trabalho da MSF ajudaram a preparar equipas, ambulâncias e serviços de urgência

Após quatro meses de capacitação de competências, reparação de ambulâncias e reabilitação de instalações hospitalares no Iraque, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) entregou os projetos de cuidados de emergência em Ranya, Qaladze e Koya às autoridades de saúde locais e às equipas hospitalares.

O projeto começou a 1 de junho de 2026 e centrou-se, desde logo, na preparação dos serviços de urgência dos hospitais de Ranya, Qaladze e Koya, na região do Curdistão, no Norte do país, bem como do serviço regional de ambulâncias de emergência, para responder a incidentes com vítimas em larga escala, como acidentes rodoviários envolvendo vários veículos. As equipas da MSF formaram profissionais de medicina, enfermagem e paramédicos em triagem, controlo de hemorragias e tratamento de queimaduras, ao mesmo tempo que repararam ambulâncias, renovaram serviços de urgência e forneceram equipamento às três unidades de saúde.

 

O nosso papel é apoiar o sistema de saúde durante as crises e aliviar a sobrecarga dos profissionais de saúde, para que possam prestar aos pacientes os melhores cuidados possíveis

– Renas Mohammed, responsável pela base da MSF em Erbil

 

“Desde o início do projeto, foram desenvolvidas atividades conjuntas em vários dos nossos centros de cuidados de saúde primários, nomeadamente no Hospital de Ensino de Ranya, no Hospital de Ensino dos Mártires de Qaladze, no distrito de Pshdar, e no Hospital de Ensino de Maternidade e Pediatria», explica Safar Hassan, coordenador da Direção-Geral de Saúde de Raparin.

Para os profissionais no terreno, as sessões diárias de capacitação alteraram a forma como os serviços de urgência lidam com eventos de sobrelotação. “A equipa da MSF formou-nos sobre todo o percurso do paciente, desde o momento exato em que entra pelas portas do hospital até à alta», relata Honya Ali, recém-licenciada em enfermagem e aluna da formação no Hospital Shahid Dr. Khalid, em Koya. “Aprender a gerir a chegada de um grande número de pacientes foi extremamente benéfico para a nossa equipa.”

O trabalho da MSF teve por base uma avaliação realizada em maio, que identificou necessidades nos serviços de urgência dos três hospitais. Nos meses seguintes, as equipas reabilitaram o serviço de urgência do hospital de Koya, repararam o sistema de oxigénio medicinal e construíram duas fossas para a eliminação de resíduos orgânicos e anatómicos.

Em Ranya, a equipa instalou dois pontos de lavagem de mãos no serviço de urgência e, em Qaladze, reparou também o telhado, que apresentava infiltrações. As ambulâncias dos três distritos foram sujeitas a intervenções mecânicas e foi doada uma nova viatura à Direção de Saúde de Ranya.

Além disso, entre julho e agosto, as equipas de promoção da saúde realizaram mais de 1300 sessões informativas breves com pacientes e familiares nas salas de espera dos hospitais, alcançando cerca de 4700 pessoas com informação sobre triagem e prevenção de infeções.

Questionado sobre o papel da MSF na região, Renas Mohammed, responsável pela base da organização em Erbil, descreveu este tipo de projetos como um contributo limitado para um sistema de saúde que continua a enfrentar lacunas. “O nosso papel é apoiar o sistema de saúde durante as crises e aliviar a sobrecarga dos profissionais de saúde, para que possam prestar aos pacientes os melhores cuidados possíveis”, frisa.

Grande parte do trabalho foi concebido para ter continuidade sem a presença da MSF. Foram capacitados profissionais de referência em cada hospital para que pudessem continuar a realizar, de forma autónoma, sessões de formação sobre incidentes com vítimas em larga escala, e foram disponibilizados protocolos clínicos para consulta pelas equipas.

Os modelos de recolha de dados entregues aos serviços de estatística dos três hospitais destinam-se a proporcionar às Direções de Saúde uma visão mais clara e contínua da procura de cuidados de emergência e dos padrões de referenciação de pacientes.

Safar Hassan sublinha que a Direção pretende continuar a colaborar com as organizações que apoiam o setor da saúde. “Daremos continuidade a esta coordenação no âmbito das atividades em curso na região.”

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