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Em unidades apoiadas pela MSF, milhares de crianças são admitidas em estado crítico de desnutrição, enquanto as famílias enfrentam grandes dificuldades para aceder a cuidados básicos
Aisha está sentada junto à cama no hospital Al-Salam, distrito de Khamir, no governorado de Amran, Iémen. Chegou em busca de cuidados essenciais para a filha de 5 meses, Zahra’a. No centro apoiado pela Médicos Sem Fronteiras (MSF), profissionais de saúde monitorizam a temperatura da bebé, realizam exames e fornecem-lhe oxigénio e leite.
“Viajei mais de duas horas e gastei 15.000 riais iemenitas [cerca de 56 euros] para cá chegar”, conta Aisha. “Vivemos em condições muito difíceis, com pouco dinheiro para as necessidades diárias e os centros de saúde mais próximos não têm serviços especializados para tratar a desnutrição. Um médico na nossa área recomendou que viéssemos até aqui.”
Antes de chegar ao hospital, a filha de Aisha tinha febre e chorava constantemente com dores nos ouvidos. “Tentei amamentá-la e dar-lhe leite em pó, mas nada ajudou”, lamenta a mãe. “Na nossa família somos 12 pessoas e só temos um rendimento, que não dá para cobrir todas as nossas despesas. A minha filha continua fraca e o peso não mudou. Tenho medo de a perder, é a única menina na família. Espero que ela recupere depressa e que mais organizações venham apoiar quem, como nós, não tem comida nem sustento para sobreviver.”
A história de Aisha é uma entre milhares no Iémen, um país onde a crise de desnutrição está a agravar-se, e as necessidades superam largamente as capacidades existentes de tratamento – conforme é documentado no novo relatório da MSF, “MSFreport_Yemen_Rising tide of malnutrition” (“A vaga crescente de desnutrição no Iémen”, na tradução para português).
Em setembro passado, no auge da época do pico na desnutrição, as taxas de ocupação de camas atingiram níveis alarmantes em quase todos os centros apoiados pela MSF. No hospital Al-Salam, com capacidade para 23 a 51 camas, a ocupação disparou em 254 por cento naquele mesmo mês, o que indica que a instalação hospitalar estava extremamente sobrelotada. Muitos pacientes tiveram de ser tratados em corredores e espaços improvisados.
Este aumento drástico da desnutrição é consistente com o que as equipas da MSF têm observado nos últimos três anos. Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024, foram tratadas 35.442 crianças com menos de 5 anos nas unidades apoiadas pela organização médica-humanitária em cinco governorados: Amran, Saada, Hajjah, Taiz e Hodeida. Estes números, ainda que não abranjam a totalidade do país, mostram a dura realidade que milhares de famílias enfrentam no Iémen quando o acesso a comida adequada e a cuidados de saúde está gravemente limitado.
Após quase uma década de conflito, instabilidade e combates prolongados no Iémen, o sistema de saúde está à beira do colapso. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em abril de 2024, cerca de 46 por cento das unidades de saúde no país estavam parcial ou totalmente fora de serviço. Atrasos nos encaminhamentos médicos e a falta de acesso a cuidados básicos de saúde levam a que muitas famílias cheguem aos hospitais quando é já quase demasiado tarde.
Mesmo depois de receberem alta, muitos pacientes debatem-se para manter os cuidados de seguimento, uma vez que as famílias não têm apoio alimentar e enfrentam enormes dificuldades para aceder a cuidados de saúde regulares e a vacinação. Por isso, muitas pessoas voltam a adoecer, intensificando os riscos para a saúde e deixando-as em ainda maior vulnerabilidade. As baixas taxas de vacinação também aumentam a suscetibilidade a doenças preveníveis como o sarampo, cólera e diarreia aquosa aguda, fatores que agravam a desnutrição e aumentam o risco de morte nas crianças.
Muitas famílias não só enfrentam elevadíssimas despesas de saúde mas também se veem a braços com grandes dificuldades para poder pagar alimentação adequada. Uma mulher, cujo filho foi internado no hospital de Ad-Dahi, em Hodeida, conta: “O meu marido não pode trabalhar porque tem uma deficiência física. Eu tento ganhar algum dinheiro, mas nunca é suficiente. Garantir refeições decentes é uma luta constante, só comemos carne duas vezes por ano – durante o Eid, quando outras pessoas partilham connosco. É a única altura do ano em que provamos carne.”
Entre 2023 e 2024, mais de 10.000 crianças receberam tratamento neste hospital.
No hospital de Abs, no governorado de Hajjah, a capacidade pode aumentar até 120 camas na época de pico da desnutrição. A unidade registou uma taxa de ocupação de 200 por cento em setembro e de 176 por cento em outubro de 2024 – os níveis mais altos nos últimos seis anos.
No centro de alimentação terapêutica em regime de internamento neste hospital, Asia procura cuidados médicos para a filha, Ayana Ali, de 1 ano e 3 meses. A bebé foi admitida com desnutrição moderada e complicações associadas que lhe agravaram o estado de saúde.
“Ela chegou há alguns dias com diarreia aquosa aguda e febre alta”, explica profissional de enfermagem da MSF no hospital de Abs. “Foi internada e está a ser tratada. A Ayana está a recuperar e a melhorar dia após dia.”
Asia está muito ligada à única filha, Ayana, e vive com o receio constante de a perder. Para conseguir pagar a deslocação até ao hospital, vendeu alguns dos poucos bens que tinha em casa. Chegou ali por recomendação de vizinhos, cujo filho também tinha sido tratado com sucesso naquela unidade hospitalar.
A MSF tem vindo a dar resposta ativa à desnutrição no Iémen desde 2010, operando centros de alimentação terapêutica em regime de internamento, em colaboração com as autoridades de saúde dos governorados de Amran, Saada, Hajjah, Taiz e Hodeida. Estas unidades providenciam tratamento especializado para crianças menores de 5 anos com desnutrição grave ou moderada com complicações. Além disso, as equipas da MSF trabalham em parceria com as autoridades locais de saúde para formar profissionais, reforçar os processos de encaminhamento de pacientes e apoiar a deteção precoce da desnutrição a nível comunitário.
Os registos de admissões da MSF mostram que a maioria das crianças afetadas por desnutrição têm menos de 5 anos. Bebés com menos de 6 meses estão em ainda maior risco. Grávidas e lactantes representam também uma parte significativa dos casos de pessoas admitidas com desnutrição – muitas chegam frequentemente aos hospitais em estado de desnutrição moderada ou grave, o que compromete a capacidade de amamentação.
“Muitas mães não conseguem produzir leite para os filhos porque elas mesmas estão desnutridas”, explica profissional de enfermagem da MSF no centro de alimentação terapêutica em regime de internamento do hospital de Ad-Dahi, em Hodeida. “Quando não conseguem amamentar, recorrem ao leite de vaca diluído. Isso está a contribuir para a desnutrição dos bebés.”
Perante a redução súbita e drástica no financiamento humanitário para o Iémen, é essencial garantir um compromisso contínuo e flexibilidade no apoio por parte dos doadores, para dar resposta a esta crise que está a escalar rapidamente. Um financiamento adequado e consistente, aliado a colaborações mais fortes entre o Ministério da Saúde, os doadores e os parceiros que concretizam as respostas necessárias, permitirá recuperar o funcionamento dos centros de saúde e assegurar que estes atendem eficazmente as comunidades locais e nas zonas mais afetadas.
A MSF insta todas aquelas entidades ao reforço das campanhas de vacinação comunitária para prevenir doenças evitáveis como o sarampo, cólera e a diarreia aquosa aguda.
Além disso, é urgente melhorar os programas de distribuição alimentar direcionada. Iniciativas deste tipo permitem que grávidas, lactantes e crianças com menos de 5 anos recebam a nutrição adequada antes de ficarem em estado crítico e com a saúde em risco.
Sem uma resposta coordenada e imediata, as pessoas em situação mais vulnerável no Iémen continuarão a sofrer os impactos de um sistema de saúde sobrecarregado e com o agravamento da desnutrição.
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