Terramoto na Venezuela - MSF

Duas semanas após sismos, MSF concentra resposta nas necessidades de saúde mental, água e saneamento

A MSF está a expandir a resposta de emergência, num contexto em que milhares de pessoas continuam a enfrentar condições extremamente precárias

Enquanto milhares de pessoas deslocadas pelos sismos na Venezuela continuam sem abrigo, acesso a água potável ou condições adequadas de saneamento, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) está a expandir a resposta para além da fase inicial de trauma da emergência, de forma a apoiar comunidades confrontadas com necessidades humanitárias crescentes.

Nos primeiros dias de atividades, as equipas da MSF realizaram mais de 120 consultas médicas, sobretudo relacionadas com doenças crónicas, infeções respiratórias e doenças cutâneas, e prestaram cerca de 50 sessões de apoio psicológico, tanto individuais como em grupo.

A MSF distribuiu kits de emergência para trauma e provisões médicas suficientes para tratar quase 10.000 pessoas feridas. Além disso, a organização médica-humanitária doou 8,5 toneladas de medicamentos, equipamentos médicos e artigos de higiene e desinfeção para apoiar os hospitais, que continuam sob enorme pressão devido à emergência.

Deslocados terramoto na Venezuela
Quase 18.000 pessoas continuam deslocadas devido aos sismos, abrigadas em parques, escolas, estádios e acampamentos informais. © Mariana Zupo/MSF, 2026

Com as necessidades em constante evolução, a atenção centra-se agora nos sobreviventes e nas pessoas que vivem ao relento e em abrigos temporários. As clínicas móveis da MSF têm trabalhado continuamente em Playa Verde, no estado de La Guaira, e no centro de Caracas, enquanto outras equipas móveis prestam assistência em várias áreas afetadas, incluindo Catia La Mar e Naiguatá.

As principais necessidades dizem respeito ao apoio à saúde mental, uma área que estamos a reforçar através da expansão das nossas equipas, com o recrutamento e formação de mais psicólogos”, avança o coordenador-geral da MSF na Venezuela, Andreas Spaett. “Ao mesmo tempo, lançámos atividades nas áreas do abastecimento de água e saneamento: instalámos latrinas onde estas não existiam e estamos a apoiar iniciativas de tratamento de água para garantir o acesso a água potável segura para as pessoas afetadas.”

 

Estamos a observar sérias dificuldades no acesso à água nas áreas afetadas. Atualmente, a população depende de água engarrafada distribuída através de doações de organizações e particulares

– Maria Gabriela Silensi, responsável de saúde ambiental da MSF na Venezuela

 

Esta estratégia de água, saneamento e higiene tem como objetivo prevenir surtos de doenças, melhorar o acesso a água segura e instalar duches e instalações sanitárias que permitam às pessoas viver em condições dignas.

Estamos a observar sérias dificuldades no acesso à água nas áreas afetadas. Atualmente, a população depende de água engarrafada distribuída através de doações de organizações e particulares”, explica a responsável de saúde ambiental da MSF na Venezuela, Maria Gabriela Silensi. “O sistema de distribuição de água colapsou, pelo que estamos a realizar uma avaliação abrangente para determinar de que forma podemos contribuir para estabelecer um sistema de abastecimento de água mais sustentável e atempado.”

Quanto à gestão de resíduos, o sistema também colapsou”, alerta Gabriela Silensi. “As pessoas não têm acesso a instalações sanitárias nem a duches. A MSF está a trabalhar para implementar sistemas de gestão de resíduos nos centros de acolhimento que apoiamos, com o objetivo de prevenir surtos de doenças a médio e longo prazo.”

As equipas da MSF estão agora também a monitorizar doenças transmitidas pela água, bem como doenças transmitidas por vetores, como a dengue, zika e chikungunya. Para reduzir estes riscos, as nossas equipas estão a avaliar fontes de água, condições de saneamento e necessidades de vigilância epidemiológica nas áreas afetadas. As atividades podem incluir distribuição de água por camião, cloração de fontes de água, instalação de latrinas de emergência, distribuição de kits de higiene e visitas regulares de clínicas móveis a abrigos e locais de concentração de pessoas.

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