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Graves necessidades humanitárias em áreas recém-acessíveis de Angola
MSF finalmente ganhou acesso às ‘áreas cinza’ de Angola, onde, durante anos, pessoas têm vivido sem qualquer ajuda internacional. A desnutrição está muito acima dos limites de emergência, com 30% das crianças examinadas em estado de desnutrição grave.
Durante as últimas semanas, equipes da organização internacional da área de saúde Médicos Sem Fronteiras (MSF) se depararam com milhares de pessoas famintas e doentes, que ficaram presas nessas regiões de Angola às quais o acesso à ajuda humanitária tem sido negado por muitos anos. Milhares de civis ficaram presos nessas chamadas ‘zonas cinza’, sem nenhuma ajuda de agências humanitárias ou da ONU.
Essas pessoas foram apanhadas em meio a uma série de guerras selvagens, e muitas foram forçadas a sair de casa, freqüentemente porque suas vilas e casas foram destruídas. Minas, ataques e retaliações as impediam de cultivar, deixando as populações extremamente vulneráveis.
As conseqüências são dramáticas. Devido ao cessar fogo recentemente acordado entre as forças do governo e a UNITA, as equipes de MSF finalmente puderam acessar as áreas que estavam previamente fechadas a elas. Uma equipe acessou a cidade de Bunjei, uma área situada a 116 quilômetros de Caala no sul do país (Província de Huila). Os profissionais encontraram taxas de mortalidade extremamente altas lá.
Thierry Allfort-Duverger liderou a equipe de avaliação: “Nós contamos 14 mortes por dia em uma população de 114 mil pessoas em Bunjei. Encontramos também mais de 1,050 covas recém cavadas. Bunjei é uma cidade fantasma onde pessoas deslocadas e indigentes tem se estabelecido deste setembro do ano passado”.
Os níveis de desnutrição em Bunjei estão muito acima dos limiares de emergência. 30% das crianças examinadas estavam severamente desnutridas e tiveram que ser admitidas em centros de nutrição terapêuticas. MSF também abriu um centro nutricional para crianças sofrendo de desnutrição moderada e distribuiu alimentos e água potável a 3.500 crianças abaixo de 10 anos. Além disso, há 900 crianças com desnutrição severa o centro de nutrição de emergência da cidade de Caala.
Uma segunda equipe de MSF encontrou uma situação igualmente alarmante em Chilembo, sul de Huambo. Um inquérito nutricional básico feito com 1.219 crianças mostrou que 42% delas estão desnutridas com 10% sofrendo de desnutrição severa. Um centro de nutrição terapêutica de emergência e uma ‘cozinha para sopa’ estão sendo instaladas para6 mil pessoas da área.
Os níveis de desnutrição nessas duas áreas são extremamente preocupantes e requerem uma distribuição geral de alimentos. MSF continua com suas avaliações nas áreas recém-acessíveis com a preocupação de que a situação esteja igualmente ruim em todos os locais. Se este for o caso, haverá necessidade de uma ajuda humanitária significativa. MSF triplicou o tamanho de suas equipes em Angola para enfrentar as necessidades.
MSF está em Angola desde 1983. Hoje, mais de 80 profissionais expatriados e 850 nacionais estão trabalhando em 11 das 118 províncias do país.
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