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Presidente do Conselho Internacional de MSF, Morten Rostrup, foi o coordenador de saúde de MSF no Iraque. Em entrevista a jornalistas internacionais, Morten Rostrup diz que não vê uma grave crise humanitária de saúde no país. Veja trechos da entrevista.
MSF já está trabalhando no Iraque há cinco semanas, trabalho este que foi interrompido apenas pela detenção de dois profissionais de MSF por oficiais iraquianos no auge do conflito. Muito desse trabalho foi realizado em hospitais, em contato direto com pacientes e tentando identificar as necessidades mais críticas do sistema de saúde, que esteve sob pressão durante a guerra. O Presidente do Conselho Internacional de Médicos Sem Fronteiras, Dr. Morten Rostrup, era o coordenador médico em Bagdá e acaba de retornar para Europa, com a troca da equipe. Numa entrevista a jornalistas internacionais em Bruxelas, ele descreve o que MSF vê como os desafios no Iraque. Este é um resumo das suas observações.
Nós fizemos agora uma série de rápidas avaliações, que incluiu 10 cidades iraquianas, e estamos obtendo uma visão mais ampla. Temos que olhar de forma mais detalhada para os números de morbidade e mortalidade, mas essas avaliações indicam que, após duas semanas, MSF não encontrou nenhuma grande necessidade médica ou um motivo que nos permita dizer que estamos diante da maior catástrofe humanitária do Iraque.
Ainda existem, é claro, problemas significativos, particularmente em Bagdá, onde ainda não há nenhum grande hospital em pleno funcionamento. Esses problemas estão principalmente ligados à falta de organização, à falta de liderança. Há um vácuo de poder e isto está afetando particularmente o setor de saúde. É de responsabilidade do poder ocupante resolver esta questão. Nós esperávamos que após duas semanas de controle americano, este caos administrativo chegaria ao fim.
Portanto, há uma crise no setor de saúde. O que eu perguntaria, no entanto, é se isto justifica essa descrição de catástrofe humanitária. Ainda é um pouco cedo para MSF dar uma conclusão final, ainda estamos buscando mais informações, mas é um tanto provocativo ver como a atenção de todo o mundo foi trazida para esta situação do Iraque, quando, ao mesmo tempo, estamos enfrentando graves crises humanitárias na República Democrática do Congo, na Costa do Marfim, na Libéria, no sul do Sudão, onde há uma desnutrição crescente. Nós não vimos nenhum sinal de fome ou de epidemias no Iraque, não vimos nenhum deslocamento em massa de pessoas, sinais comuns de desastres. Portanto, eu não chamaria a situação atual no Iraque de uma enorme crise humanitária de saúde.
Há, no entanto, necessidades reais no Iraque. Há muitos pacientes de doenças crônicas que não estão recebendo seus remédios. Algumas pessoas irão precisar de uma segunda cirurgia para tratar os seus ferimentos de guerra. Houve uma falta de oxigênio e de anestésicos. Os salários dos profissionais de saúde são um problema ainda maior. É muito, muito importante resolver o caos administrativo. Mas se você consegue fazer com que as coisas andem, os médicos iraquianos são experientes e o sistema de saúde é relativamente avançado, eles darão conta do recado.
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