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MSF inicia operação de emergência em Chipindo para 18 mil civis na miséria
A organização internacional de assistência à saúde Médicos Sem Fronteiras (MSF) está iniciando um programa de emergência de saúde e nutrição em Chipindo, na Privíncia de Huila em Angola, para socorrer 18 mil pessoas, que estavam isoladas com suprimentos nutricionais inadequados.
Nessa manhã, uma equipe médica e logística da missão de MSF em Caala partiu com dois caminhões cheios de alimentos fortificados e equipamento de emergência médica. A primeira distribuição será feita imediatamente para crianças com menos de dez anos. Um centro de nutrição terapêutica e um centro de saúde também serão abertos para tratar os que estão mais gravemente desnutridos e doentes – em particular crianças.
A situação em Chipindo é dramática. Durante uma avaliação, a equipe de MSF descobriu números de mortalidade tão altos quanto 6,1/10.000 por dia para crianças menores de cinco anos e 4,5/10.000 por dia para a população em geral. Esses números estão acima do limiar de emergência, que é 1/10.000 por dia.
”Nós vimos poucas crianças com menos de cinco anos. Muitas delas já tinham morrido”, disse Marcedes Tataï, coordenadora de emergência de saúde. “Um morro inteiro tem sido coberto com túmulos desde setembro”.
Uma rápida avaliação nutricional das crianças mostra 57% de desnutrição global e 35% de desnutrição severa. A equipe de MSF também se deparou com números significantes de desnutrição em adultos e adolescentes. Cerca de doze crianças com necessidade de cuidado imediato foram levadas para o hospital de MSF em Caala.
Os dezoito mil civis foram obrigados a se deslocarem de suas casas para Chipindo, entre setembro e março, pelas forças do governo angolano. Deste então, eles não têm tido acesso às suas terras, ou à ajuda humanitária e nutricional. Após sobreviver três anos de guerra, violência, saques e isolamento, essas pessoas estão agora correndo risco imediato de morrer de fome.
Chipindo é a quarta situação de emergência que MSF encontrou desde que pôde iniciar avaliação de áreas nas províncias de Huambo, Huila e Bie – as quais eram incessíveis até o cessar-fogo no início do mês passado. Em outras províncias onde MSF está trabalhando, as equipes estão encontrando fenômenos semelhantes.
Sem um esforço de assistência imediata das autoridades e agências humanitárias internacionais, MSF teme que a calamidade, que já matou milhares de pessoas, extermine mais dezenas de milhares.
MSF trabalha em Angola desde 1983 e tem cerca de cem profissionais internacionais e mais de mil nacionais trabalhando em onze das dezoito províncias no país.
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