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O tratamento com ARV é o passo mais recente no projeto de MSF que também inclui testagem voluntária e aconselhamento; tratamento para doenças oportunistas e doenças sexualmente transmissíveis; assistência domiciliar e apoio nutricional e psicológico.
A organização Médicos Sem Fronteiras iniciou a oferta de tratamento gratuito com anti-retrovirais para pessoas vivendo com HIV/aids em Bukavu, República Democrática do Congo.
Na região leste da RDC, afetada pela guerra, onde as pessoas estão mais acostumadas a ver outras pessoas morrendo de aids do que vivendo com a doença e onde as estruturas de saúde não têm capacidade para oferecer ARVs, esta iniciativa marca um passo importante na luta contra o HIV/aids.
Hoje, sete pacientes do projeto de HIV/aids de MSF iniciaram o tratamento com medicamentos anti-retrovirais, os quais oferecem aos pacientes a possibilidade de melhorar suas condições de saúde, de viver de forma mais normal, de trabalhar e de cuidar das suas famílias novamente.
“No cenário africano, tem sido impensável que alguém com HIV/aids possa sobreviver, levar uma vida normal,” explica Corry Kik, Coordenador do Projeto de MSF em Bukavu. “Com os anti-retrovirais isso se torna uma possibilidade. Esperamos que o tratamento com ARVs tenha um efeito enorme na vida dessas pessoas, mas também na forma como elas são tratadas na comunidade.”
Tomar os anti-retrovirais é um desafio significante para os pacientes. Além de tomar medicamentos diariamente, os pacientes terão que fazer exames de sangue regularmente, ir as consultas médicas com freqüência e aprender a conviver com os efeitos colaterais dos remédios.
“Os pacientes também terão que compreender que eles precisam tomar os comprimidos pelo resto das suas vidas, mesmo quando não se sentirem doentes – um conceito que não é sempre fácil de ser entendido num cenário onde a maioria das doenças ou tem cura ou mata,” disse Kik.
A adesão é, no entanto, crucial para evitar a resistência e, a educação do paciente é quase um componente tão importante no novo projeto quanto os próprios remédios.
Nenhum estudo de prevalência do HIV já foi realizado na região, mas o índice de prevalência do HIV em pacientes que freqüentam o Centro de Testagem e Aconselhamento Voluntário de MSF é de 17%, em 2003. As pessoas que iniciaram hoje foram selecionadas de um grupo de mais de 180 pacientes.
Os critérios de seleção incluem a necessidade de cada paciente de ter o apoio de uma outra pessoa para quem eles revelaram o seu status de soropositivo, ser residente em Bukavu, e a habilidade comprovada de atender às consultas médicas e de aderir às medicações profiláticas.
Com 10 pacientes se cadastrando por mês, a equipe de MSF espera ter 150 pacientes recebendo o tratamento com ARVs até janeiro de 2005. Além do tratamento, o projeto oferece testagem voluntária e aconselhamento; tratamento para infecções oportunistas e para doenças sexualmente transmissíveis; assistência domiciliar e apoio nutricional e psicológico.
Na RDC, um segundo programa de tratamento com ARVs de MSF será iniciado no projeto de HIV/aids em Kinshasa, antes do final do mês. Até o fim de 2005, o objetivo é de estar tratando cerca de 800 pacientes. MSF também está oferecendo anti-retrovirais em vários outros países africanos.
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