A Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.
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Entre os trabalhos apresentados, uma exposição sobre doenças negligenciadas que, por serem doenças de países pobres, não recebem a devida atenção da indústria farmacêutica e um pôster sobre projeto desenvolvido por MSF numa comunidade carente do Rio.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) participa, com diferentes atividades, do VII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva organizado pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Pública (Abrasco), que acontece entre os dias 31 de julho e 02 de agosto na Universidade de Brasília (UnB).
Na sala “Cultura e Saúde”, MSF apresenta a exposição “Trópicos do Abandono” – uma viagem fotográfica pelo dia-a-dia das vítimas de 5 doenças negligenciadas e das equipes de saúde que as atendem. Doenças infecciosas tais como tuberculose, malária, doença do sono, doença de Chagas e leishmaniose atingem 14 milhões de pessoas a cada ano, 90% das quais vivem em países em desenvolvimento. Para algumas doenças tropicais, a pesquisa de novos medicamentos é praticamente inexistente. Os únicos tratamentos disponíveis, desenvolvidos décadas atrás, e muitas vezes por acaso, causam sérios efeitos colaterais, e estão se tornando pouco eficazes contra micróbios que desenvolveram resistência aos seus princípios ativos. Além do mais, as empresas que produzem esses medicamentos querem parar a produção pois os pacientes são pobres e o lucro é pequeno.
Somente 1% dos 1393 novos remédios registrados entre 1975-1999 foi destinado a doenças tropicais e tuberculose, apesar delas constituírem mais de 10% da carga global de doenças. Apenas 10% da despesa mundial de pesquisa em saúde são gastos em doenças que representam 90% da carga global de doenças. É por isso que doenças como a leishmaniose e a doença do sono são chamadas de “doenças negligenciadas”: elas afetam um grande número de pessoas que não têm poder de compra e tampouco têm quem defenda sua causa.
Além da exposição, o Coordenador de Saúde de MSF no Brasil, Mauro Nunes, apresenta, durante o congresso, o pôster: Experiência de MSF em PSF – Uma Abordagem Diferenciada.
No pôster, Mauro Nunes conta a experiência de MSF com o Programa de Saúde da Família (PSF) no conjunto habitacional de Portus, uma das comunidades de Costa Barros, que fica numa área pobre e violenta da cidade do Rio de Janeiro.
O projeto de MSF em Portus – oferecendo atendimento de saúde e psicossocial às mais de 3.700 pessoas que vieram de áreas de risco, sendo muitos deles ex-moradores de rua da cidade do Rio – teve início em 1998 com a criação de um Núcleo que funcionou dentro da estratégia nacional do PSF – Programa de Saúde da Família. “Nosso objetivo era proporcionar serviços de saúde pelo PSF através de uma abordagem diferenciada que estimulasse a prevenção e promoção da saúde de forma holística enquanto buscando direitos de cidadania” conta Nunes.
Em 2001, o projeto em Portus foi repassado para uma ONG local, após MSF ter realizado quase 8.000 consultas médicas e de ter vacinado mais de 9.000 pessoas. “Fizemos um Inquérito de Satisfação do Usuário que constatou que 76,2% das famílias freqüentaram a Unidade de Saúde da Família (USF) pelo menos uma vez nos últimos seis meses do projeto, 39% trataram-se exclusivamente nela, 73% das famílias que compareceram a USF tinham consultas marcadas e 77% resolviam seus problemas de saúde na USF. Além disso tivemos outros resultados positivos como a criação do Fórum Local Comunitário e a permanência dos profissionais após o repasse do projeto” conclui Mauro Nunes. O resultado do Inquérito de Satisfação do Usuário também será apresentado em forma de pôster pela consultora Sônia Marinho, que desenvolveu e aplicou o inquérito juntamente com MSF.
Já a psicóloga Cláudia Reis apresentará um pôster sobre a parceria entre o trabalho de Médicos Sem Fronteiras e o PSF da cidade de Rubim, no Vale do Jequitinhonha para atender as vítimas das enchentes de 2002.
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