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Estamos a mobilizar mais equipas para intensificar rapidamente a resposta médica na província de Ituri, no Nordeste do país
Na sequência da declaração oficial de um surto da doença de ébola pelo Ministério da Saúde da República Democrática do Congo, a 15 de maio, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) está a preparar-se para intensificar rapidamente a resposta médica na província de Ituri, no Nordeste do país.
No fim de semana de 9 e 10 de maio, a MSF recebeu alertas sobre um aumento no número de mortes por uma suspeita de febre hemorrágica viral na zona de saúde de Mongwalu, uma área situada a noroeste de Bunia, a capital da província de Ituri. Em colaboração com o Ministério da Saúde, uma equipa deslocou-se para avaliar a situação e constatou que 55 pessoas tinham morrido desde o início de abril. A MSF recebeu também relatos posteriores de que tinham sido identificados casos nas zonas de saúde de Bunia e Rwampara.
De acordo com as autoridades congolesas, foram registados um total de 246 casos suspeitos e mais de 80 mortes nas três zonas de saúde. Este surto foi causado pelo vírus ébola Bundibugyo, que se distingue do vírus Zaire, mais comum, pelo facto de não existir nenhuma vacina nem tratamento aprovados.
A 15 de maio, as autoridades de saúde do vizinho Uganda também confirmaram um caso de doença pelo vírus ébola Bundibugyo num homem congolês de 59 anos, que faleceu a 14 de maio.
A Médicos Sem Fronteiras informou o Ministério da Saúde do Uganda de que está pronta para apoiar a resposta das autoridades de saúde pública.
“O número de casos e mortes que estamos a registar num período de tempo tão curto, aliado à propagação por várias zonas de saúde e agora além da fronteira, é extremamente preocupante”, avança a responsável pelo Programa de Emergências da MSF, Trish Newport. “Em Ituri, muitas pessoas já enfrentam dificuldades para aceder aos cuidados de saúde e vivem numa situação de insegurança constante, o que torna fundamental uma ação rápida para impedir que o surto se agrave ainda mais.”
A MSF tem atualmente equipas nas áreas afetadas de Ituri para avaliar as necessidades médicas e está em estreita coordenação com as autoridades de saúde congolesas. Na clínica da MSF em Salama, em Bunia, temos três casos suspeitos, que já foram isolados.
Neste momento, MSF está a mobilizar mais equipas médicas, de logística e de apoio com experiência na resposta a surtos de febre hemorrágica viral, bem como provisões essenciais, para lançar uma resposta em grande escala o mais rapidamente possível.
Além disso, a MSF está a trabalhar para garantir a aplicação de medidas de prevenção rigorosas nos nossos projetos atuais, com o objetivo de proteger a nossa equipa, os nossos pacientes e o acesso aos cuidados de saúde.
A taxa de letalidade estimada do vírus Bundibugyo está entre 25 e 40 por cento. Este é o terceiro surto detetado envolvendo a variante Bundibugyo, na sequência dos surtos ocorridos no Uganda em 2007-2008 e na República Democrática do Congo em 2012.
O ébola é uma febre hemorrágica viral infecciosa, transmitida aos seres humanos através do contacto direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais infetados. A transmissão entre seres humanos ocorre através do contacto próximo com os fluidos corporais de indivíduos infetados.
A MSF tem respondido a múltiplos surtos de ébola na República Democrática do Congo ao longo dos últimos anos. Este surto marca o décimo sétimo no país desde que o primeiro caso foi descoberto, em 1976.
Nota (22 de maio de 2026):
Convém sublinhar que a situação nas regiões afetadas na República Democrática do Congo e no Uganda está em constante evolução.
Até 19 de maio, a RDC tinha oficialmente reportado um total de 575 casos suspeitos e 148 mortes suspeitas, bem como 51 casos confirmados. Até 18 de maio, tinham sido confirmadas oito mortes.
Foram também reportados, em Kampala, no Uganda, dois casos confirmados em laboratório – incluindo uma morte – sem aparente ligação entre si, num intervalo de 24 horas, a 15 e 16 de maio. Ambos os casos foram importados da RDC.
A 22 de maio de 2025, centenas de profissionais da MSF já estão a responder a este surto da doença do Ébola. Só em Ituri, cerca de 50 profissionais internacionais deverão chegar em breve às zonas afetadas para trabalhar em conjunto com cerca de 480 profissionais contratados localmente.
A MSF está também a enviar dezenas de milhares de equipamentos de proteção individual (EPI) para as áreas afetadas, com artigos essenciais para proteger as equipas, como luvas, máscaras, óculos de proteção, batas e botas de proteção. Já chegaram a Bunia, província de Ituri, 3000 conjuntos de equipamento de proteção individual. Outros 60.000 conjuntos de EPI deverão chegar da Europa até ao final da próxima semana.
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