As equipas da MSF chegam a Al Majaz, uma das 16 clínicas móveis da MSF na província de Hebron, na Cisjordânia, na Palestina.

MSF responde à escalada do conflito no Médio Oriente

A população civil, os hospitais e outras infraestruturas essenciais devem ser protegidos em todas as circunstâncias

*Em desenvolvimento. Atualizado a 21 de abril de 2026

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) está alarmada com a dramática escalada do conflito em todo o Médio Oriente. Estamos a adaptar os nossos projetos e a preparar-nos para ampliar a nossa resposta médica face ao aumento das necessidades humanitárias na região.

A 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque militar contra o Irão incluindo ataques aéreos sobre a capital, Teerão, e outras cidades. O Irão e grupos armados apoiados pelo Irão responderam com uma vaga de ataques dirigidos a Israel e aos países do Golfo, bem como a alvos militares e diplomáticos dos EUA na região. O conflito alastrou-se ainda mais.

Em toda a região, a escalada da violência levou medo e insegurança à vida de milhões de pessoas. Os bombardeamentos continuam em várias cidades e aldeias – atingindo frequentemente áreas densamente povoadas – e o número de vítimas está a aumentar. Os civis, os hospitais, as unidades de saúde e outras infraestruturas essenciais devem ser protegidos em todos as circunstâncias.

 

Mapa atividades MSF no médio oriente português

 

As tensões regionais estão a criar um ambiente cada vez mais instável e difícil para a MSF levar a cabo operações médicas no Líbano, Iémen, Iraque, Irão, Jordânia, Palestina e Síria, em diferentes graus. De um modo geral, o encerramento do espaço aéreo e o aumento dos riscos de segurança estão a restringir a circulação das nossas equipas, a atrasar as evacuações médicas e a impor constrangimento às nossas atividades.

Ao mesmo tempo, a instabilidade em torno do Estreito de Ormuz está a exercer uma pressão adicional sobre a logística e as rotas de abastecimento. Estes desenvolvimentos já estão a afetar as cadeias de abastecimento, aumentando o risco de escassez de material médico essencial, fazendo subir os preços dos combustíveis e complicando tanto o transporte aéreo como o marítimo.

A Médicos Sem Fronteiras está a adaptar os projetos e a acompanhar de perto as necessidades humanitárias em rápida evolução. Para mitigar o impacto das perturbações, as rotas de abastecimento foram redirecionadas através de canais alternativos para garantir a continuidade das atividades médicas. Desde 28 de fevereiro, a MSF enviou 42 toneladas de material médico para projetos no Médio Oriente.

 

Um veículo da MSF passa em frente a edifícios em ruínas em Jabalia.
Um veículo da MSF passa em frente a edifícios em ruínas em Jabalia, Norte de Gaza. © Nour Alsaqqa, 2025

 

 

Líbano

O Líbano é um dos países mais afetados por esta escalada no conflito.

A guerra no Líbano, atualmente sob um frágil cessar-fogo de 10 dias, provocou um impacto devastador no sistema de saúde e nos profissionais de saúde do país. Enquanto os bombardeamentos das forças israelitas causaram mortos e feridos, os ataques contra equipas de primeiros socorros, a hospitais e imediações também colocaram os profissionais de saúde em risco, deixando muitas pessoas feridas e mortas. Apesar disso, os profissionais de saúde libaneses continuaram a prestar cuidados que salvam vidas, mesmo sob imensa pressão.

Desde 2 de março, os civis têm enfrentado condições cada vez mais difíceis. Mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a abandonar as casas, o que interrompeu o acesso aos cuidados de saúde. As famílias foram obrigadas a fugir repetidamente, muitas vezes sem ter para onde ir. Muitas estão abandonadas nas ruas ou encurraladas nas cidades.

 

A MSF está a prestar cuidados de saúde primários, apoio psicológico e artigos de ajuda a pessoas deslocadas no Líbano, incluindo migrantes e outras minorias. © MSF

 

Resposta de emergência a nível nacional:

A MSF lançou uma resposta de emergência a nível nacional, adaptando-se rapidamente para garantir a continuidade da prestação de cuidados nos projetos existentes. As nossas atividades atuais incluem:

  • Distribuição de artigos essenciais de assistência, tais como kits de higiene, cobertores e água potável.
  • Atendimento através de 15 clínicas móveis em todo o país, prestando cuidados de saúde primários, medicamentos para doenças não transmissíveis, serviços de saúde sexual e reprodutiva e apoio à saúde mental.
  • Apoio a centros de saúde de cuidados primários.
  • Doações de combustível e material médico a hospitais, bem como cabazes alimentares para a equipa hospitalar em áreas afetadas pelo conflito.
  • Linhas de apoio à saúde mental para apoiar pessoas em sofrimento em áreas remotas ou de difícil acesso.
  • Para além destas atividades, temos estado em contacto com grupos de proteção civil para doar kits de primeiros socorros, incluindo sacos para transportar corpos.

 

Irão

Antes da escalada de 28 de fevereiro, a MSF já estava a desenvolver três projetos no Irão, com a prestação de cuidados de saúde essenciais a pessoas marginalizadas, incluindo refugiados afegãos e outras populações em situação de vulnerabilidade. Realizávamos 6000 consultas médicas por mês, além de cuidados de obstetrícia, rastreio e tratamento de doenças infecciosas e apoio à saúde mental.

Embora os ataques aéreos e o bloqueio das comunicações tenham criado desafios operacionais, a MSF tem conseguido manter algumas atividades.

A nossa clínica em Teerão fechou temporariamente devido aos intensos bombardeamentos, mas espera-se que reabra como uma clínica mais especializada depois de o governo ter concedido autorização para reforçar o apoio aos sistemas de saúde locais que respondem às necessidades relacionadas com o conflito, em meados de março. A MSF já forneceu doações iniciais de material médico e está pronta para aumentar ainda mais o nosso apoio à medida que as necessidades evoluem.

 

Veja também: testemunhos de profissionais da MSF em Teerão

 

Palestina

As nossas equipas em Gaza e na Cisjordânia continuam a dar resposta às importantes necessidades médicas e de saúde mental.

Em Gaza, temos vindo a prestar cuidados essenciais em cerca de 20 unidades de saúde e postos médicos espalhados por toda a Faixa. Tratamos pessoas feridas por explosivos, prestamos cuidados a crianças com desnutrição e fornecemos atendimento a pessoas com doenças crónicas.

 

Mahmoud Al-Dahdouh e o filho em Zaytoon, Gaza. “Quando o exército israelita abriu fogo, o meu filho foi atingido por uma bala perdida na cabeça.”
Mahmoud Al-Dahdouh e o filho em Zaytoon, Gaza. “Quando o exército israelita abriu fogo, o meu filho foi atingido por uma bala perdida na cabeça.” © Nour Alsaqqa/MSF

 

Na Cisjordânia, as nossas operações têm-se concentrado em Nablus, Qalqiliya, Tubas, Hebron, Jenin e Tulkarem. Temos prestado cuidados de saúde mental, saúde sexual e reprodutiva e cuidados de saúde gerais através de clínicas móveis, bem como apoio nas atividades de água e do saneamento nos campos para pessoas refugiadas.

Mesmo antes desta escalada regional do conflito, a MSF já enfrentava dificuldades para fazer chegar equipas e provisões à Palestina, incluindo equipamento cirúrgico, antibióticos e analgésicos, e gaze esterilizada para ferimentos de guerra.

 

Uma mãe palestiniana recebe atendimento médico na clínica móvel da MSF em Jinba, Masafer Yatta, a Sul de Hebron, na Cisjordânia.
Uma mãe palestiniana recebe atendimento médico na clínica móvel da MSF em Jinba, Masafer Yatta, a Sul de Hebron, na Cisjordânia. © MSF

 

Jordânia

As atividades da MSF continuam em Amã, apesar dos constantes alertas de sirenes que afetam a vida quotidiana e a mobilidade. A nossa equipa recebeu alertas de segurança devido a possíveis ameaças de mísseis.

O principal impacto operacional foi a suspensão das transferências médicas para o Programa de Cirurgia Reconstrutiva da MSF, o que afeta os pacientes de Gaza, Iémen e Iraque que necessitam de tratamento especializado. Alguns pacientes que concluíram o tratamento também não podem regressar a casa devido às interrupções nos deslocamentos. Estes atrasos correm o risco de agravar o estado dos pacientes que necessitam de cuidados cirúrgicos especializados.

 

Karam, da Palestina, faz fisioterapia com a equipa da MSF no Hospital de Cirurgia Reconstrutiva, em Amã, na Jordânia.
Karam, da Palestina, faz fisioterapia com a equipa da MSF no Hospital de Cirurgia Reconstrutiva, em Amã, na Jordânia. © Chrysoula Patsou/MSF

 

Iraque

As operações da MSF foram parcialmente interrompidas. O projeto em Bagdade está suspenso desde o início de março de 2026 e a equipa mudou-se para Erbil, enquanto o projeto em Mossul continua em curso. Embora o acesso aos cuidados de saúde ainda não tenha sido significativamente afetado, prevê-se que a escalada tenha repercussões mais amplas na segurança, nas condições económicas e no bem-estar mental das pessoas, o que poderá aumentar indiretamente as necessidades de saúde.

 

Síria

A Síria representa uma das maiores presenças operacionais da MSF na região, com atividades em 11 das 14 províncias do país. A MSF gere ou presta apoio a 10 hospitais e 21 clínicas, complementados por clínicas móveis e colaborações com o Ministério da Saúde local.

Os serviços incluem cuidados primários, de urgência, maternos e neonatais, além do tratamento de doenças crónicas, programas de nutrição, serviços de saúde mental e atividades relacionadas com água e saneamento. A nossa resposta também fornece a reabilitação de centros de saúde, o reforço das capacidades do pessoal médico e a distribuição de ajuda humanitária às comunidades deslocadas.

A escalada da tensão na região teve consequências humanitárias indiretas na Síria, incluindo movimentos transfronteiriços de população. Dezenas de milhares de sírios deslocados no Líbano regressaram à Síria devido à intensificação dos ataques aéreos israelitas no Líbano.

 

Um pediatra do Centro de Cuidados de Saúde Primários de AL-Khalediyah, na Síria, prescreve uma receita médica para ser entregue na farmácia, que conta com o apoio da MSF.
Um pediatra do centro de saúde de AL-Khalediyah, na Síria, prescreve uma receita médica para ser entregue na farmácia, que conta com o apoio da MSF. © Zahra Shoukat/MSF

 

Iémen

No Iémen, a MSF mantém projetos em várias províncias, com em Al-Qanawiss e Ad-Dahi (Hodeida), Al-Qaida (Ibb), na cidade de Hajjah e em Abs (Hajjah), bem como atividades adicionais em Áden, Taiz (incluindo Mocha, Mafraq al-Mocha e Khawkha), Amran (Khamer) e Saada (Haydan).

A MSF gere e presta apoio a vários hospitais e centros de cuidados de saúde primários, além de realizar atividades de resposta de emergência em vários locais. As nossas equipas prestam serviços médicos essenciais, tais como cuidados de saúde primários, de urgência e cirúrgicos, saúde materno-infantil, tratamento da desnutrição e cuidados de saúde mental e psiquiátricos, mantendo simultaneamente uma sólida capacidade de preparação para emergências.

Até ao momento, a recente escalada no conflito entre os EUA, Israel e o Irão não afetou diretamente as atividades nem a equipa da MSF no Iémen, e as operações prosseguem conforme previsto. No entanto, a situação continua tensa e está a ser acompanhada de perto. A preocupação mais imediata é o impacto indireto nas condições de vida da população e no acesso aos cuidados de saúde: o aumento dos preços a nível mundial já está a encarecer bens essenciais como alimentos, combustível e cuidados de saúde, o que representa um fardo adicional para as comunidades já em situação de vulnerabilidade.

 

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Paciente de 8 anos em clínica móvel da MSF em Ambatomena, Madagascar.

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