A Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.
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Nesta terça-feira, 1° de abril, o médico Morten Rostrup, Presidente do Conselho Internacional de Médicos Sem Fronteiras, falou de Bagdá, através de um jornalista, sobre o trabalho que vem sendo realizado pela equipe da organização no Iraque.
Na semana passada, uma equipe da organização internacional de ajuda humanitária na área de saúde, Médicos Sem Fronteiras, integrou-se à equipe médica do Hospital Geral Al-Kindi no norte de Bagdá, com 250 leitos, para ajudar no tratamento de emergência de pacientes feridos. Um cirurgião, um anestesista e um médico de MSF tornaram-se parte da equipe médica e cirúrgica e irão trabalhar em plantões de 24 horas, dia sim, dia não. Nesta terça-feira, 1° de abril, o médico Morten Rostrup, Presidente do Conselho Internacional de Médicos Sem Fronteiras, falou de Bagdá, através de um jornalista.
“Por dois dias, na semana passada, quando aumentava a tempestade de areia, você não conseguia ver nada além de 200 metros, e a areia estava por toda parte – nos nossos olhos, ouvidos, nas nossas gargantas. E depois, uma fumaça causada pela queima de petróleo cercava a cidade. A chuva limpou o ar, mas os bombardeios continuavam…”
“O clima mudou. Quando a guerra começou, as pessoas em Bagdá tentavam levar uma vida normal, na esperança de manter o padrão numa situação bizarra. Mas o clima de tensão vem crescendo e os bombardeios se intensificando…
“Nós temos visto alguns feridos, muitas vítimas civis, desde ferimentos leves até complicações mais graves que requerem intervenções cirúrgicas, e algumas mortes. Muitos ferimentos são provocados pela queda de escombros e de objetos de metal. Fica difícil avaliar quando examinamos os pacientes se os ferimentos foram causados por bombas ou por artilharia antiaérea…
“Alguns dias atrás, pedaços de um muro caíram sobre uma mulher provocando fraturas em vários ossos da face. Por sorte não houve hemorragia cerebral. Ontem, o hospital recebeu 19 vítimas, entre elas, muitas crianças. Uma criança morreu na sala de cirurgia enquanto 3 outros pacientes morreram logo após darem entrada no hospital. As principais complicações foram causadas por resíduos de projéteis. Dois dias atrás fomos convocados para duas operações em meninos que haviam sido baleados no abdômen. Por sorte, não houve perfuração do intestino, apenas alguns ferimentos, não tão graves, no fígado e nos rins. Essas vítimas frustraram e afligiram a equipe….
“Os traumas psicológicos e o choque, provocados por explosões, vem causando síndromes de pânico, dores no peito provocadas pelo stress, problemas respiratórios e enfartes. Nós temos observado, também, um aumento nos casos de ataque cardíaco. A situação é muito tensa e as pessoas estão preocupadas, amedrontadas, não saem de casa e a maioria do comércio fechou. Há uma certa normalidade no trânsito e nossa equipe tem podido se locomover entre o hospital e a nossa casa numa área tranqüila nos arredores da cidade, poupada, na maioria das vezes. Há casas destruídas na cidade e no trajeto nós constantemente ouvimos as explosões…
“Até agora, o hospital Al-Kindi vem funcionando bem, com experientes médicos locais, mas há necessidade de medicamentos específicos, especialmente analgésicos e drogas anestésicas. MSF vai repô-los. Os serviços normais de saúde continuam – as pessoas também buscam ajuda para problemas crônicos de saúde – e como a guerra pode interromper, rapidamente, o fornecimento de todos os materiais básicos de saúde, nós vamos monitorar cuidadosamente a situação e tentar obter mais suprimentos quando necessário…
“Os médicos têm experiência em cirurgias de trauma e estão bastante comprometidos em permanecer e trabalhar no hospital. Nós estamos aqui para ajudar quando nossos colegas médicos precisarem. E se houver uma batalha em Bagdá, Al-Kindi pode ser um importante hospital para receber os feridos, então, nossa presença aqui, mais tarde, também poderá ser importante.
Morten Rostrup, Médico, Presidente do Conselho Internacional de Médicos Sem Fronteiras
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