Clínica MSF no Sul do Líbano

Para além das atividades médicas: uma década de solidariedade

Ao longo de dez anos, as nossas atividades médicas no campo de Bourj el-Barajneh, no Sul de Beirute, assumiram diversas formas, da prestação de cuidados de saúde sexual e reprodutiva aos serviços de saúde mental

Após dez anos a gerir uma clínica autónoma no campo de Bourj el-Barajneh, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) concluiu a prestação de cuidados de saúde na instalação em dezembro de 2025. Ao longo dos anos, as atividades médicas assumiram várias formas, com enfoque na saúde sexual e reprodutiva, vacinação infantil, cuidados para doenças não transmissíveis e saúde mental.

Localizado no Sul de Beirute, o campo de Bourj el-Barajneh foi estabelecido para refugiados da Palestina em 1948. Apesar de ser já densamente povoado, acolheu refugiados sírios que fugiram da guerra iniciada em 2011 e, ao longo da sua história, recebeu trabalhadores migrantes com recursos limitados e muitas outras pessoas que não tinham para onde ir.

Nos últimos quatro anos de atividades, Mohammad Hazineh acolheu os pacientes na clínica e encaminhou-os para o respetivo departamento com um sorriso. Antes de vir para o Sul do Líbano, Mohammad era refugiado palestiniano na Síria. Porém, em 2011, a casa que tinha no campo de Al-Yarmouk, em Damasco, foi bombardeada, então decidiu mudar-se para o Líbano e escolheu o campo de Bourj el-Barajneh como lar.

“Os fins são inerentemente tristes. Podemos estar a dizer adeus a esta clínica, mas não às pessoas que recebemos ou a tudo aquilo que aprendemos aqui”, frisa Mohammad, profissional da MSF. “Embora me sinta como um convidado no campo, fui tratado de forma igual na clínica, o que me fez sentir especial.”

 

Podemos estar a dizer adeus a esta clínica, mas não às pessoas que recebemos ou a tudo aquilo que aprendemos aqui

– Mohammad Hazineh, profissional da MSF e habitante do campo

 

Ao longo dos anos, a clínica viu muitas lágrimas: fossem derramadas por crianças com dores das vacinas que as protegiam contra uma série de doenças evitáveis, ou por homens que apenas precisavam de alguém que os ouvisse.

Sorrisos e gargalhadas também encheram o ar: pais e mães aprenderam que as doenças não transmissíveis dos filhos são controláveis, mulheres descobriram que estavam grávidas pela primeira vez e as pessoas foram relembradas de que têm valor. A clínica era um espaço seguro onde os sentimentos eram validados e as diferenças celebradas.

Na clínica, a MSF garantia o acompanhamento de grávidas desde os primeiros meses da gestação até ao pós-parto. © Severine Sajous/MSF, 2019

“Tenho muito orgulho em ter trabalhado nesta clínica. Esteve sempre cheia de humanidade”, recorda Mohammad. “Trabalhei com pessoas de várias nacionalidades ao longo dos anos, o que refletia a diversidade dos pacientes e dos residentes do campo. Trabalhar com a MSF deu-me uma nova perspetiva sobre o futuro. Trouxe-me esperança.”

Mohammad Dabdoub é um palestiniano nascido e criado no campo de Bourj el-Barajneh. Considera o campo uma miniatura da Palestina na diáspora. Ao longo do percurso de nove anos com a MSF e do trabalho como oficial de ligação, foi a ponte entre a organização e as pessoas no campo. Sensibilizou-as para as atividades da MSF e ajudou a estabelecer relações de confiança.

“O que mais valorizo é que as nossas atividades nunca se limitaram à clínica”, conta. “Conseguimos prestar apoio a organizações como a Defesa Civil e a Sociedade do Crescente Vermelho Palestiniano, contribuindo assim para responder às necessidades das pessoas no campo com o melhor das nossas capacidades.”

 

O que mais valorizo é que as nossas atividades nunca se limitaram à clínica.

– Mohammad Dabdoub, profissional da MSF

 

O encerramento da clínica surge como parte da estratégia da MSF para o próximo projeto de apoio às instalações de saúde existentes que prestam serviços semelhantes à comunidade. A MSF pretende continuar a apoiar a comunidade no campo de Bourj el-Barajneh.

“As pessoas no campo precisavam tanto de medicação como de alguém que estivesse ao lado delas”, conclui Mohammad Dabdoub. “As nossas atividades foram para além da atividade médica: representaram uma década de solidariedade.”

Entre 2020 e 2025, a MSF realizou na clínica de Bourj el-Barajneh mais de:

  • 38 000 sessões de promoção de saúde;
  • 28 620 consultas de cuidados pós-natais;
  • 27 930 consultas de planeamento familiar;
  • 23 590 consultas de doenças agudas;
  • 22 770 consultas de doenças não transmissíveis;
  • 11 730 consultas de saúde mental;
  • 9 840 consultas de cuidados pré-natais.

Como ajudar

Donativos

Donativos
O seu donativo faz a diferença, ajuda-nos a levar cuidados médicos a quem mais precisa.
Paciente de 8 anos em clínica móvel da MSF em Ambatomena, Madagascar.

Consignação do IRS 2026

Consignação do IRS 2026
Saiba tudo sobre a consignação de IRS: o que é, como funciona, como preencher, e como pode ajudar a MSF com o donativo de

Angarie Fundos para a MSF

Angarie Fundos para a MSF
A MSF depende inteiramente de donativos privados para fazer chegar assistência médica-humanitária a quem mais precisa.
Resposta da MSF ao terremoto no Nepal (2015): Paciente da MSF sendo transferido de helicóptero

Relacionados

Como ajudar

Donativos

Donativos
O seu donativo faz a diferença, ajuda-nos a levar cuidados médicos a quem mais precisa.
Paciente de 8 anos em clínica móvel da MSF em Ambatomena, Madagascar.

Consignação do IRS 2026

Consignação do IRS 2026
Saiba tudo sobre a consignação de IRS: o que é, como funciona, como preencher, e como pode ajudar a MSF com o donativo de

Angarie Fundos para a MSF

Angarie Fundos para a MSF
A MSF depende inteiramente de donativos privados para fazer chegar assistência médica-humanitária a quem mais precisa.
Resposta da MSF ao terremoto no Nepal (2015): Paciente da MSF sendo transferido de helicóptero